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TJAC participa de debate sobre inteligência artificial no Judiciário com conselheiro do CNJ
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Desembargadora Regina Ferrari participou da palestra promovida pela OAB-AC; durante o encontro, Rodrigo Badaró destacou o Humanize IA e afirmou que pretende levar a experiência para discussão na Corte IDH
O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) participou, na noite de segunda-feira, 21, da palestra “IA no Judiciário Brasileiro”, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC). O encontro reuniu representantes do sistema de Justiça para discutir os impactos da inteligência artificial na atividade jurídica e os caminhos para o uso responsável da tecnologia.
A vice-presidente do TJAC, desembargadora Regina Ferrari, prestigiou o evento e destacou a importância do diálogo entre as instituições diante das transformações provocadas pelo avanço tecnológico no Judiciário.
“Estamos vivendo um período de profundas transformações, e o Judiciário precisa estar preparado para compreender e utilizar essas novas ferramentas. Momentos como este são importantes para compartilhar conhecimento e construir caminhos que conciliem inovação, eficiência e, principalmente, a garantia dos direitos de quem busca a Justiça”, afirmou.
A palestra foi ministrada pelo advogado e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Rodrigo Badaró, que abordou as possibilidades e os desafios relacionados à incorporação da inteligência artificial ao sistema de Justiça, incluindo aspectos como inovação, proteção de dados, segurança e responsabilidade no uso dessas ferramentas.




Humanize IA
A participação do conselheiro no evento ocorreu após uma agenda institucional realizada no próprio TJAC, também na segunda-feira. Pela manhã, Rodrigo Badaró esteve na Escola do Poder Judiciário (Esjud), onde foi recebido pelo presidente do Tribunal, desembargador Laudivon Nogueira.
Durante a visita, o TJAC apresentou ao conselheiro o Humanize IA, ferramenta desenvolvida pelo Tribunal para auxiliar magistradas, magistrados e assessores na aplicação do controle de convencionalidade e na identificação de precedentes do Sistema Interamericano de Direitos Humanos relacionados aos casos concretos.
Na palestra promovida pela OAB-AC, Badaró voltou a mencionar a experiência apresentada pelo Judiciário acreano. Durante sua exposição, afirmou que conheceu o Humanize IA durante a visita ao Tribunal, demonstrou interesse pela iniciativa e informou que pretende discutir a ferramenta no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH).
A aproximação com a Corte IDH integra uma estratégia do TJAC de ampliar a cooperação institucional e compartilhar a experiência desenvolvida no Acre. Em julho deste ano, o Tribunal institucionalizou o Programa Humanize, tornando permanente a política de promoção do controle de convencionalidade e estabelecendo diretrizes para o uso ético da inteligência artificial na atividade jurisdicional.
Além da desembargadora Regina Ferrari, também participaram da agenda o juízes auxiliares da Presidência do TJAC, Louise Santama e Giordane Dourado, coordenador do Programa Humanize.
A presença dos representantes do TJAC reforça a atuação do Tribunal na construção de diálogos sobre inovação, inteligência artificial e proteção dos direitos fundamentais, aproximando o Judiciário acreano das discussões nacionais e internacionais sobre o uso responsável da tecnologia.
Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Casal Huni Kuin viaja seis dias de barco para ser atendido no Projeto Cidadão
Nory Ferreira conseguiu o termo de curatela da mãe, enquanto o esposo, Tomas Rodrigues, ingressou com ação para corrigir a data de nascimento na certidão. Eles estão entre os mais de mil atendidos nesta edição do mutirão
Um casal do povo indígena Huni Kuin enfrentou seis dias de viagem de barco até Sena Madureira para ser atendido no Projeto Cidadão. Nory Ferreira, de 48 anos, e o esposo, Tomas Rodrigues, de 58, vieram da Aldeia Porto Rico, em Santa Rosa do Purus. O local tem acesso apenas pelo Rio Purus. Mesmo diante da distância, os dois buscaram os serviços públicos oferecidos pela ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

Nory viajou com a intenção de obter o termo de curatela provisória da mãe, Albertina Kacixawá, de 85 anos. O documento permite que a filha represente e cuide dos interesses da idosa. É uma prova legal, perante bancos, órgãos públicos, hospitais e outras instituições, de que a mulher tem respaldo judicial para tomar decisões.
Ela contou que, há 10 anos, resolve tudo relacionado à vida da mãe. Para isso, tinha uma procuração, mas o documento só tinha validade de um ano. Por esse motivo, as duas precisavam comparecer ao cartório todos os anos. A tarefa era difícil, uma vez que ambas moram na aldeia e dona Albertina sofre com problemas de locomoção.

