AGRONEGÓCIO
Inpasa anuncia investimento de R$ 3,5 bilhões em novas usinas de etanol de milho em Mato Grosso
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A Inpasa, maior produtora de etanol de milho do Brasil, anunciou um novo ciclo de investimentos estimado em R$ 3,5 bilhões, marcando a fase mais agressiva de expansão desde sua fundação. O plano prevê a construção de uma usina em Rondonópolis (MT), um dos principais polos do agronegócio nacional, e a ampliação da unidade industrial em Nova Mutum (MT).
Esses aportes se somam a dois outros projetos já em andamento: uma nova usina em Luís Eduardo Magalhães (BA) e outra em Rio Verde (GO). Juntas, as quatro obras devem elevar em 50% a capacidade produtiva da empresa, alcançando 8,6 bilhões de litros de etanol por ano.
Investimentos impulsionam consolidação da Inpasa no setor de biocombustíveis
Com faturamento de R$ 14,9 bilhões em 2023, a Inpasa aposta na ampliação de sua presença no mercado de etanol e de coprodutos, como o DDGS (grãos secos de destilaria solúveis), utilizado na nutrição animal.
“É nossa expansão mais acelerada até agora. Mas estamos bem mais preparados”, destacou Éder Odvar Lopes, CEO da companhia e filho do fundador, José Odvar Lopes. Segundo ele, esse será o último grande ciclo de investimentos antes de uma etapa de consolidação.
Recursos próprios financiam nova fase de expansão
De acordo com o vice-presidente de trading da Inpasa, Gustavo Mariano, os novos investimentos serão totalmente financiados com recursos gerados pela própria companhia, sem necessidade de endividamento.
Nos últimos cinco anos, a empresa já aplicou R$ 13 bilhões em expansões industriais, construindo seis novas usinas e ampliando a unidade de Sinop (MT), atualmente a maior usina de etanol do mundo.
Atualmente, a Inpasa possui oito unidades em operação, com a nona — localizada em Luís Eduardo Magalhães (BA) — prevista para iniciar as atividades no início de 2026. A usina de Rondonópolis será a décima do grupo.
Nova usina em Rondonópolis terá capacidade para 1 bilhão de litros anuais
O investimento na nova planta de Rondonópolis está estimado em R$ 2,77 bilhões. A indústria será capaz de processar 2 milhões de toneladas de milho por ano, produzindo 1 bilhão de litros de etanol, 490 mil toneladas de DDGS e 47 mil toneladas de óleo anualmente.
A previsão é que a unidade comece a operar no primeiro trimestre de 2027. Segundo Lopes, a localização é estratégica, com abundância de milho na região e proximidade da Ferrovia Norte-Sul, o que reduz custos logísticos e as emissões de gases de escopo 3.
A nova usina já nascerá com dois módulos produtivos, cada um com capacidade de 480 milhões de litros de etanol anidro por ano.
Expansão de Nova Mutum adicionará 350 milhões de litros à produção
Na planta de Nova Mutum, que já opera com duas fases, a Inpasa investirá R$ 704 milhões para construir uma terceira fase. Essa expansão aumentará a capacidade de processamento em 1 milhão de toneladas de milho por ano, resultando em 350 milhões de litros adicionais de etanol e 183 mil toneladas de DDGS.
A nova fase deve entrar em operação em novembro de 2026, acompanhando o crescimento da produção de milho na região.
Abundância de biomassa e contratos sustentáveis
Para sustentar o novo ciclo de expansão, a Inpasa prepara um plano de aumento da oferta de biomassa, insumo essencial para abastecer as caldeiras de cogeração que movem suas usinas.
Segundo o CEO, Rondonópolis está em um “mar de biomassa”, o que reduz o risco de falta de matéria-prima. A companhia mantém contratos com produtores locais e plantios próprios de eucalipto, que devem atingir 40 mil hectares nesta safra.
DDGS da Inpasa domina exportações brasileiras
O vice-presidente Gustavo Mariano afirmou que a empresa não tem preocupações quanto à concorrência no mercado de DDGS, mesmo com o aumento da oferta no país.
Segundo ele, o produto da Inpasa é voltado a um mercado premium, com alto padrão de qualidade. Atualmente, a companhia exporta para 40 países e responde por 95% das exportações brasileiras de DDGS.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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