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Compromisso com a priorização da sociedade acreana marca abertura do ano judiciário 2026 do TJAC
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Abertura dos trabalhos do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) foi realizada em sessão solene onde instituições públicas e representantes dos poderes destacaram a importância da atuação da Justiça na garantia de direitos fundamentais
Reafirmando o compromisso contínuo com a modernização e priorização das cidadãs e dos cidadãos, o presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Laudivon Nogueira, realizou a abertura do ano de trabalho de 2026, nesta quarta-feira, 4.
O início do ano judiciário é um ato solene realizado anualmente para começar os julgamentos dos órgãos do 2° grau do TJAC. Mais que uma cerimônia, a sessão é uma oportunidade de confirmar as diretrizes de atuação na prestação dos serviços jurisdicionais a população acreana.
“O início do ano judiciário destaca-se como oportunidade de reflexão e de reafirmação de propósito e alinhamento coletivo em torno das responsabilidades constitucionais confiadas ao Poder Judiciário, cuja a função essencial é garantir direitos. O ano de 2026 apresenta-se como mais um período estratégico para o Tribunal de Justiça deste Estado, não se trata de inaugurar um novo ciclo, mas de consolidar o caminho já planejado. Nós fazemos isso de forma coletiva, ninguém faz sozinho e quero destacar a contribuição dos colegas. Todas as nossas iniciativas estão orientadas pelo princípio de priorização do jurisdicionado, que não é uma retórica, mas um critério objetivo de tomada de decisão para gerar impactos concretos na vida da população”, anunciou o magistrado.
Nesse objetivo de atender com agilidade e eficiência cada pessoa, a união entre instituições, órgãos e poderes é necessária, tanto que se fizeram presentes no evento autoridades dos poderes Executivo, Legislativo, Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ministério Público do Estado (MPAC), Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE-AC), Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB-AC), da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), além de outras instituições e órgãos parceiros.
Além disso estavam presentes as desembargadoras Regina Ferrari (vice-presidente do TJAC) e Waldirene Cordeiro, assim como, os desembargadores: Samoel Evangelista, Roberto Barros, Francisco Djalma, Júnior Alberto, Elcio Mendes, Luis Camolez, Nonato Maia (corregedor-geral da Justiça) e Lois Arruda. A desembargadora Denise Bonfim justificou sua ausência.



Conquistas e avanços
Durante o momento, o presidente do TJAC destacou as conquistas alcançadas em 2025, com o início da implantação do novo sistema de tramitação processual eproc, garantindo modernização e agilidade nos julgamentos. Citou a primeira ferramenta de inteligência artificial generativa, desenvolvida pela Justiça, a ADA. Discorreu sobre o programa de atenção à saúde mental de servidoras e servidores. Destacou o papel estratégico da comunicação na garantia de transparência, acesso e aproximação da Justiça com a sociedade. E, por fim, lembrou da importância da consolidação do diálogo com outros poderes e órgãos públicos.
Já para 2026, o magistrado citou as melhorias da infraestrutura, fortalecimento dos projetos sociais, mas tudo isso mantendo o foco em servir bem cada pessoa que procura à Justiça. “O Tribunal de Justiça avançou consistentemente em eixos estratégicos fundamentais: houve fortalecimento da atividade jurisdicional; modernização tecnológica, investimentos na gestão de pessoas, também fizemos a reestruturação organizacional do Tribunal de Justiça para adequar à nova realidade da gestão pública, mais eficiente e consciente do seu papel. Também fizemos melhorias na infraestrutura e ampliação de acesso aos programas sociais”, comentou Nogueira.
Veja abaixo aqui o vídeo com as principais ações do TJAC em 2025 que foi exibido na sessão:

Subdefensora pública Sinome Santiago: “A abertura de um ano judiciário é um momento de renovação, de esperança e do compromisso que unem nossas instituições em torno de justiça e de dignidade da pessoa humana. Eu desejo muito sucesso aos trabalhos que iniciam a toda essa Corte e a todos os integrantes e membros do 1º grau, com decisões sensíveis à realidade social e comprometidas com a pacificação e a inclusão. E assim, agradeço as parcerias já consolidadas com este Tribunal ao longo dos anos e reafirmar que a Defensoria Pública segue à disposição com diálogo e responsabilidade para colaborar em todos os projetos que fortaleçam o acesso à justiça e a proteção das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Presidente da OAB-AC, Rodrigo Aiache: “O Sistema de Justiça não é uma máquina de produzir decisões, ele é uma casa que recebe pessoas e quem chega nessa casa, quase sempre, chega com problemas, com pressa, com medo, expectativa, às vezes com vergonha e quase sempre chega com uma história que para aquele cidadão é a mais importante. Por isso, a abertura do ano judiciário não é apenas um rito institucional é um compromisso público, um compromisso que o Judiciário seguirá firme na Lei, mas atento ao humano. Rigoroso na técnica, mas sensível ao drama que bate à porta em cada processo”.

