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Aleac realiza audiência pública para discutir o Projeto de Lei Orçamentária de 2026

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A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) realizou nesta quinta-feira (11), uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei nº 150/2025, que estima a receita e fixa a despesa do Estado para o exercício financeiro de 2026. A Lei Orçamentária Anual (LOA) é um instrumento legal de planejamento que estabelece o orçamento público estadual para o ano seguinte. A lei permite o planejamento e a execução das políticas públicas, além de garantir a transparência e o controle dos gastos governamentais.

A reunião ocorreu no plenário do Poder Legislativo e foi aberta ao público, marcando mais uma etapa do processo de transparência e participação social na construção do orçamento estadual. A audiência foi proposta pelo relator da matéria e presidente da Comissão de Orçamento e Finanças (COF), deputado Tadeu Hassem (Republicanos), por meio do Requerimento nº 134/2025, e teve como objetivo ampliar o diálogo entre Parlamento, sociedade civil, setores produtivos, instituições públicas e demais interessados sobre a distribuição dos recursos e prioridades do governo para o próximo ano.

Durante o encontro, foram apresentados os parâmetros utilizados para a elaboração do orçamento, bem como projeções de arrecadação, áreas prioritárias para aplicação dos recursos, limites legais de despesas e o impacto das políticas públicas planejadas pelo Executivo. Representantes do governo, especialistas e entidades convidadas também deverão expor análises e sugestões.

Elaborado pelo Poder Executivo, seguindo as normas estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), em acordo com o Plano Plurianual (PPA) e a Agenda Acre 10 Anos, o projeto é resultado do trabalho técnico realizado pelas secretarias de Estado de Planejamento (Seplan) e da Fazenda (Sefaz), em conjunto com os órgãos da administração direta e indireta do Estado Acre.

Os números projetados para o exercício de 2026 tiveram um aumento de 13,63%, comparados com os de 2025, somando mais de R$ 13,8 bilhões, sendo estes R$ 9,3 bilhões em recursos próprios e R$ 4,4 bilhões provenientes das demais fontes de recursos, em conformidade com as leis e normas que disciplinam a matéria orçamentária.

Em sua fala, o relator da proposta, deputado Tadeu Hassem destacou a importância do momento, considerado por ele um dos mais relevantes do ano na Assembleia Legislativa. “Aqui é a Casa do Povo, onde todos os poderes estão representados. Cumprimos a Constituição Estadual, a Constituição Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal, promovendo um debate amplo e responsável’, afirmou. Tadeu explicou a dinâmica da audiência, com falas das autoridades da mesa, apresentação do secretário de Planejamento, Ricardo Brandão, e a participação de associações, sindicatos e servidores e dos demais parlamentares.

Representando a Secretaria de Estado de Fazenda, Clóvis Monteiro destacou a relevância do debate sobre a peça orçamentária, considerada por ele o instrumento mais importante apresentado pelo Estado à população. Explicou ainda que o orçamento define não apenas quanto o Estado espera arrecadar, mas também como esses recursos serão aplicados. O secretário também lembrou que, embora seja uma peça técnica, o orçamento também carrega decisões políticas que refletem as prioridades da gestão. “A construção orçamentária é coletiva, envolve técnica, diálogo e responsabilidade com os recursos da população’, afirmou”.

O procurador Cristóvão Moura, da Casa Civil, reafirmou o compromisso da gestão com o diálogo transparente e a participação institucional. Ele ressaltou que a presença maciça da equipe de governo demonstra o prestígio e o respeito contínuo do Executivo pelo debate público. Cristóvão enfatizou também que a Casa Civil, sob a condução do secretário Jonathan Donadoni e do secretário de Governo Luiz Calixto, tem mantido as portas abertas para um diálogo franco, empático e voltado à construção de soluções conjuntas. “Este é o espaço próprio para ouvir e construir caminhos que atendam ao bem comum do povo acreano’, concluiu”.

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Gustavo Maia, representando no encontro a presidência do Tribunal de Contas do Estado, reforçou que o Tribunal, além de fiscalizar, atua também como órgão orientador, sempre disponível para dialogar e auxiliar gestores e representantes que buscam esclarecimentos técnicos. “O orçamento é um interesse de todos, cada instituição tem suas demandas, e o TCE está aqui para colaborar com o Legislativo e com o Estado”, afirmou, agradecendo a oportunidade de participação em nome da instituição.

