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Educação do Acre investe mais de R$ 14 milhões e leva manutenção escolar a áreas urbanas, rurais e indígenas

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Em dezembro e janeiro, período de recesso escolar, a Secretaria de Educação e Cultura do Acre (SEE) intensifica as ações de manutenção predial nas escolas da rede estadual para garantir um início de ano letivo mais seguro e acolhedor para estudantes e profissionais da pasta. O trabalho alcança tanto áreas urbanas quanto comunidades rurais e indígenas, inclusive regiões de difícil acesso.

As ações incluem recuperação estrutural, pintura, melhoria nas instalações elétricas e outras melhorias. Foto: cedida

Somente em dezembro de 2025, o governo investiu mais de R$ 14,2 milhões em serviços de manutenção predial, contemplando 42 unidades escolares de 12 municípios. Entre eles, Brasileia (2), Cruzeiro do Sul (2), Feijó (5), Manoel Urbano (1), Plácido de Castro (2), Porto Acre (2), Rio Branco (11), Rodrigues Alves (1), Santa Rosa do Purus (6), Sena Madureira (1), Tarauacá (5) e Xapuri (1).

As ações incluem recuperação estrutural, pintura, melhoria nas instalações elétricas e hidrossanitárias, adequações de cozinhas, banheiros, quadras esportivas, acessibilidade e sistemas de abastecimento de água.

Manutenção vai desde a pintura até a instalação de poços artesianos. Foto: cedida

De acordo com o secretário de Educação, Aberson Carvalho, o período de férias é estratégico para a execução das obras, pois permite intervenções mais amplas sem prejuízo ao calendário letivo. “Além das escolas já concluídas, outras unidades seguem em execução, demonstrando a continuidade do planejamento e o compromisso com a infraestrutura educacional em todo o estado”, disse.

Escolas de difícil acesso

Um dos grandes diferenciais do trabalho é o alcance das equipes técnicas, que chegam a localidades remotas, muitas vezes após longas viagens terrestres e fluviais. De acordo com a área técnica da SEE, em alguns casos os profissionais percorrem mais de oito horas de deslocamento, enfrentando lama, trechos alagados e rios.

No município de Santa Rosa do Purus, por exemplo, uma das regiões mais isoladas do estado, a Escola Indígena Sobral foi totalmente revitalizada. A ação, que garantiu mais dignidade e segurança para alunos e professores da comunidade, incluiu os serviços de manutenção em esquadrias, paredes, assoalhos e barrotes, recuperação da cobertura, guarda-corpos, cercamento em madeira e pintura geral, além de melhorias nas instalações hidrossanitárias e na estrutura do reservatório de água, com instalação de caixa d’água.

Escola Indígena Sobral, em Santa Rosa do Purus, é revitalizada durante o recesso escolar. Foto: cedida

Para o chefe da Divisão de Manutenção Predial da SEE, Marcos Venicio Holanda, o trabalho realizado durante as férias vai além das obras visíveis. “Muitas vezes estamos longe dos centros urbanos, enfrentando grandes desafios logísticos, mas o compromisso é o mesmo: fazer o Estado chegar onde a educação é mais necessária”, destaca.

Segundo o gestor, cada intervenção é planejada com critérios técnicos e responsabilidade no uso dos recursos públicos. “Cada visita gera diagnósticos, registros e acompanhamento rigoroso. Esse cuidado assegura que as ações tenham impacto real no dia a dia da comunidade escolar”, completa.

Fonte: Governo AC

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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre

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Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.

Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

Sapo de cor verde brilhante vive principalmente na selva amazônica do Acre. Foto: Cleiton Lopes/Secom

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.

“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Cacique Mõcha Noke Koî segura o animal demonstrando respeito. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.

“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

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Preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.

Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.

“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

Primeiro Festival Noke Koî – União dos Povos. Foto: Cleiton Lopes/Secom

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

Brincadeiras do Festival Noke Koî. Foto: Cleiton Lopes/Secom

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

Titular da Secretaria de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara destaca que a medicina tradicional está ligada à preservação das matas.  Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.

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Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.

“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Preservar o kambô, para os povos indígenas do Acre é manter viva uma sabedoria ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Povos indígenas do Acre contribuem para a preservação da floresta em pé. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.

Fonte: Governo AC

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