POLÍTICA
Deputados suspendem sessão para receber servidores da Saúde que cobram conclusão do PCCR
POLÍTICA
Durante a reunião realizada após a suspensão da sessão desta terça-feira (18), representantes dos trabalhadores da Saúde expuseram aos parlamentares a frustração com a mudança constante dos prazos estabelecidos pela gestão estadual para conclusão do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR). Eles afirmaram que, há pelo menos dois anos, vêm participando de reuniões, estudos e negociações, e que a categoria não aceita esperar até 31 de dezembro para que o documento esteja finalmente finalizado.
“A luta pelo PCCR não começou agora. Nós enfrentamos um processo extenso, com contratação de empresa especializada, estudos de impacto e inúmeras discussões. E mesmo com tudo isso, os prazos foram sendo atropelados”, disseram os representantes, lembrando que a gestão havia informado, em 28 de junho, que o prazo final seria 30 de setembro. “Na época, pedimos um prazo mais curto, mas fomos informados de que essa data seria definitiva”, disse um representante dos trabalhadores.
Os trabalhadores relataram surpresa ao serem comunicados, no final de outubro, de que o prazo havia sido alterado unilateralmente. “No dia 28 de outubro, em uma reunião chamada pelos próprios sindicalistas, recebemos a informação de que o novo prazo seria 31 de dezembro. E isso sem nenhum comunicado oficial sobre o descumprimento do prazo anterior. Que tipo de negociação é essa em que não se cumpre o que foi acordado e nem se avisa?”, questionaram.
Segundo os servidores, a mudança compromete toda a estratégia da categoria, já que o PCCR precisa estar concluído antes da eventual abertura de brecha fiscal. “Se houver brecha no final do quadrimestre, nós precisamos do plano pronto. Não adianta dizer que estará finalizado no dia 31 de dezembro, que é feriado, quando a Aleac já estará em recesso. A categoria não tem como aceitar essa data”, pontuou o representante.
Eles reforçaram que o compromisso firmado em mesa de negociação foi 30 de setembro e que esperam que esse acordo seja respeitado. “Essa nova data extrapola qualquer expectativa razoável. Queremos o PCCR apto para votação, e isso exige que venha antes de 31 de dezembro. A categoria não irá recuar desse ponto.”
A presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Ilnara Cavalcante, também se pronunciou e elevou o tom das críticas, afirmando que a categoria está cansada de negociações vazias e promessas não cumpridas. Ela destacou que, mesmo após um ano e meio de reuniões e a contratação de uma empresa que custou R$ 1,5 milhão ao governo, os trabalhadores continuam sem retorno efetivo.
“Eu me manifesto como servidora pública e trabalhadora indignada com a forma como o governo conduz algo que deveria ser prioridade. Gastaram um milhão e meio para contratar uma empresa, disseram que era histórico, mas onde está o produto? Onde está o resultado? É justo que a má gestão recaia sobre o trabalhador? É justo ver pessoas com quase 70 anos esperando essa reformulação para conseguir se aposentar? Nós fazemos 12 e 24 horas de plantão porque precisamos, não porque queremos, e ganhamos o mesmo salário há anos. Que democracia é essa em que somos censurados ao exercer nossos direitos constitucionais, como ocorreu com a liminar que tentou barrar nosso manifesto? Quero chamar atenção dos meus colegas: ano que vem é ano de eleição. Cadê os deputados que vocês votaram? Cadê o governador que vocês elegeram? Eles simplesmente não se importam”, afirmou.
Deputados reforçam cobrança por transparência e defendem entrega imediata do PCCR da Saúde
O deputado Adailton Cruz (PSB) afirmou que o plano já está pronto e que não há razão para o governo adiar a entrega do documento à categoria. Segundo ele, a etapa referente ao limite fiscal será analisada apenas em janeiro, enquanto a liberação do texto é uma obrigação imediata. “O que a gente quer é que o plano seja entregue para que possamos analisar e acompanhar. O limite fiscal é outra etapa, a análise só sai em janeiro. Eu reitero o pedido para que a equipe do governo volte a esta Casa e trate o assunto com respeito. Se não houver entrega, tomaremos outros encaminhamentos. Nosso advogado já solicitou audiência judicial para buscar conciliação, porque, se não quiserem entregar por bem, vai ter que ser por decisão judicial. E nos dias 16 e 17 de dezembro é dia de todo mundo acampar aqui.”
A deputada Michelle Melo (PDT) reforçou que o PCCR foi construído com participação intensa dos servidores, dirigentes e especialistas, e detalhou o atual estágio do documento. “Esse plano foi construído dentro da Secretaria de Saúde, com apoio da Fundação Dom Cabral, e vocês não abandonaram o front em momento algum. Obtive a informação de que o PCCR está na Procuradoria Geral do Estado para revisão de texto, que o impacto financeiro já foi feito e que as tratativas na Sesacre foram concluídas. O plano existe, o impacto existe, e o que falta é transparência. Sugiro que o governo faça nesta Casa o mesmo procedimento adotado com o orçamento: apresente publicamente o plano, ponto a ponto, para que ninguém seja pego de surpresa. A equipe do governo precisa vir até aqui e mostrar o documento que está em posse da Procuradoria.”