Representando a Defensoria Pública do Estado, o Dr. Celso Araújo lembrou que, graças à ampliação do orçamento da Defensoria nos últimos anos, a instituição conseguiu expandir significativamente seus serviços, ultrapassando a marca de 205 mil atendimentos em 2024, com expectativa de fechar o ano com 220 mil. “Quem ganha com esse debate é a sociedade’, afirmou, enfatizando que o trabalho conjunto entre Executivo, Legislativo, Defensoria e comunidade tem sido essencial para alcançar resultados concretos.

Dr. Celso Jerônimo, do Ministério Público do Estado, destacou a relevância de trazer para dentro da Assembleia todos os representantes da sociedade, reforçando que o destinatário final das políticas públicas e, consequentemente, do orçamento é o povo acreano. ‘”Esse espaço de diálogo é fundamental’, afirmou, elogiando a iniciativa do Parlamento e alinhando-se às palavras da procuradora-geral do Estado sobre a importância do debate democrático.

Em seguida, Dr. José Carlos Júnior, do Tribunal de Justiça do Acre, falou da importância da participação do Poder Judiciário no debate sobre a Lei Orçamentária de 2026. “O Judiciário está em constante evolução, especialmente com as ações de transformação digital, e todo avanço exige recursos’, afirmou. Ele destacou que a discussão orçamentária é essencial para garantir o funcionamento e o aprimoramento dos serviços prestados pelo Judiciário, reforçando a parceria com o coronel Ricardo e o compromisso com uma construção conjunta e responsável”.

Ao fazer uso da palavra, a procuradora-geral do Estado, Dra. Janete Melo, destacou o papel do coronel Ricardo Brandão na apresentação da peça orçamentária. “O Estado tem elaborado sua proposta com diálogo, ouvindo todos os atores que fazem a política pública acontecer”, afirmou. A procuradora também enfatizou que o momento é um instrumento legítimo de democracia, no qual o Executivo apresenta sua proposição e, ao mesmo tempo, ouve sindicatos, associações e representantes da população. Para ela, a iniciativa do Legislativo reforça o compromisso com a legalidade e com uma gestão pública responsável. ‘Que seja uma sessão profícua, com debates sérios e voltados para a boa administração pública’, concluiu”.

Representantes de sindicatos e associações também tiveram seu momento de fala. A aposentada da Educação por exemplo, professora Sheila, representando no encontro o Movimento Cabeça Branca, fez um apelo emocionado, cobrando uma solução para o que classificou como uma injustiça cometida contra os servidores aposentados do Estado. Ela lembrou que o grupo luta há três anos por uma correção salarial e que, apesar de algumas manifestações de apoio dentro da Assembleia, o retorno efetivo não veio. Sheila relatou as dificuldades enfrentadas por muitos aposentados, que têm parte significativa de seus salários comprometida por descontos financeiros e já não conseguem arcar com medicações essenciais, algumas chegando a custar até R$ 11 mil no caso de doenças como fibromialgia. ‘Vivemos um tempo difícil; há colegas adoecendo e até falecendo por falta de condição de comprar remédio’, denunciou, pedindo sensibilidade e ação urgente do Estado”, relatou.

Secretário Ricardo Brandão detalha crescimento econômico do Acre e projeções da LOA 2026

Durante sua explanação, o secretário de Planejamento, Ricardo Brandão, apresentou um panorama econômico considerado histórico para o Acre, destacando indicadores que demonstram expansão produtiva, fortalecimento fiscal e melhoria em áreas sensíveis, como segurança e emprego. O gestor ressaltou que, segundo o IBGE, o Acre registrou crescimento de 14,7% no PIB de 2023, índice cinco vezes superior ao da média da Região Norte, além de atingir renda per capita de R$ 31.676, assumindo a 17ª posição no ranking nacional. Ele também apresentou dados sobre o aumento de 11% no valor bruto da produção agrícola entre 2023 e 2024, incremento das exportações de US$ 46 milhões para US$ 91 milhões e queda da taxa de desemprego de 18% (2021) para 7,4% (2025). Brandão enfatizou que esse avanço ocorreu simultaneamente à redução de 27,6% do desmatamento, reforçando a estratégia governamental de conciliar produção com preservação.

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Ricardo Brandão ainda destacou que o Acre ocupa hoje a 2ª posição nacional no equilíbrio de gênero no serviço público, além de ter saído da 27ª para a 8ª posição no ranking de criminalidade, impulsionado pela integração das forças de segurança. Também citou que o estado está em 3º lugar na taxa de crescimento econômico nacional e em 4º lugar no indicador de resultado primário, segundo o ranking de competitividade do CLP. Após a prestação de contas, o secretário iniciou a apresentação dos números da Lei Orçamentária Anual (LOA) 2026, construída com base nas projeções do Ministério do Planejamento e da Secretaria do Tesouro Nacional, que estimam para o próximo ano crescimento de 2,44% do PIB, IPCA de 3,6%, INPC de 3,28% e câmbio médio de R$ 5,76. Com essas referências, o governo projetou receita do Tesouro de R$ 11,18 bilhões, sendo FPE (R$ 8,008 bi), ICMS (R$ 2,228 bi), IPI (R$ 1,789 bi), IPVA (R$ 145 milhões) e imposto de renda (R$ 792 milhões), este último, com estimativa de queda de até R$ 50 milhões em razão da nova política federal de isenção para salários até R$ 5 mil.

