AGRONEGÓCIO
Pesquisa da Embrapa mostra que uso de bactérias reduz em até 50% a emissão de gases de efeito estufa em lavouras de feijão no Cerrado
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Uma pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão revelou que o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio associadas a microrganismos promotores de crescimento vegetal pode reduzir em até 50% as emissões de óxido nitroso (N₂O) em lavouras de feijão-carioca no Cerrado, quando comparado ao uso de ureia — fertilizante nitrogenado amplamente empregado na agricultura.
O óxido nitroso é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global muito superior ao dióxido de carbono (CO₂) e com vida útil mais longa que o metano (CH₄).
O estudo foi conduzido na Fazenda Capivara, em Santo Antônio de Goiás (GO), onde há 20 anos se pratica o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), com o cultivo alternado de braquiária e grãos em plantio direto.
Resultados: redução nas emissões e alta produtividade
Os experimentos realizados nas safras 2019/2020 e 2021/2022 compararam o uso convencional de ureia (200 a 280 kg/ha) com a coinoculação — técnica que combina bactérias de diferentes espécies para potencializar a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN).
As misturas incluíram Rhizobium tropici, Rhizobium freirei e Azospirillum brasilense, esta última aplicada sobre o solo e as plantas para estimular a produção de ácido indol acético, hormônio natural que favorece o crescimento radicular.
De acordo com a pesquisadora Márcia Thaís de Melo Carvalho, coordenadora do estudo, as lavouras que receberam coinoculação emitiram até 50% menos N₂O do que aquelas adubadas com ureia:
“A emissão total foi de 0,208 kg/ha no feijão coinoculado, contra 0,404 kg/ha no cultivo com ureia”, detalhou a pesquisadora.
Além da redução nas emissões, o sistema não comprometeu o desempenho produtivo. A produtividade média das áreas coinoculadas foi de 3,2 mil quilos por hectare, quase três vezes superior à média nacional (1,1 mil kg/ha).
Márcia Thaís destaca que a prática diminui a dependência de fertilizantes sintéticos caros e reduz o impacto climático e ambiental da produção agrícola.
Coinoculação: alternativa sustentável para o Cerrado
A técnica de coinoculação com rizóbios e Azospirillum não é totalmente inédita, mas o estudo da Embrapa é um dos poucos realizados em ambientes de ILP consolidados, típicos do Cerrado.
Segundo Márcia Thaís, o objetivo foi entender não apenas a emissão de gases, mas também as transformações no solo e na microbiota associada às raízes do feijoeiro.
Os resultados mostram que sistemas agrícolas integrados e de longo prazo — como o da Fazenda Capivara — apresentam solos mais ricos em matéria orgânica e melhor equilíbrio biológico, o que favorece a fixação de nitrogênio natural e reduz a necessidade de adubação química.
“A sinergia entre qualidade do solo, microrganismos e práticas conservacionistas aumenta a eficiência no uso da água e dos nutrientes, melhora a resiliência das lavouras e contribui para uma agricultura de baixa emissão de carbono no Cerrado brasileiro”, ressalta a pesquisadora.
Estudos reforçam papel dos bioinsumos na agricultura sustentável
O avanço das pesquisas com bioinsumos e inoculantes vem ganhando força no Brasil como alternativa aos fertilizantes químicos.
Na Embrapa Soja (PR), estudos com Azospirillum brasilense em gramíneas como o milho mostraram ganhos de até 25% na eficiência do uso de nitrogênio. Segundo o pesquisador Marco Nogueira, o microrganismo estimula o crescimento radicular, permitindo maior aproveitamento de água e nutrientes, além de aumentar a produtividade sem elevar os custos de adubação.
Já o pesquisador Rodrigo Garcia, da Embrapa Agropecuária Oeste (MS), destaca que o uso de bioinsumos aliados a práticas conservacionistas, como plantio direto e rotação de culturas em sistemas integrados (ILP e ILPF), amplia a sustentabilidade e a saúde do solo.
“Essas técnicas melhoram a eficiência no uso de recursos naturais e fortalecem o caminho para uma agricultura regenerativa e de baixo carbono”, afirma Garcia.
Emissões abaixo do limite global
Mesmo nas áreas tratadas com ureia, o fator de emissão de óxido nitroso ficou entre 0,1% e 0,4%, índice inferior ao limite de 1% recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) para solos tropicais.
O dado reforça o potencial do manejo integrado e do uso de microrganismos para cumprir metas de mitigação climática sem comprometer a produtividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Alta de invasões impulsiona campanha “Invasão Zero” e pressiona por lei mais dura
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a reação às invasões de propriedades rurais com a campanha “Invasão Zero”, que reúne um conjunto de propostas legislativas e medidas de pressão institucional para endurecer o combate às ocupações no campo.
A iniciativa ganha força em meio ao aumento recente dos casos. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta 33 invasões registradas entre janeiro e meados de abril deste ano, sendo 14 apenas neste mês. Do total, 32 episódios foram atribuídos ou vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Para a bancada ruralista, o avanço das ocupações amplia a insegurança jurídica e afeta decisões de investimento no setor. A avaliação é de que o cenário pode comprometer a produção, sobretudo em regiões de fronteira agrícola, onde a expansão depende de maior previsibilidade institucional.
Como resposta, a FPA articula um pacote de projetos no Congresso. Entre eles está o Projeto de Lei 4.432/2023, que cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP), com integração ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A proposta busca centralizar dados, facilitar a identificação de envolvidos e dar suporte às ações de segurança.
Outro eixo da ofensiva é o endurecimento das penas. O Projeto de Lei 1.198/2023 propõe alterar o Código Penal para elevar a punição por esbulho possessório, hoje limitada a detenção de um a seis meses, para reclusão de quatro a oito anos, além de multa. Já o Projeto de Lei 6.612/2025 cria uma tipificação específica para invasões de propriedades rurais, com penas que podem chegar a dez anos, agravadas em casos de áreas produtivas ou ações coletivas.
No mesmo pacote, propostas buscam restringir o acesso de invasores a políticas públicas. Um dos textos em tramitação prevê a exclusão de ocupantes irregulares de programas de reforma agrária e o bloqueio temporário de crédito subsidiado, benefícios fiscais e contratos com o poder público.
A ofensiva legislativa ocorre em um contexto mais amplo de debate sobre a política fundiária. Dados do mostram que o Brasil tem cerca de 1,1 milhão de famílias assentadas, mas ainda enfrenta desafios estruturais na geração de renda e na integração produtiva dessas áreas. Para a FPA, a solução passa por tratar a reforma agrária como política técnica, com foco em infraestrutura, assistência e viabilidade econômica, e não por meio de ocupações.
A campanha “Invasão Zero” deve orientar a atuação da bancada ao longo de 2026, com prioridade para projetos que ampliem a segurança jurídica no campo e estabeleçam regras mais rígidas para ocupações ilegais. O tema tende a ganhar espaço na agenda do Congresso, especialmente diante da pressão de produtores e entidades do setor.
Fonte: Pensar Agro
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