AGRONEGÓCIO
Bubalinocultura do RS cresce em mercado e organização técnica em 2025, aponta Ascribu
AGRONEGÓCIO
A bubalinocultura do Rio Grande do Sul encerra 2025 com avanços significativos em produção, mercado e organização institucional. Ao longo do ano, a Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu) promoveu e participou de diversas iniciativas que reforçaram a presença do búfalo gaúcho no mercado e ampliaram oportunidades para os criadores da região.
Leilões movimentam mercado e mostram aumento na demanda
Segundo Desireé Möller, presidente da Ascribu, o calendário de eventos e negócios confirma um ano positivo para a atividade. Destaque para os leilões de primavera, que se consolidaram como termômetro da crescente procura por animais.
O tradicional leilão anual de outubro, realizado em parceria com a Santa Úrsula Remates, registrou forte interesse do público, motivando a realização de um novo remate em dezembro.
“A busca pelos búfalos tem sido tão expressiva que acabamos repetindo o leilão no fim do ano, o que demonstra o momento favorável do setor”, afirma Desireé.
Novas marcas fortalecem presença da carne de búfalo no Estado
O mercado de carne bubalina também se expandiu em 2025. A chegada da Baby Buf Premium, de Rosário do Sul (RS), elevou para sete o número de marcas gaúchas voltadas à proteína de búfalo. O lançamento indica consolidação do produto junto ao consumidor e diversificação das estratégias comerciais da cadeia.
Qualificação técnica reforça padrão e valorização dos rebanhos
No âmbito institucional, a Ascribu investiu na capacitação técnica do setor. Em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e a Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), a entidade promoveu a seleção de novos técnicos de registro, habilitando seis profissionais no Rio Grande do Sul.
A iniciativa contribui para fortalecer a base técnica, padronizar os rebanhos e valorizar a produção bubalina no Estado.
Participação em grandes eventos amplia visibilidade do setor
A presença da bubalinocultura em importantes feiras e exposições do agronegócio também marcou o ano. Segundo Desireé, a participação em eventos como a Fenasul, a Expointer (em Esteio) e a Fearg (em Gravataí) ampliou o contato com público, investidores e demais segmentos do agro, reforçando o búfalo como alternativa produtiva e sustentável.
Perspectivas para o futuro da bubalinocultura gaúcha
Com o calendário intenso de eventos, novos produtos no mercado e avanços na organização técnica, a Ascribu encerra 2025 consolidando o setor. Para Desireé Möller, o conjunto de ações realizadas ao longo do ano fortalece a bubalinocultura gaúcha e cria bases sólidas para o crescimento contínuo da atividade nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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