Cansada dessa situação, procurou a Justiça e obteve uma decisão favorável que concedia a curatela provisória da mãe. Entretanto, perdeu o termo e, consequentemente, voltou a enfrentar problemas para conseguir representar a idosa. A solução foi procurar o Projeto Cidadão. Deu certo. Em poucos minutos, estava com o documento em mãos.
O esposo de Nory, Tomas Rodrigues, de 58 anos, foi outro que se beneficiou dos atendimentos do Projeto Cidadão. No caso dele, havia um erro em sua certidão de nascimento. Ele nasceu em 1967, mas no registro consta como se tivesse nascido em 1972. Para corrigir o erro, precisou ingressar com uma ação de retificação. A Defensoria Pública, parceira da ação, deu andamento ao processo.

Mais de mil atendimentos
A história do casal representa uma das inúmeras atendidas nesta edição do Projeto Cidadão em Sena Madureira. A Coordenadoria de Apoio a Programas Sociais (Coaps), responsável pela ação, estima mais de mil atendimentos nos dois dias de mutirão no município. A iniciativa ocorreu nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza.
Durante o trabalho social, moradoras e moradores de Sena Madureira tiveram acesso a serviços como emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), orientação jurídica, consulta processual e atualização cadastral em programas sociais.
A proposta do TJAC ao reunir diversos serviços públicos em um único espaço é garantir a cidadãs e cidadãos em situação de vulnerabilidade acesso rápido e gratuito à documentação básica, além de atendimentos nas áreas jurídica, de saúde, assistência social e cidadania.




Programação reforçada
Mais uma vez, a programação contou com o reforço da equipe da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes). Em parceria com o município, foram oferecidos testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e da glicemia, vacinação, atendimentos médicos, odontológicos, nutricionais, fisioterapêuticos e psicológicos.
O operador de máquinas Suliekson Alves, de 38 anos, procurou o serviço de fisioterapia. Ele soube pelo rádio que o atendimento estaria disponível no Projeto Cidadão e foi avaliar a recuperação do pulso, fraturado após uma queda de uma caminhonete em movimento. Ao deixar a consulta, disse ter recebido boas notícias.
“Rapaz, isso aqui é um projeto que ajuda muito as pessoas que não têm condição financeira pra procurar um atendimento em outro município ou até mesmo pra se deslocar até outra cidade, sem saber se vai ser atendido. Através desse projeto aqui, muitas pessoas estão sendo beneficiadas”, afirmou Suliekson.

Projeto Cidadão no combate à violência de gênero
A Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) participou do Projeto Cidadão com o programa Conscientização pela Paz no Lar. A equipe realizou palestras sobre prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar para mais de 200 estudantes do 1º ano do ensino médio.
As atividades ocorreram na Escola Dom Júlio Mattioli e teve como objetivo promover uma reflexão entre alunas e alunos sobre a violência contra a mulher. As palestras pretendem contribuir para a formação desses adolescentes, os tornar capazes de dialogar sobre o tema, identificar e denunciar situações de violência doméstica.
Como forma de estímulo para conhecer mais acerca do assunto, os jovens foram incentivados a redigir um texto dissertativo-argumentativo. As melhores produções participam de um concurso de redação. Os vencedores de cada escola ganham um computador doado peo Tribunal de Justiça.




E não para por aí…
A programação termina com o casamento coletivo. A cerimônia ocorre nesta quarta-feira, 23, às 17h, na quadra poliesportiva da Escola Professor Messias Rodrigues de Souza. A celebração da união dos 100 casais será conduzida pelo juiz da Vara Cível de Sena Madureira, Caique Cirano.
Parceria
Esta edição do Projeto Cidadão contou com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).
Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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