Ao detalhar a distribuição das despesas, Brandão explicou que, após os ajustes legais, o Acre terá R$ 9,33 bilhões disponíveis para despesas constitucionais, obrigatórias e discricionárias, mantendo equilíbrio entre arrecadação e gastos, conforme determina a LDO 2025. Ele reforçou que projeções dessa magnitude exigem diálogo entre poderes e responsabilidade na definição de prioridades, uma vez que as demandas da sociedade nem sempre cabem integralmente no limite financeiro disponível. Ao final, o secretário agradeceu o apoio técnico da equipe da Seplan, representada pelo diretor Marques, pelas diretoras Débora e Regiane, e pelas servidoras Luilda e Dênis, reafirmando que os números apresentados refletem um esforço conjunto da gestão pública, da iniciativa privada e dos trabalhadores que impulsionam o desenvolvimento do estado.

O deputado Tadeu Hassem encerrou audiência pública afirmando que encontro “demonstra o compromisso do Governo do Estado com pautas essenciais da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Quero registrar meu reconhecimento ao secretário Ricardo Brandão e a toda a equipe, porque, como contador público, tenho grande apreço pelo tema orçamentário. Esta é a terceira audiência pública que conduzo e a primeira em que vejo a presença do governo até o fim, assim como de três sindicatos, o que merece ser destacado. E lembro que na próxima terça a Comissão de Orçamento debaterá o parecer final, com votação prevista para quarta-feira. Que Deus siga nos protegendo e agradeço a todos”.

Texto: Mircléia Magalhães e Andressa Oliveira

Agência Aleac

Fotos: Sérgio Vale

Fonte: Assembleia Legislativa do AC

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Audiência pública debate direitos de pacientes com lúpus e aperfeiçoamento da legislação estadual

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  A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou, nesta sexta-feira (29), uma audiência pública para discutir a aplicação da Lei nº 4.434/2024, que instituiu a campanha estadual de conscientização e orientação sobre o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). O debate reuniu representantes do Ministério Público (MPAC), de entidades ligadas à causa, a deputada federal Socorro Neri, profissionais de saúde, pacientes e familiares com o objetivo de avaliar avanços, desafios e possíveis aperfeiçoamentos na legislação voltada às pessoas diagnosticadas com a doença.

Proposta pelo deputado Tio Pablo  (União PP), a audiência buscou ampliar o diálogo entre o poder público e a sociedade civil sobre as políticas de atenção aos pacientes com lúpus. Entre os temas debatidos estiveram a importância do diagnóstico precoce, a ampliação do acesso ao tratamento especializado, a produção de dados oficiais sobre a incidência da enfermidade no Acre e o fortalecimento das ações de conscientização para reduzir a desinformação sobre a doença.

A legislação estadual prevê campanhas educativas permanentes para esclarecer sintomas, orientar pacientes e familiares, incentivar a busca por tratamento adequado e contribuir para a coleta de informações que auxiliem na formulação de políticas públicas. O encontro também abriu espaço para que pacientes, familiares e especialistas apresentassem sugestões visando aprimorar a efetividade da norma e ampliar a proteção das pessoas que convivem com o Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Tio Pablo destacou que a iniciativa surgiu após ouvir relatos de pacientes que enfrentam dificuldades para obter diagnóstico, tratamento e acesso a políticas públicas voltadas às doenças autoimunes. Segundo o parlamentar, o objetivo do encontro foi construir propostas concretas capazes de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, evitando que a discussão se limitasse apenas à exposição de problemas. “Se fosse para fazer uma audiência sem propósito, apenas para ouvir histórias sem apontar soluções, eu não aceitaria esse desafio. Nosso compromisso é buscar caminhos reais para quem convive com essas condições”, afirmou.

