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Cacau vai além do chocolate e ganha destaque por benefícios à saúde física e mental

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Celebrado em 26 de março, o Dia Nacional do Cacau reforça a relevância de um dos alimentos mais tradicionais e versáteis do mundo. Muito além de ser a principal matéria-prima do chocolate, o cacau tem ganhado destaque por seus benefícios à saúde física e mental, sendo considerado um alimento funcional quando consumido de forma equilibrada.

Originário de regiões tropicais da América do Sul e cultivado inicialmente por povos da América Central, o fruto atravessou séculos até se consolidar globalmente. Hoje, a indústria do chocolate movimenta cerca de US$ 115,92 bilhões por ano e pode alcançar US$ 137,88 bilhões até 2029, segundo a consultoria Mordor Intelligence.

Falta de padronização do chocolate entra em debate no Brasil

No Brasil, cresce a discussão sobre a composição dos chocolates disponíveis no mercado. Muitos produtos comercializados como “chocolate” apresentam baixo teor de cacau e elevados níveis de açúcar, gordura e aditivos, o que pode confundir o consumidor.

Um projeto recente aprovado na Câmara busca estabelecer critérios mínimos para a classificação do produto, além de exigir maior transparência nas embalagens. A proposta é que o percentual de cacau seja informado de forma clara, facilitando a comparação entre marcas e a escolha por opções de maior qualidade.

As regras seguem parâmetros já definidos pela ANVISA, que estabelece padrões como:

  • Chocolate ao leite ou meio amargo: mínimo de 25% de sólidos de cacau
  • Chocolate amargo (dark): a partir de 35% de cacau
  • Chocolate branco: mínimo de 20% de manteiga de cacau
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Propriedades antioxidantes fazem do cacau um aliado da saúde

De acordo com especialistas, o cacau é rico em compostos bioativos, especialmente flavonoides, que possuem forte ação antioxidante. Esses elementos ajudam a combater os radicais livres, associados ao envelhecimento precoce e ao desenvolvimento de doenças.

Segundo a médica e professora de Nutrologia da Afya Goiânia, Marcela Reges, o consumo moderado do alimento pode contribuir para a proteção do organismo, desde que inserido em uma alimentação equilibrada.

Benefícios para o coração e o cérebro

Além da ação antioxidante, o cacau também pode favorecer a saúde cardiovascular. Os flavonoides presentes no alimento ajudam na circulação sanguínea e na função endotelial, contribuindo para o controle da pressão arterial.

Outro ponto relevante é o impacto positivo no desempenho cognitivo. O consumo equilibrado pode auxiliar na concentração e no funcionamento cerebral, reforçando o papel do cacau na promoção da saúde integral.

Influência no humor e bem-estar

O cacau também está associado à sensação de bem-estar. Segundo Diego Righi, docente da Afya Centro Universitário Itaperuna, o alimento possui compostos que atuam na produção de neurotransmissores ligados ao prazer e relaxamento, como a serotonina.

Esse efeito ajuda a explicar por que o consumo de chocolate, especialmente os com maior teor de cacau, costuma estar associado a sensações positivas.

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Benefícios para a saúde intestinal

Outro destaque é o impacto do cacau na saúde intestinal. Os polifenóis presentes no fruto podem estimular o crescimento de bactérias benéficas, contribuindo para o equilíbrio da microbiota intestinal.

Esse efeito é potencializado quando o consumo está aliado a uma dieta rica em fibras, frutas e vegetais.

Confira os principais benefícios do cacau para a saúde

Especialistas apontam diversas vantagens associadas ao consumo moderado do alimento:

  • Ação antioxidante, combatendo radicais livres
  • Contribuição para a saúde cardiovascular
  • Auxílio no controle da pressão arterial
  • Estímulo ao bem-estar e ao humor
  • Melhora da função cerebral e cognitiva
  • Efeito anti-inflamatório
  • Contribuição para o equilíbrio da microbiota intestinal
Consumo consciente é essencial para aproveitar os benefícios

Apesar dos benefícios, especialistas reforçam que o consumo deve ser moderado. No caso dos chocolates, a recomendação é priorizar produtos com maior teor de cacau e menor quantidade de açúcar e aditivos.

Além disso, é importante observar os rótulos e optar por versões menos processadas, que concentram maior quantidade de compostos bioativos e, consequentemente, oferecem mais benefícios à saúde.

O cacau, quando inserido de forma equilibrada na alimentação, pode ser um importante aliado da saúde e do bem-estar, indo muito além do sabor associado ao chocolate.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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