AGRONEGÓCIO
Brasil bate recorde de importação de fertilizantes em 2025 com avanço de produtos menos concentrados
AGRONEGÓCIO
O Brasil encerrou 2025 com recorde histórico nas importações de fertilizantes, impulsionado pela busca por alternativas mais baratas em meio ao cenário de custos elevados na produção agrícola. Segundo dados da StoneX, o país importou 44,96 milhões de toneladas no ano, um aumento de 2,9% em relação a 2024.
Apesar das margens reduzidas no campo e das relações de troca pouco atrativas, a demanda por adubos se manteve firme, demonstrando a resiliência do agronegócio brasileiro diante das oscilações do mercado internacional.
Produtores priorizam fertilizantes de menor concentração para reduzir custos
Com o objetivo de conter gastos, os produtores rurais mudaram o perfil de suas compras em 2025. Houve uma maior procura por fertilizantes de menor concentração de nutrientes, como o sulfato de amônio (SAM) e o superfosfato simples (SSP), em detrimento de produtos mais concentrados, como ureia e fosfato monoamônico (MAP).
De acordo com o levantamento, as importações de ureia caíram 7% no ano, enquanto as compras de SAM avançaram 28%. No grupo dos fosfatados, o MAP registrou queda de 25,7%, ao passo que as aquisições de SSP cresceram 22% e de NP, 31,7%.
Aumento de volume reflete necessidade maior de aplicação no solo
O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que os fertilizantes de menor concentração exigem maior quantidade de aplicação por hectare para atingir os mesmos níveis de nutrição das culturas.
“Ao optar por esses produtos, o agricultor precisa adquirir mais toneladas para manter o mesmo padrão de adubação, o que ajuda a explicar o crescimento do volume total importado”, destaca Pernías.
Essa mudança de estratégia resultou no fortalecimento da participação de SAM, SSP e NP no mercado nacional ao longo de 2025.
Mercado segue atento às incertezas para 2026
Para 2026, o grande desafio será entender se a tendência de priorização por produtos de menor concentração continuará. A decisão dependerá de fatores como disponibilidade global, preços, relações de troca e custo-benefício, sempre considerando a quantidade efetiva de nutrientes fornecida por cada tipo de fertilizante.
Pernías alerta que o cenário internacional ainda apresenta forte volatilidade, com potenciais impactos vindos da suspensão de exportações chinesas, negociações indianas instáveis, sanções comerciais e da proximidade do período de adubação nos Estados Unidos.
“O comprador brasileiro deve continuar atento às oportunidades do mercado global, buscando formas de reduzir custos e preservar a competitividade do agronegócio nacional”, conclui o analista.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preço do algodão recua no mercado interno com demanda enfraquecida; USDA projeta estoques globais menores
O mercado brasileiro de algodão encerrou mais uma semana sob pressão, refletindo o ritmo lento dos negócios e a retração da demanda da indústria têxtil. Com menor volume de negociações e compradores mais cautelosos, as cotações da pluma registraram novas quedas nas principais regiões produtoras do país.
De acordo com levantamento da Safras Consultoria, o enfraquecimento da demanda doméstica contribuiu para a redução dos preços tanto no mercado físico quanto nas indicações de compra para entrega futura.
Algodão registra queda nas principais praças de comercialização
Em Rondonópolis (MT), uma das principais referências do mercado nacional, a pluma foi negociada a R$ 3,97 por libra-peso, recuo de 1,23% em comparação com a semana anterior.
No mercado destinado à indústria, o interesse permaneceu concentrado em contratos de curto prazo. As indicações de compra para algodão colocado no CIF de São Paulo ficaram em torno de R$ 4,14 por libra-peso, queda de 2,36% frente aos R$ 4,24 por libra-peso observados na semana anterior.
Segundo analistas, a combinação entre demanda moderada e postura cautelosa dos compradores segue limitando uma recuperação mais consistente dos preços no mercado interno.
USDA mantém projeção para safra dos Estados Unidos
No cenário internacional, o relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas alterações para o balanço da fibra.
A produção norte-americana de algodão para a temporada 2026/27 foi mantida em 13,3 milhões de fardos, mesmo volume projetado no relatório anterior. Para a safra 2025/26, a estimativa permanece em 13,9 milhões de fardos.
As exportações dos Estados Unidos também foram mantidas em 12,3 milhões de fardos para a próxima temporada, enquanto o consumo interno segue projetado em 1,6 milhão de fardos.
Apesar da estabilidade na produção e na demanda, os estoques finais dos EUA foram revisados para baixo, passando de 3,9 milhões para 3,7 milhões de fardos na safra 2026/27. Na temporada atual, os estoques são estimados em 4,2 milhões de fardos.
Estoques globais recuam e reforçam equilíbrio mais apertado
O relatório do USDA também aponta um cenário de redução dos estoques mundiais de algodão, fator que tende a oferecer suporte ao mercado internacional nos próximos meses.
A produção global para a temporada 2026/27 foi mantida em 116,04 milhões de fardos. Já o consumo mundial foi levemente revisado para cima, passando de 121,69 milhões para 121,76 milhões de fardos.
Com isso, os estoques finais globais foram reduzidos de 71,84 milhões para 71,13 milhões de fardos. Para a safra 2025/26, a previsão era de 76,63 milhões de fardos.
O resultado indica que o consumo global continuará superando a produção pelo segundo ano consecutivo, contribuindo para um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional da fibra.
Brasil mantém posição de destaque entre os maiores produtores
Entre os principais países produtores, o USDA manteve inalteradas suas projeções para a temporada 2026/27.
A China deverá colher 33,5 milhões de fardos, permanecendo como a maior produtora mundial. A Índia segue com estimativa de 24 milhões de fardos, enquanto o Paquistão deverá produzir 5,1 milhões de fardos.
Para o Brasil, a projeção continua em 17,5 milhões de fardos, consolidando o país entre os principais fornecedores globais da fibra e reforçando sua crescente relevância no comércio internacional de algodão.
Mercado acompanha demanda e exportações
Apesar do cenário internacional indicar redução dos estoques globais, os agentes do setor seguem atentos ao comportamento da demanda, especialmente da indústria têxtil mundial, que continua sendo o principal fator de influência sobre os preços.
No mercado brasileiro, a expectativa é de que o ritmo das exportações e a evolução do consumo global sejam determinantes para definir o comportamento das cotações ao longo do segundo semestre.
Enquanto isso, o produtor acompanha um ambiente de preços mais pressionados internamente, mas sustentado por fundamentos globais que apontam para uma oferta mundial relativamente mais ajustada nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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