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“Sim, eu aceito!”
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Há 30 anos, milhares de casais acreanos formalizam a união e garantem direitos no casamento coletivo do TJAC
Raimunda da Silva e Raimundo Melo compartilhavam o sonho de oficializar a união, mas não o realizavam devido à falta de recursos para arcar com as taxas do casamento. Somente em 2017, o desejo do casal se concretizou, ao saberem de uma iniciativa promovida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), que oferece o serviço de forma gratuita: o casamento coletivo.
Prontamente, reuniram a documentação necessária e enfrentaram uma longa jornada para dizer o tão esperado “sim”. Eles viajaram por três horas de barco desde o Seringal Bom Destino até o município de Porto Acre e, de lá, seguiram de ônibus até a Escola Edmundo Pinto de Almeida Neto, local da cerimônia. A persistência valeu a pena. Em poucos minutos, saíram da celebração unidos perante a lei.
“Um dia fui a Porto Acre e fiquei sabendo do Casamento Coletivo. Cheguei em casa e perguntei se ela queria casar de verdade agora. Ela aceitou, e começamos a procurar os documentos e demos entrada. Estamos muito felizes em poder oficializar essa união. Ela é uma boa pessoa para mim e merece ser reconhecida [como minha esposa]”, concluiu Raimundo.

Essa e outras milhares de histórias representam casais que, ao longo dos anos, aguardaram a oportunidade de oficializar suas relações e conseguiram por meio do casamento coletivo. É o caso de Maria Ausete Alves Bezerra e Francisco Batista de Souza. Eles se conheceram ainda jovens e, ao longo de 40 anos, enfrentaram juntos os desafios da vida. Contudo, devido às circunstâncias, não conseguiram formalizar a união.
A espera do casal finalmente terminou em setembro de 2023, quando eles selaram o compromisso em uma das edições do casamento coletivo em Cruzeiro do Sul, interior do Acre. “Sentimos como se estivéssemos finalmente completando um ciclo em nossas vidas. Esperamos tanto tempo por esse momento e, agora, estamos muito felizes em poder dizer que somos oficialmente casados”, afirmou Maria Ausete.


Outra jornada de perseverança foi vivida por Sebastião da Costa Ferreira e Aldemira Pessoa da Silva, que encontraram o amor após anos solteiros — ele foi casado por 40 anos e estava divorciado havia oito; ela, casada por 23 anos e divorciada há 25. Os dois se conheceram por meio da irmã de Aldemira e, pouco tempo depois, começaram um relacionamento. Em poucos meses, passaram a morar juntos e, com o tempo, decidiram que era hora de oficializar a união.
Em 2019, tentaram realizar o casamento no cartório de Xapuri, mas um problema no processo os obrigou a adiar a cerimônia. Durante a espera, souberam da iniciativa do Tribunal de Justiça e que ela ocorreria na cidade. Decidiram participar. “Estou muito feliz e emocionada”, disse a mulher. Já Sebastião compartilhou a surpresa de ter reencontrado o amor: “Não imaginava mais viver um amor na minha vida. Mas encontrei a Aldemira e estou muito feliz junto dela.”

Milhares de “sim”
Criado em 1995, durante a gestão do desembargador Jersey Pacheco, juntamente com o Projeto Cidadão, o casamento coletivo teve início com ações mais simples, limitadas à realização dos trâmites cartoriais. Foi a partir de 1997, na administração do desembargador Gercino da Silva Filho, que a iniciativa passou a incluir as habilitações e as cerimônias. Desde então, já formalizou uniões em todos os municípios acreanos, sempre com o objetivo de oferecer aos casais um momento especial.
Para se ter ideia da dimensão da iniciativa, entre 1995 e 2020 foram registradas 51.533 uniões apenas por meio do casamento coletivo. A ação se consolidou como um marco na democratização do acesso ao matrimônio no Acre, especialmente entre pessoas que vivem em comunidades de difícil acesso e não possuem condições financeiras para arcar com os custos de um casamento.