Ainda em seu pronunciamento, Pablo anunciou a apresentação de cinco propostas legislativas e indicações voltadas ao fortalecimento da assistência aos pacientes, além da elaboração de um projeto para criação de um centro de referência especializado em doenças autoimunes no Acre. O deputado também defendeu a construção de um termo de compromisso envolvendo órgãos públicos para garantir o acesso aos medicamentos de alto custo fornecidos pelo poder público. “Muitas famílias vivem com um salário mínimo e não têm condições de comprar remédios que chegam a custar dezenas de milhares de reais. Precisamos assegurar dignidade e acesso ao tratamento para essas pessoas”, destacou.

A representante da organização do evento, Marcelha, apresentou o projeto arquitetônico do futuro Centro de Referência para Doenças Autoimunes e Crônicas, proposta que busca concentrar em um único espaço serviços especializados voltados ao atendimento dos pacientes. Durante a exposição, ela agradeceu a colaboração voluntária do engenheiro Jairo Penha, responsável pela elaboração técnica do projeto, e destacou que a iniciativa nasceu da necessidade de oferecer respostas concretas às pessoas que convivem diariamente com doenças autoimunes. “Os pacientes precisam mais do que discursos. Precisam de acolhimento, tratamento adequado e acesso aos serviços necessários para garantir qualidade de vida”, afirmou.

Ao detalhar a proposta, Marcelha explicou que o centro foi concebido para reunir consultas médicas especializadas, acompanhamento multiprofissional, suporte psicológico, assistência social, acesso a medicamentos e atendimento humanizado em um único local. Segundo ela, atualmente o Brasil não possui uma unidade específica com esse modelo integrado voltado exclusivamente às doenças autoimunes e crônicas, o que coloca o Acre diante da possibilidade de se tornar pioneiro nessa área. “Mais do que uma estrutura física, esse projeto representa esperança para pessoas que durante anos permaneceram invisíveis dentro do sistema de saúde. É uma iniciativa que beneficia os pacientes e também fortalece a saúde pública como um todo”, destacou.

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Pacientes e familiares relatam desafios do diagnóstico, tratamento e acesso à saúde

Gabriele, paciente diagnosticada com lúpus aos 13 anos, compartilhou durante os desafios enfrentados por quem convive diariamente com a doença e defendeu a ampliação das políticas públicas voltadas aos portadores de enfermidades autoimunes. Em um relato marcado pela emoção, ela destacou os impactos físicos, emocionais e financeiros do tratamento, além das dificuldades para obter medicamentos e assistência adequada. “Viver com lúpus é como travar uma guerra contra o próprio corpo todos os dias. Tem remédios muito caros, alterações na saúde e no emocional, e muitas vezes as pessoas não conhecem a doença nem entendem o que passamos”, afirmou.

Representando familiares de pessoas diagnosticadas com lúpus, Regiane emocionou os participantes ao relatar os desafios enfrentados por quem acompanha de perto a rotina de um paciente com doença autoimune. Mãe de uma jovem acometida pela enfermidade, ela pediu mais sensibilidade das autoridades e destacou que o sofrimento vai além dos sintomas físicos, afetando também o emocional, a autoestima e a vida familiar. “Nós queremos que olhem para essas pessoas com humanidade. O lúpus vai muito além das dores e da perda de cabelo. É uma luta diária que impacta toda a família e exige compreensão, acolhimento e políticas públicas que garantam dignidade a quem convive com a doença”, afirmou.

Em um depoimento marcado por emoção, Manoel relatou a perda da esposa, que tinha lúpus e faleceu aos 24 anos, após enfrentar dificuldades para obter atendimento especializado e acesso ao tratamento adequado. Viúvo e pai de duas crianças, ele afirmou que decidiu compartilhar sua história para alertar sobre a realidade vivida por muitas famílias e defender melhorias no atendimento aos pacientes com doenças autoimunes. “Minha esposa passou dois anos nessa luta entre fundação, Pronto Socorro e consultas, sem conseguir o acompanhamento que precisava. Foram dois anos tentando uma consulta com reumatologista e nós não conseguimos. Se não fosse por esse descaso, hoje ela estaria viva aqui. Eu não consegui ajudá-la, mas posso ajudar outras famílias contando a nossa história”, declarou.

Diagnosticada com lúpus, Ingra compartilhou um relato sobre as dificuldades enfrentadas por quem convive com a doença, tanto no acesso ao tratamento quanto no ambiente de trabalho. A paciente contou que precisou abandonar a profissão de educadora física após o agravamento do quadro de saúde e relatou ter sofrido discriminação no exercício de suas atividades profissionais. Ingra também afirmou que sofreu um AVC isquêmico e que hoje convive com sequelas permanentes, além de enfrentar elevados custos para manter o tratamento. Segundo ela, os gastos com medicamentos, consultas e acompanhamento médico chegam a cerca de R$ 5 mil por mês. “O lúpus mudou completamente a minha vida. Além das limitações da doença, enfrento despesas muito altas para continuar o tratamento e manter minha saúde. Precisamos de mais assistência, mais informação e mais respeito com quem convive diariamente com essa realidade”, afirmou.

