AGRONEGÓCIO
Jalles Machado encerra safra 2025/26 com aumento de área, mas queda na moagem de cana-de-açúcar
AGRONEGÓCIO
Moagem da safra 2025/26 é finalizada em três unidades
A Jalles Machado anunciou o encerramento da moagem da safra 2025/26 em suas três unidades industriais: Jalles Machado (UJM), Otávio Lage (UOL) e Santa Vitória (USV). De acordo com fato relevante divulgado pela companhia na noite de segunda-feira (18), a área colhida registrou aumento de 3,4%, totalizando 94,8 mil hectares, mas o volume de cana-de-açúcar processado apresentou retração devido à menor produtividade agrícola.
Redução no volume processado e queda de produtividade
Durante a safra 2025/26, a empresa processou 7,08 milhões de toneladas de cana, o que representa uma redução de 10,1% frente às 7,87 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.
A produtividade média (TCH) caiu 11,8%, passando de 84,5 t/ha para 74,5 t/ha. Segundo a companhia, a queda é resultado das chuvas abaixo da média nos meses de fevereiro e março, período crucial para o desenvolvimento da cultura, com impacto mais severo do que o previsto nas revisões de safra.
Cultivo orgânico sofre com matocompetição
Na unidade Jalles Machado, foram observados maiores níveis de matocompetição nas áreas destinadas ao cultivo orgânico, o que contribuiu adicionalmente para a redução da produtividade nessas lavouras. Essa condição reforçou os desafios enfrentados pela empresa ao longo do ciclo, principalmente em Goiás e Minas Gerais.
Mix de produção ajustado à variação de preços
O mix de produção da safra 2025/26 foi composto por 53,6% de etanol e 46,4% de açúcar, enquanto na safra anterior a proporção era de 55,7% e 44,3%, respectivamente.
Segundo a Jalles Machado, a alteração se deve à dinâmica de preços entre etanol e açúcar durante a safra. À medida que a paridade passou a favorecer o etanol, a empresa realocou parte da produção nas unidades de Goiás para maximizar a geração de valor.
Açúcar VHP registra aumento e consolida operação em Santa Vitória
A produção total de açúcar somou 436,6 mil toneladas, uma queda de 5,3% em relação à safra passada, impactada pelo déficit hídrico. Dentro desse total, o açúcar orgânico respondeu por 78,4 mil toneladas, volume inferior ao do ciclo anterior, reflexo da maior competição com plantas daninhas nas áreas orgânicas.
Em contrapartida, a produção de açúcar VHP atingiu 135,1 mil toneladas, um crescimento expressivo que demonstra o pleno funcionamento da fábrica de VHP da unidade Santa Vitória, em sua primeira safra completa operando em ritmo normalizado.
Companhia mantém foco em eficiência e expansão
Mesmo diante de condições climáticas adversas nas regiões produtoras de Goiás e Minas Gerais, a Jalles Machado reforçou o compromisso com seu plano de expansão da capacidade de moagem e com o fortalecimento do manejo agronômico.
A empresa destacou ainda a rigorosa disciplina no controle de custos operacionais e o foco em ganhos de eficiência e produtividade para as próximas safras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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