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Mercado de trigo mantém ritmo lento no Brasil enquanto cotações internacionais recuam com menor risco climático

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Mercado interno segue lento, com moinhos abastecidos e produtores retraídos

O mercado de trigo no Brasil continua operando em ritmo moderado, principalmente na região Sul, onde moinhos permanecem abastecidos no curto prazo e concentram atenções em entregas futuras. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a demanda imediata está restrita, mas há expectativa de valorização ao longo do primeiro semestre de 2026.

No Rio Grande do Sul, as indústrias demonstram interesse maior por compras com entrega a partir de março, com poucos negócios pontuais em fevereiro. Os preços se mantêm entre R$ 1.150 e R$ 1.200 por tonelada, com moagem reduzida e estoques confortáveis. A tendência é de diminuição da oferta nas próximas semanas, já que muitos produtores devem postergar vendas com a chegada das receitas da soja e do milho. A expectativa é de alta a partir de abril, especialmente para trigos de melhor qualidade, diante da limitação da oferta argentina.

O estado também tem se destacado nas exportações, com 66 mil toneladas embarcadas por cabotagem para o Nordeste, reforçando a competitividade do trigo gaúcho. O preço médio ao produtor, na pedra, segue em R$ 54,00 por saca em Panambi.

Santa Catarina e Paraná mantêm cautela nas negociações

Em Santa Catarina, o cenário permanece travado. As negociações se concentram em sementes e poucas ofertas de venda, com pedidas de R$ 1.200 por tonelada FOB para o trigo pão e R$ 1.300 para o melhorador — valores considerados elevados pelos moinhos, que estão com estoques cheios. Os preços de balcão recuaram em algumas regiões, variando entre R$ 59,00 e R$ 64,00 por saca, e produtores já indicam redução de área de plantio na próxima safra, priorizando o milho.

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No Paraná, o quadro é de estabilidade. Os moinhos estão cobertos até fevereiro e sinalizam interesse em novas compras apenas para março, com pagamento em abril. O abastecimento local ocorre, principalmente, com trigo paraguaio e gaúcho, mais competitivos, enquanto parte da produção paranaense é destinada ao Nordeste ou mantida em estoque. Os preços CIF variam de R$ 1.200 a R$ 1.280, e o trigo importado nacionalizado é ofertado em torno de US$ 250 por tonelada.

Trigo internacional recua com alívio de risco climático

No cenário externo, o mercado de trigo encerrou a última sessão em queda, refletindo menor preocupação com o clima na região do Mar Negro e avanços diplomáticos em negociações de paz. Conforme a TF Agroeconômica, o ajuste das expectativas reduziu os prêmios de risco que vinham sustentando as cotações nas semanas anteriores.

Em Chicago, o trigo brando SRW para março caiu para US$ 526,75 por bushel, enquanto o contrato de maio fechou a US$ 536,25. O trigo duro HRW de Kansas recuou para US$ 530,25, e o HRS de Minneapolis encerrou a US$ 566,00. Já na Europa, o trigo para moagem negociado em Paris destoou do movimento americano e registrou leve alta, a € 193,75 por tonelada.

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Condições climáticas e dólar pressionam as cotações

O movimento de baixa foi impulsionado por relatórios que indicaram ausência de danos severos às lavouras na Ucrânia e na Rússia após o período de frio intenso. Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou que 61% das lavouras estão em condição boa ou excelente, superando o desempenho do ano anterior.

Outro fator que contribuiu para a pressão sobre os preços foi o fortalecimento do dólar, que reduziu a competitividade do trigo americano no mercado global. As negociações de paz no Mar Negro, conduzidas em Abu Dhabi, reforçaram a percepção de estabilidade na oferta mundial, levando as bolsas de futuros a ajustarem os preços para baixo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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