AGRONEGÓCIO
Mercado do boi mantém estabilidade com exportações fortes e oferta elevada, aponta Itaú BBA
AGRONEGÓCIO
Boi gordo mantém estabilidade e margens da indústria crescem
De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado do boi gordo apresentou estabilidade entre o início de novembro e 12 de dezembro, com alta leve de 0,6%. Em São Paulo, a arroba foi negociada em média a R$ 320, refletindo equilíbrio entre oferta e demanda.
Enquanto isso, o preço da carcaça casada subiu 3,5% no período, ampliando as margens da indústria frigorífica. O spread de venda no mercado interno aumentou de 6% em outubro para 7,7% na parcial de dezembro, indicando maior rentabilidade para os frigoríficos.
Valorização do bezerro encarece reposição no campo
O relatório mostra que o bezerro segue em valorização, sendo negociado a cerca de R$ 3.060 por cabeça em Mato Grosso do Sul no dia 12 de dezembro. Essa alta piorou a relação de troca para os pecuaristas: atualmente, é possível repor 2,15 bezerros com a venda de um boi gordo, contra 2,60 há um ano — uma queda de 17% na capacidade de reposição.
Esse cenário pressiona os sistemas de recria e engorda, uma vez que o custo de aquisição de animais jovens tem subido em ritmo mais acelerado que o preço do boi gordo.
Oferta elevada impulsiona abates de fêmeas
Dados do IBGE apontam que, no 3º trimestre de 2025, o abate de fêmeas representou 46% do total, acima dos 40% registrados no mesmo período de 2024. No acumulado até setembro, o volume de abates aumentou 5,9%, enquanto a produção de carne cresceu 4%, reflexo do maior número de fêmeas abatidas e do consequente peso médio mais leve das carcaças.
A oferta elevada tem ajudado a conter avanços expressivos nas cotações, mesmo diante da firme demanda externa.
Exportações seguem em alta com forte demanda chinesa
As exportações de carne bovina in natura somaram 318 mil toneladas em novembro, um avanço de 38,6% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, o crescimento é de 18,9%. Apesar de uma leve queda de 0,5% no preço médio de embarque, o valor ainda ficou 13% acima do registrado há um ano.
A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras, com um aumento de 16% nas compras em relação a novembro do ano passado. Essa demanda tem sido crucial para sustentar os preços do boi gordo e evitar uma pressão maior causada pela ampla oferta interna.
Exportações à China serão chave para equilíbrio do mercado
Segundo o Itaú BBA, a manutenção dos embarques à China será determinante para o equilíbrio do mercado nos próximos meses. A decisão chinesa sobre a investigação de salvaguarda, adiada de novembro para janeiro de 2026, continua sendo um ponto de atenção, já que o Brasil é o maior fornecedor de carne bovina ao país asiático.
Enquanto isso, os contratos futuros do boi gordo permanecem estáveis. O preço médio da arroba projetado para 2026 é de R$ 333,10, representando alta de 6% frente à média de 2025.
Oferta deve continuar elevada no curto prazo
Os dados preliminares do Sistema de Inspeção Federal (SIF) indicam que a oferta de animais para abate seguiu firme em novembro, mantendo o ritmo dos meses anteriores. A expectativa é de maior disponibilidade de bois de pasto e de um período sazonal de descarte de fêmeas, o que tende a limitar altas expressivas nas cotações no curto prazo.
Ainda assim, a boa relação entre carne e boi para os frigoríficos pode abrir espaço para ajustes positivos pontuais nos preços.
Bezerro valorizado pressiona margens de confinamento
Mesmo com margens positivas projetadas para confinamentos, o encarecimento do boi magro tem se tornado um desafio para os pecuaristas. A escassez de animais de reposição e a valorização do bezerro devem continuar pressionando os custos da recria e engorda em 2026.
O Itaú BBA avalia que a oferta de bezerros tende a seguir restrita, o que pode favorecer a melhora das margens da cria e manter os preços firmes ao longo do próximo ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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