Atualmente, a iniciativa segue unindo milhares de casais. A atual gestão, do desembargador Laudivon Nogueira, considera esse serviço de extrema importância à população, por isso se empenha para que todos tenham acesso de forma rápida, desburocratizada e gratuita. De acordo com magistrado, “o Tribunal de Justiça atua para que todos tenham acesso a este ato tão significativo, sem barreiras ou distinções. É a Justiça chegando mais perto das pessoas para concretizar sonhos, fortalecer vínculos e transformar vidas”.
Direitos assegurados
Mais do que uma simples celebração simbólica, o casamento coletivo proporciona a regularização do matrimônio civil e assegura às famílias o reconhecimento jurídico da união. Isso garante uma série de direitos. Os casais passam a contar com mais segurança jurídica em diversas áreas da vida.
Entre os principais direitos estabelecidos estão: à herança em caso de falecimento do cônjuge; acesso à pensão e aposentadoria, vinculadas ao reconhecimento legal do matrimônio; além da facilidade na partilha de bens e a proteção dos filhos. Com isso, amplia-se o acesso a políticas públicas nas áreas de saúde, assistência social e previdência.
Amor para todos
Desde 2013, a Justiça do Acre assegura em suas ações do casamento coletivo o direito à união civil de casais LGBTQIAPN+, conforme decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceram a constitucionalidade do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.


Em julho de 2025, em Xapuri, Eulanda Maria Moreira e Uirla Lima dos Santos, juntas há seis anos, puderam formalizar sua união. Elas enfrentaram preconceito e discriminação para viver seu amor livremente. Da mesma forma, Natalícia Raulino e Evetlana Pereira, que também tiveram a oportunidade de casar, sem qualquer burocracia ou custos, em julho de 2023, em Rio Branco.
Além de casais homoafetivos, o TJAC busca promover o acesso ao casamento e à documentação para outros grupos em situação de vulnerabilidade, como indígenas, pessoas em situação de rua e reeducandos. Dessa forma, milhares já puderam dizer “sim, eu aceito!” nas cerimônias do casamento coletivo.


Fotos: Elisson Magalhães e acervo TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC abre III Semana Nacional dos Juizados Especiais certificando conciliadoras e conciliadores
Atividade iniciou nesta terça-feira, 16, e segue até a sexta-feira, 19, com oficinas, debates e diálogos para aperfeiçoar o Sistema dos Juizados Especiais
“Justiça simples, digital e humana”, com esse tema o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) por meio da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud), realizou nesta terça-feira, 16, a abertura da III Semana Nacional dos Juizados Especiais, com a entrega de certificados do curso de formação de conciliadores e mediadores judiciais.
A Semana é de iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estabelecida pela Resolução n.º 533/2023, para fortalecer o sistema que é a grande porta de entrada das pessoas no Judiciário e segue com oficinas, debates e diálogos até a sexta-feira, 19. A desembargadora Regina Ferrari, presidente em exercício, ressaltou o impacto dessa maneira de promover Justiça na vida de cada cidadã e cidadão:
“É o trabalhador que recebe o que tinha direito sem precisar contratar ninguém. É o consumidor que finalmente é ressarcido por aquele eletrodoméstico que nunca funcionou. É a pequena empresa que recupera o valor que faria diferença no caixa do mês. É o idoso que não tem recursos para pagar honorários, mas tem o direito a defesa. Os Juizados Especiais são, na prática, a porta de entrada da justiça para quem mais precisa dela e menos tem condições de pagar por ela, porque ela é 100% gratuita”, destacou Ferrari.
Aproximação
Para a presidente em exercício, os Juizados concretizam a aproximação do Judiciário com as pessoas, são caminhos mais fáceis e ágeis de acessar direitos: “Os Juizados Especiais provam que é possível construir uma Justiça mais rápida, mais simples e mais humana, sem abrir mão da seriedade e do acolhimento que todo o processo exige. Por isso, defender os Juizados Especiais, debater os Juizados Especiais nessa semana significativa é defender o direito de toda pessoa, independentemente da sua renda ou do seu conhecimento jurídico, de ser ouvida e de ter seu conflito resolvido com dignidade. É lembrar que a Justiça não pode ser privilégio de poucos”.
Criado em 1995 (Lei n.º 9.099), o Sistema dos Juizados Especiais recebe causas de até 40 salários mínimos, que tem como critérios norteadores: a oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando promover a conciliação e mediação, quando possível. Princípios que significam que as pessoas podem chegar aos balcões de atendimento do Judiciário, sem necessidade de um advogado, e apresentar sua reclamação que o setor responsável irá iniciar os encaminhamentos no sistema, fazendo o peticionamento.
Eficiência
O coordenador dos Juizados Especiais Cíveis do Acre, desembargador Júnior Alberto, apresentou dados sobre a eficiência do trabalho jurisdicional realizado no estado:
“De acordo com os dados do Justiça em Números, foram julgados em 2025 quase 2 milhões de processos, o que demonstra a confiança da população nos Juizados Especiais, em virtude da resposta rápida, eficiente e, principalmente, justa para as suas demandas. No Acre, somente neste primeiro semestre de 2026, mais de 8.300 novos processos ingressaram nos Juizados. Com muito orgulho e contentamento informo que estamos entre os melhores do Brasil”, disse Alberto.
De acordo com os dados oficiais do CNJ, os Juizados do Acre figuram em segundo lugar no Índice de Atendimento à Demanda a nível nacional. Já em relação à taxa de congestionamento líquida, alcançando a terceira menor, com 30,99%, ficando atrás apenas do Distrito Federal e de Sergipe entre todos os tribunais brasileiros. Esses números são relevantes porque aferem a eficiência e a celeridade desses órgãos jurisdicionais.

Debate e aperfeiçoamento
O corregedor-geral da Justiça do Acre, desembargador Nonato Maia, explicou que a III Semana Nacional dos Juizados é uma política afirmativa do CNJ, abraçada pelos tribunais no país, que fortalece o segmento dos Juizados, que é o mais simples, acessível e próximo das pessoas. “Nessa Semana teremos várias discussões e olharemos os Juizados Especiais, que é a Justiça mais simples, mais acessível e que atende o cidadão mais diretamente. Então, que sejamos todos envolvidos e comprometidos, que possamos discutir os Juizados Especiais com mais afinco e reafirmar essa Justiça tão próxima do cidadão”, comentou Maia.
Também participaram da abertura, os desembargadores Samoel Evangelista, Lois Arruda, as juízas de Direito Lilian Deise, representando a Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), e Louise Kristina, auxiliar da Presidência do TJAC, o procurador-geral Carlos Maia do Ministério Público do Acre (MPAC), a defensora pública-geral Juliana Marques, a presidente do Procon Acre Alana Albuquerque, além de magistradas e magistrados, servidoras e servidores da capital e interior.





Programação
As atividades da III Semana Nacional dos Juizados seguem até a sexta-feira, 19, com atividades realizadas de maneira presencial na Esjud e também com transmissão para comarcas do interior. Veja abaixo a programação:
16/6
- 10h – Oficina “Qualificação em Demandas Repetitivas e Entendimentos Consolidados no STJ e Turma Recursal”. A facilitadora é a juíza Evelin Cerqueira;
17/6
- 8h – Oficina “Eficiência com humanidade: inovação e acesso à Justiça”. A facilitadora é a servidora Larissa Melo;
- 9h às 12h – Laboratório de Inovação – “Justiça simples na era digital: tecnologia, pessoas e soluções reais”. Facilitador é o servidor Bono Lui;
18/6
- 8h – Laboratório de gestão – “Estratégia, produtividade e uso de indicadores”. Facilitador é o servidor Josué;
- 9h – Oficina “Utilização dos Sistemas dos Juizados Especiais: Eproc, Google Meet e Sprol”. Facilitador é o colaborador Fábio Josep;
- 10h – Atividade temática “Inteligência artificial aplicada à prática jurídica”. Facilitador é Leonardo Bandeira
19/6
- 8h – Oficina “Escuta ativa, empatia e justiça”. Facilitadora é juíza de Direito Adamárcia









Fotos Wellington Vidal, estagiário sob supervisão (Secom/TJAC)
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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