Procurador-geral de Justiça do MPAC, Osvaldo D’Alburqueque: “Nós falamos da Amazônia, é daqui desse território vasto, diverso e desafiador que construímos e aplicamos à justiça. Uma região marcada por distâncias, mas também por histórias, saberes e formas próprias de viver e existir. Em lugares como o Acre, a Justiça não se mede apenas pelos Códigos e leis que a regem, mas pela capacidade de alcançar territórios, pessoas e realidades. Realidades e pessoas historicamente invisíveis. Aqui fazer Justiça é muitas vezes cruzar rios, enfrentar estradas difíceis e compreender contextos que não cabem em fórmulas prontas. A abertura do novo ano judiciário nos convida a refletir sobre esse desafio permanente, assegurando que o direito não fique restrito aos grandes centros, mas que se faça presente nas comunidades mais distantes, onde a presença do Estado é por vezes a única garantia de dignidade”.

Vice-presidente da Aleac, deputado Pedro Longo: “Trago uma mensagem em nome dos 24 parlamentares que compõem a Assembleia Legislativa, destacando a harmonia que se exerce entre os poderes do Estado do Acre. Desejo a todos, os magistrados, magistradas e servidores, um ano judiciário de 2026 muito produtivo, como tem sido a praxe, a regra nesse Tribunal, e que cada vez mais a nossa população se sinta como tem sentido, acolhida, respeitada e que tenha sempre as suas pretensões atendidas dentro daquilo que estabelece as nossas leis e a nossa constituição. Um ótimo ano judiciário a todos e muito obrigado”.

Governador do Acre, Gladson Camelí: “As minhas primeiras palavras nesta manhã são de gratidão aos desembargadores e desembargadoras do Tribunal de Justiça do Acre pela parceria e colaboração em que estamos à frente do Palácio Rio Branco. Foram várias parcerias e colaboração para beneficiar a população do nosso Estado, que tiveram a parceria do Tribunal de Justiça. Entendo que cada um dos poderes tem funções especificas constitucionais, mas o objetivo maior é o mesmo: ajudar nossa gente a superar suas dificuldades e garantir plena cidadania a todos os acreanos e acreanas”.







Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Projeto de gestão documental oferece bolsas de estágio para reeducandas e egressas do sistema prisional acreano
Boa prática do Judiciário acreano tem modernizado a gestão documental com foco na inclusão produtiva e sustentabilidade
Ana Lídia Paolino é uma das estagiárias do projeto “Memória, História e Transformação Social”. Quando perguntada sobre seu serviço, descreveu: “Todo dia a gente vai aperfeiçoando o trabalho, desenvolvendo técnicas sobre coisas que a gente não conhecia e à medida que está passando o tempo, estamos criando amor pelo o que a gente faz. Nós sabemos que temos uma responsabilidade muito grande em nossas mãos, então fazemos com muito cuidado, muita atenção e muito carinho para que tudo saia perfeito”.
O trabalho que ela se refere é a gestão documental, missão que é baseada em uma ciência: a arquivologia. A organização e preservação dos documentos servem para proteger a memória histórica dos arquivos. Paralelo a isso, há ainda o descarte correto de todo esse papel digitalizado e daqueles que cumprem a tabela de temporalidade. Etapa que é realizada priorizando o compromisso com a sustentabilidade.

Com esse projeto, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) uniu uma rotina administrativa com a oportunidade de ressocialização, através da empregabilidade gerada pelas vagas de estágio para mulheres que estão cumprindo pena no regime aberto ou semiaberto. O tratamento técnico de acervos documentais acumulados se tornou o caminho para a inclusão produtiva e educacional.
Mikaelly Carvalho explica com suas palavras o estigma de ter sido presa: “Esse projeto trouxe bastante oportunidades para gente. As portas se fecharam quando a gente saiu do sistema. Aonde procurei trabalho, quando viam a tornozeleira, as portas se fecharam, por isso a gente agradece à Deus, primeiramente, mas depois ao Tribunal por ter dado essa oportunidade. Aqui podemos mostrar que vamos mudar e por isso agarramos essa chance com unhas e dentes, para poder dar um futuro melhor para os nossos filhos, conseguir as nossas coisas, o nosso próprio dinheiro pelo nosso suor”.
Quando as portas se fecham, a punição é perpetuada além das grades. O preconceito e rótulos negativos resultam em exclusão social e grandes dificuldades para recomeçar a vida. Romper essa barreira é favorecer a transformação social.

