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Mercado do arroz encerra 2025 com estoques elevados e preços sob pressão, aponta Itaú BBA

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Oferta alta e estoques limitam reação dos preços

O mercado do arroz brasileiro encerrou o ano de 2025 sob influência de uma ampla oferta interna e estoques elevados, fatores que impediram uma recuperação mais consistente dos preços, mesmo diante do avanço das exportações e de medidas de apoio à comercialização.

O levantamento faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Apesar do aumento nos embarques externos, o volume disponível no mercado doméstico manteve as cotações estáveis. Em dezembro, o arroz com casca registrou queda de 3,1% frente a janeiro, com média de R$ 53,11 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul. Já nos primeiros dias de janeiro de 2026 (até o dia 13), houve leve alta de 0,4%, indicando certa sustentação nos preços.

Exportações ganham força, mas não aliviam estoques

Segundo o relatório, os leilões da Conab realizados em 23 de dezembro e a autorização para uso da taxa CDO como instrumento de apoio à cadeia produtiva ajudaram a impulsionar a comercialização, mas sem provocar altas significativas devido ao grande volume armazenado.

As exportações cresceram expressivamente no final de 2025: em dezembro, os embarques atingiram 251 mil toneladas, um aumento de 166% em relação a novembro e 20% acima de dezembro de 2024. A valorização do real frente ao dólar e os altos estoques domésticos contribuíram para o ritmo mais forte dos envios.

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No acumulado do ano, as exportações (base casca) somaram 1,586 milhão de toneladas, superando o volume de 2024, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos. Apesar do desempenho positivo, o escoamento externo ainda não foi suficiente para reduzir significativamente os estoques, servindo, no entanto, como reforço para consolidar o arroz brasileiro no mercado internacional.

Preços estáveis no atacado e impacto na cesta básica

No mercado atacadista, os preços permaneceram praticamente inalterados, passando de R$ 3,43/kg em dezembro para R$ 3,44/kg nos primeiros dias de janeiro.

De acordo com dados da Conab e do DIEESE, a retração dos preços do arroz foi um dos principais fatores que contribuíram para a queda no custo da cesta básica em dezembro.

Safra 2025/26: área menor e produção em queda

O plantio da safra 2025/26 está praticamente concluído, e as primeiras estimativas indicam uma redução de 8% na área cultivada em comparação ao ciclo anterior. A queda é atribuída aos preços mais baixos observados em 2025, reflexo direto dos altos estoques no Brasil e no cenário global.

Com área menor e expectativa de produtividade reduzida, a produção deve cair cerca de 12%. Mesmo assim, o mercado segue pressionado pelos grandes volumes de arroz armazenado, devendo sentir alívio apenas a partir do segundo semestre de 2026.

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Segundo dados do USDA, a retração de área não é um fenômeno exclusivo do Brasil — entre os 16 maiores produtores mundiais, 10 países reduziram o plantio. A produção global deve cair 0,2% frente à safra 2024/25, marcando a primeira queda em uma década após um ciclo de recordes históricos.

México e Venezuela seguem no radar do comércio internacional

No cenário externo, o México revogou a isenção tarifária para o arroz com casca, estabelecendo uma cota de 200 mil toneladas para 2026. O país, que foi o terceiro maior destino das exportações brasileiras em 2025 (com 165 mil toneladas embarcadas), importa cerca de 1 milhão de toneladas por ano, sendo os Estados Unidos seu principal fornecedor (com 75% de participação).

Apesar da redução recente nos embarques, o México segue como mercado potencial — em 2022, o Brasil exportou 446,8 mil toneladas para o país.

A Venezuela manteve-se como principal comprador do arroz brasileiro em casca, com 219 mil toneladas exportadas em 2025. As tensões diplomáticas envolvendo os EUA não devem comprometer o comércio entre os países, mas uma possível desaceleração nos envios pode ampliar ainda mais os estoques internos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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