RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Piscicultura brasileira inicia 2026 com foco em segurança regulatória e desafios tarifários

Publicados

AGRONEGÓCIO

Setor inicia 2026 mais estruturado, mas com atenção ao ambiente regulatório

Após um 2025 marcado por ajustes e desafios no comércio internacional, a piscicultura brasileira entra em 2026 com bases mais sólidas e expectativas moderadas de crescimento. Segundo Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados — o maior projeto de piscicultura de São Paulo e um dos maiores do país —, o setor vive um momento de profissionalização e inovação tecnológica, mas ainda depende de avanços nas negociações comerciais e na estabilidade das normas ambientais.

“A demanda segue firme e os investimentos em tecnologia continuam evoluindo. No entanto, o ritmo de crescimento em 2026 dependerá diretamente das negociações estratégicas e da segurança regulatória”, destaca Kubitza.

Tarifas dos Estados Unidos seguem como principal obstáculo às exportações

As tarifas impostas pelos Estados Unidos à tilápia brasileira continuam sendo o principal desafio para o segmento exportador. Em 2025, o aumento das taxas reduziu a competitividade do produto no maior mercado importador do mundo, forçando as empresas a buscarem novos destinos comerciais.

“O setor aguarda o desfecho das tratativas entre Brasil e EUA. Uma possível redução ou reversão das tarifas devolveria competitividade imediata à tilápia nacional, impactando diretamente o planejamento produtivo e os investimentos”, explica Kubitza.

Uma eventual retomada da competitividade no mercado norte-americano é considerada estratégica para o escoamento da produção e para o equilíbrio do mercado interno.

Leia Também:  Adiamento do acordo Mercosul-UE frustra cúpula em Foz do Iguaçu
Europa volta ao radar e pode ser destino promissor para o pescado brasileiro

Enquanto o mercado norte-americano segue em negociação, a União Europeia volta a ser vista como um dos principais caminhos para ampliar a presença internacional da piscicultura nacional. As exportações para o bloco estão suspensas desde 2018, mas o setor demonstra otimismo com a reabertura.

“A tilápia ainda não é tradicional no consumo europeu, mas o Brasil reúne condições ideais — oferta regular, padrões sanitários rigorosos e indústria moderna — para conquistar esse mercado”, afirma o diretor da Fider.

Para 2026, a expectativa é de avanços em alinhamento regulatório e promoção comercial, elementos fundamentais para ampliar a presença da tilápia brasileira no cenário global.

Debate sobre espécies invasoras mantém setor em alerta

No âmbito interno, o debate regulatório também segue no centro das atenções. Em 2025, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, propôs incluir a tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, o que gerou forte reação da cadeia produtiva.

“A tilápia é a espécie mais cultivada do país. Qualquer mudança nesse enquadramento poderia impor restrições severas à expansão da atividade”, alerta Kubitza.

A proposta foi suspensa em dezembro de 2025, trazendo um alívio momentâneo, mas o tema deve retornar em 2026, segundo o setor. A expectativa é que o governo assegure segurança jurídica e reconhecimento do papel estratégico da tilápia na geração de empregos, renda e abastecimento alimentar do país.

Leia Também:  Seleção genética reforça o controle do carrapato em bovinos e reduz perdas no verão
Consumo interno cresce e indústria investe em inovação

Apesar das incertezas, as perspectivas para o mercado doméstico seguem positivas. O consumo de pescado cresce de forma constante, impulsionado pela busca por proteínas mais saudáveis e pela diversificação alimentar.

A indústria avança em áreas estratégicas como genética, nutrição, biosseguridade e processamento industrial, fatores que fortalecem a competitividade brasileira frente a outros países exportadores.

“A Fider mantém os planos de ampliar a capacidade produtiva e de inovar em processos, explorando oportunidades dentro e fora do Brasil”, reforça Kubitza.

2026 pode consolidar novo ciclo de expansão da piscicultura nacional

Para Juliano Kubitza, o desempenho da piscicultura brasileira em 2026 dependerá do andamento das agendas internacional e regulatória. Caso evoluam de forma favorável, o ano tem potencial para ser marcado por crescimento consistente, eficiência produtiva e fortalecimento estrutural do setor.

“A cadeia da piscicultura está preparada — e atenta — para transformar desafios em novas rotas de expansão”, conclui o executivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Publicados

em

Por

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Dólar sobe e Ibovespa recua com expectativa pela decisão do Copom

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Valor da Produção Agropecuária de Minas Gerais deve bater recorde em 2025

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA