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Custos de produção do leite no RS registram deflação em outubro e aliviam produtores

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Os custos de produção do leite cru no Rio Grande do Sul voltaram a cair em outubro, encerrando o mês com deflação de 0,95%, segundo o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC), divulgado pela equipe econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) nesta quarta-feira (3).

Queda dos insumos alivia parte dos custos

A redução dos principais insumos da cesta que compõe o ILC foi determinante para o resultado. Os preços da soja e do milho recuaram no mês, acompanhados por quedas de 0,5% na silagem e 0,6% no concentrado — itens que representam uma fatia importante na alimentação do rebanho.

O destaque, porém, foi a redução de 4% nos fertilizantes, impulsionada pela queda nas cotações internacionais do petróleo, o que reduziu os custos de importação desses produtos. A energia elétrica também apresentou leve retração, de 0,03%, encerrando uma sequência de sete meses consecutivos de alta.

Combustíveis registram alta, mas não alteram o cenário deflacionário

Na direção oposta, os combustíveis subiram 1,7%, refletindo o recente reajuste nos preços da gasolina. Mesmo assim, a alta não foi suficiente para reverter o movimento de queda geral do índice no período.

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No acumulado de 2025, o ILC apresenta deflação de 4,2%, resultado que acompanha o Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna (IPA-DI), da Fundação Getulio Vargas (FGV), que mostra recuo de 3,53% no mesmo intervalo. Essa correlação indica um arrefecimento consistente nos preços ao produtor e nos custos dos insumos agropecuários.

Nos últimos 12 meses, o indicador registra variação acumulada de 2,05%.

Itens com maiores reduções e pressões de alta

A decomposição da cesta de insumos mostra quedas expressivas em componentes-chave da estrutura de custos, com destaque para:

  • Fertilizantes: -1,5%
  • Silagem: -9,5%
  • Concentrado: -6,4%

Por outro lado, alguns itens mantêm pressões altistas, como o sal mineral, com alta de 10,5%, e a energia elétrica, que acumula 26,7% nos últimos 12 meses.

Essas variações explicam a tendência de moderação inflacionária no setor, com possibilidade de novas leituras negativas no acumulado de 12 meses a partir de novembro.

Margens do produtor seguem comprimidas

Apesar da queda nos custos, o cenário ainda é desafiador para o produtor de leite. Os preços recebidos pela produção vêm caindo em ritmo mais acelerado do que o recuo dos insumos, o que reduz as margens de rentabilidade e limita a percepção de alívio financeiro no curto prazo.

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Para novembro, as projeções indicam uma possível recuperação dos preços do milho e da soja, o que pode pressionar novamente o componente de alimentação animal no próximo relatório. Em contrapartida, a desvalorização recente do dólar e a queda nas cotações internacionais do petróleo devem continuar favorecendo os custos de fertilizantes e combustíveis, contribuindo para um cenário de estabilidade nos custos totais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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