Autoridades defendem fortalecimento da rede de atendimento aos pacientes

O promotor de Justiça Walter Teixeira destacou a necessidade de união entre as instituições públicas para enfrentar os problemas relatados pelos pacientes e familiares durante a audiência. Representando o Ministério Público do Acre, ele afirmou que as dificuldades apresentadas evidenciam falhas em diversos setores do sistema público, desde a saúde até os órgãos responsáveis pela garantia de direitos, e defendeu uma atuação integrada em busca de soluções efetivas. “Nós não estamos aqui apenas para fazer discursos. Estamos aqui para resolver problemas. Quando ouvimos esses relatos, percebemos que existem falhas no sistema e todos nós temos responsabilidade nisso. Ministério Público, Poder Executivo, Poder Legislativo, Defensoria Pública e demais instituições precisam atuar em sintonia para garantir dignidade, acesso à saúde e respeito a essas pessoas”, afirmou.

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A deputada federal Socorro Neri afirmou que a audiência pública provocou uma profunda reflexão sobre a realidade enfrentada pelas pessoas diagnosticadas com lúpus e anunciou que a pauta passará a integrar as prioridades de seu mandato. Ao destacar o trabalho desenvolvido por Tio Pablo na defesa de causas coletivas, a parlamentar disse ter sido impactada pelos relatos apresentados durante o encontro e garantiu que a luta por mais direitos e assistência aos pacientes passará a receber atenção especial em Brasília. “Depois de ouvir cada um de vocês, essa causa passa a ocupar um lugar prioritário no nosso mandato. Estamos falando de pessoas que precisam de dignidade, acolhimento e acesso efetivo aos seus direitos”, declarou.

Durante o pronunciamento, Socorro destacou projetos em tramitação no Congresso Nacional voltados ao reconhecimento do lúpus como deficiência para fins legais, à inclusão da doença entre as patologias isentas de carência para concessão de benefícios previdenciários e à criação de uma carteira nacional de identificação para pacientes. A deputada também informou que sua equipe já trabalha na elaboração de novas propostas relacionadas à proteção laboral de pessoas acometidas por doenças autoimunes, incluindo medidas para garantir flexibilização da jornada de trabalho, possibilidade de teletrabalho e combate à discriminação no ambiente profissional. “Não podemos admitir que alguém que já enfrenta uma condição tão difícil ainda seja penalizado no mercado de trabalho por causa da sua doença”, ressaltou.

Ao final da fala, a parlamentar assumiu o compromisso de atuar diretamente na articulação institucional em defesa dos pacientes, colocando seu gabinete à disposição da associação que representa as pessoas com lúpus no Acre. Entre os encaminhamentos anunciados, Socorro propôs a construção de uma ação conjunta envolvendo Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Secretaria de Estado de Saúde, Fundação Hospitalar e Governo do Estado para buscar soluções coletivas relacionadas ao acesso a medicamentos, tratamentos e demais demandas apresentadas durante a audiência. “Precisamos reunir todos os atores responsáveis e construir respostas concretas para quem sofre hoje e para quem ainda enfrentará essas dificuldades no futuro. Essa luta não é apenas de vocês, é de todos nós”, afirmou.

Encerrando a audiência, Tio Pablo ressaltou que o encontro resultou em encaminhamentos concretos para fortalecer a assistência às pessoas com doenças autoimunes, entre eles a apresentação de cinco propostas legislativas, a construção de uma ação coletiva envolvendo instituições do sistema de justiça, o aperfeiçoamento dos fluxos de atendimento na rede pública de saúde e o compromisso de busca por recursos para a implantação do Centro de Referência para Doenças Autoimunes e Crônicas. O parlamentar também destacou a importância da mobilização dos pacientes e familiares na defesa da causa e relembrou a Lei nº 4.112, de sua autoria, que instituiu o uso do cordão de girassol para identificação de pessoas com condições ocultas, realizando a entrega simbólica de colares aos participantes. “Hoje saímos daqui com compromissos, propostas e a certeza de que essa luta continuará. Precisamos unir forças para garantir dignidade e atendimento adequado às pessoas com lúpus, fibromialgia, artrite, artrose e outras doenças que muitas vezes permanecem invisíveis para a sociedade”, afirmou.

Texto: Andressa Oliveira

Foto: Sérgio Vale e Hugo Costa

Fonte: Assembleia Legislativa do AC

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