O líder do governo na Aleac, deputado Manoel Moraes (PP), afirmou que buscará esclarecimentos junto à equipe do Executivo e destacou o esforço da Assembleia para garantir que os trabalhadores fossem recebidos. “Quero esclarecer algumas coisas. A convocação do secretário não poderia ser votada no dia em que foi apresentada. Hoje nem havia deputados suficientes para abrir a sessão, e mesmo assim fizemos o esforço para que vocês fossem ouvidos. Eu mesmo só comecei a acompanhar esse plano com mais seriedade a partir de setembro, quando não veio a data prometida. Hoje vou procurar a equipe do governo para que expliquem o que está acontecendo. Isso é trabalho de governo e deve ser transparente. Estamos preocupados e queremos que vocês tenham uma posição clara. Temos um grupo de deputados sério e comprometido. Tudo vai ajudar e vai dar certo para vocês.”
Texto: Andressa Oliveira
Fotos: Sérgio Vale












Fonte: Assembleia Legislativa do AC
POLÍTICA
Audiência pública debate diretrizes para elaboração do Orçamento do Estado de 2027
A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou, nesta quinta-feira (9), audiência pública para discutir o Projeto de Lei nº 84/2026, que estabelece a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício financeiro de 2027. O debate reuniu parlamentares, representantes de órgãos públicos, entidades da sociedade civil e demais interessados para analisar as prioridades que irão orientar a elaboração do orçamento estadual para o próximo ano.
A audiência foi realizada em atendimento ao Requerimento nº 51/2026, de autoria do deputado Afonso Fernandes (União Brasil), relator da matéria, com o objetivo de ampliar a participação da sociedade na discussão do projeto antes de sua apreciação pelo Poder Legislativo.
Encaminhado pelo Poder Executivo, o projeto estabelece as diretrizes para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), fixa metas e prioridades da administração estadual, disciplina aspectos relacionados à responsabilidade fiscal, à organização do orçamento e à execução financeira, além de definir parâmetros para a aplicação dos recursos públicos em áreas estratégicas ao longo de 2027. Conforme a mensagem governamental, o texto busca assegurar a continuidade das políticas públicas, a estabilidade institucional e o equilíbrio das contas públicas, em consonância com a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Plano Plurianual (PPA) 2024-2027.
Entre as prioridades previstas estão ações voltadas ao desenvolvimento humano, infraestrutura, produção sustentável, meio ambiente, povos indígenas, cultura, turismo, inovação, empreendedorismo e fortalecimento da gestão pública. O projeto também reforça mecanismos de transparência, monitoramento e avaliação das políticas públicas, além da integração do planejamento estadual aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Ao abrir a audiência, o presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, deputado Afonso Fernandes, destacou a importância da discussão das diretrizes orçamentárias como etapa fundamental do planejamento das ações do Estado. O parlamentar explicou que o orçamento público é estruturado por meio de instrumentos como o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual, ressaltando que a audiência pública amplia a participação da sociedade na definição das prioridades que irão orientar a gestão estadual no próximo exercício.
Em sua fala, Cristovam Pontes, chefe da Casa Civil, ressaltou que a audiência pública representa mais do que o cumprimento de uma exigência legal, sendo um espaço de diálogo entre o governo e a sociedade para a construção da LDO. Afirmou ainda que o principal objetivo do encontro é ouvir as demandas, preocupações, sugestões e contribuições da população, reforçando que a elaboração do orçamento deve ocorrer de forma transparente e participativa. Segundo ele, o governo reconhece o papel da Aleac como espaço legítimo para esse debate e, por isso, mobilizou secretários, presidentes de órgãos e equipes técnicas para acompanhar a audiência, demonstrando o compromisso da gestão com o diálogo, a transparência e a construção coletiva das prioridades que irão orientar a LDO e, posteriormente, a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Valmir Ribeiro, conselheiro representante do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), chamou atenção para os desafios fiscais enfrentados pelo Acre e defendeu o fortalecimento da fiscalização tributária como forma de aprimorar a arrecadação estadual. Segundo ele, a falta de reposição de profissionais na área fazendária, há mais de 16 anos, tem limitado a capacidade de auditoria e comprometido a recuperação de receitas já previstas na legislação. O conselheiro também ressaltou a importância de ampliar os investimentos em inovação tecnológica para elevar a produtividade de setores estratégicos da economia acreana, sugerindo que parte das emendas parlamentares seja destinada ao incentivo à pesquisa, à qualificação técnica e ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Secretário da Fazenda apresenta balanço fiscal de 2025 e destaca resultados do primeiro quadrimestre
Durante a audiência pública, o secretário de Estado da Fazenda, Amarísio Freitas, apresentou aos deputados estaduais o relatório de avaliação das metas fiscais referentes ao primeiro quadrimestre de 2025, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ele destacou que a prestação de contas é uma obrigação legal e um importante instrumento de transparência, permitindo que parlamentares e sociedade acompanhem a arrecadação, os gastos públicos e o cumprimento das metas estabelecidas pelo Estado. “O Parlamento, nos últimos anos, tem trazido esse debate para o público”, afirmou.