Manda pro arquivo
Todo esse trabalho é orquestrado pelo arquivista do TJAC Leandreson da Cunha, juntamente com a coordenadora de Gestão de Memória e Arquivos, Ana Lúcia Cunha, autora do projeto e a presidente da Comissão Permanente de Avaliação Documental, juíza Zenice Mota. Eles coordenam o fluxo de eliminação de documentos e rotinas de ações diárias das estagiárias.
Empossado no TJAC em outubro de 2025, o servidor explica a gestão documental: “As diretorias dos foros das Comarcas realizam os procedimentos de seleção dos processos aptos à eliminação, com apoio da equipe de gestão de documentos. A listagem é encaminhada para avaliação do arquivista, que verifica a tabela de temporalidade. Posteriormente, essa é submetida à autoridade competente para aprovação e assinatura. Em seguida, elabora-se o edital de ciência de eliminação de documentos para dar publicidade e transparência, passado o tempo de 45 dias, inicia-se as retiradas das peças processuais”.
Todos esses documentos físicos são transferidos para a capital. Na estação de trabalho organizada no Fórum Criminal, situado na Cidade da Justiça de Rio Branco. Então, as estagiárias começam a retirada de grampos e clips enferrujados, bem como a retirada das peças secundárias dos processos.
São preservadas as seguintes peças processuais: Petições Iniciais, Termo de Conciliações, Sentenças, Decisões, Acórdãos – conforme o artigo 30, inciso II da Resolução CNJ n° 324/2020. Essas peças permanentes vão para caixas separadas, pois em seguida vão passar por higienização, onde são retiradas sujidades e ferragens que possam danificar o scanner.
Então, são registrados todos os metadados das peças permanentes para a devida organização, recuperação e consulta futura desses processos. Assim, o conteúdo digitalizado forma um repositório arquivístico, disponibilizado para as comarcas de origem.


Mais de uma tonelada de papel descartada com responsabilidade social e ambiental no Acre
Hoje em dia, o TJAC modernizou suas rotinas e houve uma redução drástica no consumo de papel. De acordo com o Relatório de Desempenho do Plano de Logística e Sustentabilidade (PLS) de 2025, o consumo de papel reduziu 78,8% em relação ao ano de 2019. Contudo, o trabalho da Comissão Permanente de Avaliação Documental trabalha com um volume gerado pelas práticas do passado.
Uma das etapas é triturar as peças processuais que serão descartadas, para a garantia de que a descaracterização dos documentos não possa ser revertida. Após a fragmentação, os papéis picados são colocados em sacos de lixo e encaminhados para cooperativa Catar.
Em dois anos de funcionamento do projeto, 14 comarcas foram alcançadas e ocorreu 100% da publicação de editais. Apenas no ano de 2025, foram descartados 1.133,45 quilos de papel. Essa mais de uma tonelada foi destinada à cooperativa Catar.
No entanto, os bastidores dessa cadeia produtiva estão compostos por muitas variáveis, desde o diálogo com diferentes equipes, logística e checagens até a adesão ao módulo de gestão documental no SEI, o qual automatizou o ciclo de vida dos documentos públicos.
O TJAC aderiu ao módulo de gestão documental, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Essa inovação é um aprimoramento institucional e a atualização permite a correta classificação dos documentos, automatização da contagem do tempo de guarda dos processos, indicação do que é permanente e descartável, bem como a criação da lista de descarte, otimizando o fluxo que existia.
Além disso, os resultados indiretos da iniciativa são a preservação do meio ambiente, fomento da reciclagem e com isso a manutenção de postos de trabalho e a integração de cooperativas dedicadas à reutilização e à reciclagem de resíduos.


Transformação social
O secretário-geral do TJAC, Júnior Martins, reforça o propósito da boa prática: “Mais do que uma preocupação com papel, guardar papel, reduzir consumo de papel, construir arquivos – nós estamos pensando em pessoas. Esse projeto tem uma essência diferente. O papel é importante, aquilo que é história vai se transformar em dados, mas e o restante? Nós internalizamos para que o funcionamento fosse similar a uma estrutura fabril, vamos dizer assim, porque o processo físico chega e segue as etapas, conforme a estrutura adequada. Por isso, é um projeto que tende a crescer”.
Atualmente, o projeto conta com oito estagiárias, alunas do nível médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Elas voltaram a estudar para poder estagiar. Assim, a combinação do aprendizado do estágio supervisionado com a gestão documental gerou resultados simultâneos: organização do acervo, eliminação documental regular, ganho de espaço físico, melhoria da rastreabilidade das informações, capacitação técnica, retorno ao sistema educacional e conclusão do nível médio por parte das participantes.
A juíza auxiliar da Presidência, Zenice Cardoso, enfatizou que a intenção é ampliar a oferta de bolsas e incluir vagas para o nível graduação: “A gente acredita no potencial de multiplicação desse projeto. Queremos que nossas Anas, nossas Marias… possam ter oportunidades de trabalho, em todas as entidades públicas, porque são mulheres, são mães que estão acessando algo que não sonhavam quando saíram do sistema prisional. É um projeto simples, que pode ser replicado em todas as instituições, uma vez que todos possuem essa obrigação de cuidar da memória”.



Fotos: Miriane Teles e Wellington Vidal *estagiário sob supervisão/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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