Amarísio explicou que o relatório reúne informações consolidadas da execução orçamentária entre 1º de janeiro e 30 de abril, servindo de referência para o acompanhamento das finanças estaduais e para subsidiar a elaboração das diretrizes orçamentárias. Entre os dados apresentados, informou que o Tesouro Estadual arrecadou aproximadamente R$ 3,2 bilhões no primeiro quadrimestre, enquanto a arrecadação total, incluindo operações de crédito, convênios e emendas federais, alcançou cerca de R$ 4,5 bilhões. No mesmo período, as despesas pagas somaram R$ 3,4 bilhões.
O gestor também apresentou os resultados primário e nominal, destacando que ambos permanecem acima das metas previstas na legislação. Ao detalhar a execução orçamentária dos Poderes, informou que, até abril, as despesas empenhadas totalizavam aproximadamente R$ 4,9 bilhões, considerando Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública. Segundo ele, parte dos órgãos já registrava elevado percentual de execução orçamentária, reflexo do planejamento financeiro realizado no início do exercício.
Secretário de Planejamento detalha estrutura e prioridades da LDO para 2027
Ao apresentar a proposta, o secretário de Estado de Planejamento, Ricardo Brandão, explicou que a LDO funciona como o instrumento que orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual, prevista para ser encaminhada à Assembleia Legislativa em setembro. Segundo ele, o texto reúne as normas que irão direcionar a definição das despesas, receitas e prioridades da administração pública no próximo exercício financeiro.
Durante a explanação, Brandão destacou que o planejamento estadual passou a incorporar, desde 2023, a Agenda Acre 10 Anos, instrumento de longo prazo que antecede o Plano Plurianual. De acordo com o secretário, o PPA 2024-2027 foi construído a partir desse planejamento estratégico e de consultas realizadas nos 22 municípios acreanos, servindo como referência para a elaboração das diretrizes orçamentárias e, posteriormente, da Lei Orçamentária Anual.
O titular da pasta apresentou ainda as áreas estratégicas que nortearão a atuação do governo em 2027: desenvolvimento humano; produção, meio ambiente e povos indígenas; infraestrutura; cultura e turismo; ambiente de negócios, empreendedorismo e inovação; e gestão institucional e governança. Conforme explicou, esses eixos concentram os principais programas e investimentos previstos para o Estado.
Outro aspecto destacado foi a necessidade de prever mecanismos capazes de responder às oscilações econômicas ao longo do exercício financeiro. Segundo Ricardo Brandão, o projeto estabelece regras para adequação das receitas e despesas diante de variações na arrecadação, alterações na estrutura administrativa, impactos decorrentes da reforma tributária e situações excepcionais, como eventos climáticos que possam demandar recursos adicionais.
O secretário também ressaltou que o texto preserva a prioridade dos chamados orçamentos temáticos, voltados às políticas públicas para crianças e adolescentes, igualdade de gênero, mudanças climáticas e igualdade étnico-racial. Conforme explicou, esses programas possuem tratamento prioritário na distribuição das dotações, garantindo a continuidade das ações e o acompanhamento permanente de sua execução.
Ao tratar das emendas parlamentares, Ricardo Brandão informou que permanece o percentual de 6,8% da receita corrente líquida efetivamente arrecadada no exercício anterior como base para sua definição. Também destacou que o projeto mantém mecanismos de transparência, incluindo a divulgação da metodologia utilizada para o cálculo das receitas que servirão de referência às emendas individuais dos parlamentares.
A audiência contou com a participação de parlamentares, representantes dos Poderes e de órgãos da administração estadual. Compuseram a mesa dos trabalhos o presidente da Comissão de Orçamento e Finanças da Aleac, deputado Afonso Fernandes; o secretário de Estado de Governo, Luiz Calixto, representando a governadora Mailza Assis; o juiz de Direito auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça do Acre, Giordane Dourado, representando o desembargador Laudivon Nogueira; os secretários de Estado da Fazenda, Amarísio Freitas, de Administração, Paulo Roberto, e de Planejamento, Ricardo Brandão; a defensora pública-geral do Estado, Juliana Marques Cordeiro; o representante da Casa Civil, Cristóvam Moura; e o promotor de Justiça Sammy Barbosa Lopes, representando o Ministério Público do Estado, os parlamentares, além de representantes de instituições públicas e da sociedade civil.
Texto: Andressa Oliveira e Mircléia Magalhães
Fotos: Sérgio Vale













Fonte: Assembleia Legislativa do AC
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