RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Mercado global de arroz mostra estabilidade, mas projeções indicam retração em 2026

Publicados

AGRONEGÓCIO

Tendências globais: preços estáveis, mas com variações regionais

Em janeiro de 2026, os preços mundiais do arroz permaneceram, em média, estáveis, porém com comportamentos distintos entre os principais países exportadores, segundo levantamento da Origens.

Na Índia, a forte demanda de compradores africanos sustentou pequenas altas. Situação semelhante foi observada no Paquistão, onde os preços atingiram o maior patamar desde julho de 2025, impulsionados pelas vendas ao continente africano.

Por outro lado, Vietnã e Tailândia registraram retrações. No Vietnã, mesmo com a retomada das importações das Filipinas — seu principal mercado —, a demanda global enfraquecida e a oferta elevada pressionaram os preços. Já na Tailândia, a menor procura internacional reduziu as cotações.

No Brasil, os preços de exportação recuaram devido à ampla oferta e ao esforço de conquista de novos mercados, apesar da valorização de 2,5% do real frente ao dólar.

O índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) manteve-se estável em 182,9 pontos em janeiro, avançando levemente para 184 no início de fevereiro.

Produção mundial de arroz bate recorde histórico

De acordo com estimativas da FAO, a produção global de arroz em 2025 cresceu 2%, alcançando 846 milhões de toneladas (equivalentes a 561,6 milhões beneficiadas), superando as 829,6 milhões de 2024 — o maior volume já registrado.

O crescimento foi impulsionado pelas colheitas robustas na Índia, China e Indonésia, que seguem como principais motores do aumento da produção mundial. A Índia expandiu sua produção em 1,7%, enquanto a China cresceu 0,6% e a Indonésia ampliou sua área cultivada.

Em contrapartida, a África Subsaariana e os Estados Unidos registraram leve queda na produção devido a condições climáticas adversas. No Mercosul, o destaque foi o Brasil, que teve aumento de 20% em relação a 2024.

Leia Também:  Clima favorável impulsiona desenvolvimento das videiras no Rio Grande do Sul, aponta Emater/RS-Ascar
Comércio internacional e estoques seguem em alta

O comércio mundial de arroz cresceu 1,7% em 2025, totalizando 61 milhões de toneladas. O avanço foi limitado pela menor demanda no Sudeste Asiático, especialmente da Indonésia, que praticamente saiu do mercado de importação.

Enquanto isso, as Filipinas reduziram suas compras em 15%, e a China elevou suas importações em 35%, aproveitando os preços mais baixos. O continente africano permaneceu como principal destino, com aumento de 15% nas importações.

Para 2026, as projeções apontam leve retração de 0,6%, para 60,6 milhões de toneladas.

Os estoques globais encerraram 2025 com aumento de 5,3%, totalizando 209,8 milhões de toneladas. A China concentra quase metade desse volume, com 102 milhões de toneladas, seguida pela Índia, que também elevou suas reservas em 12%. Para 2026, espera-se novo recorde, com 217,7 milhões de toneladas armazenadas — o equivalente a 40% do consumo global.

Índia mantém liderança nas exportações globais

Em 2025, a Índia exportou 21,5 milhões de toneladas, respondendo por 35% do comércio mundial. Os preços permaneceram firmes — o arroz branco 5% foi cotado a US$ 350/t FOB. Para 2026, o país pretende ampliar embarques para até 25 milhões de toneladas.

Tailândia enfrenta queda nas vendas externas

A Tailândia exportou 7,9 milhões de toneladas em 2025, uma queda de 20% em relação a 2024. Para 2026, a previsão é de nova redução para 7 milhões de toneladas, afetada pela menor demanda da Indonésia.

Leia Também:  Agritech projeta crescimento de 10% nas vendas em 2026 e desafia cenário de retração no setor de máquinas agrícolas

Os preços do arroz tailandês 100%B recuaram para US$ 395/t, enquanto o parboilizado ficou em US$ 400/t.

Vietnã e Paquistão: trajetórias opostas no mercado asiático

O Vietnã teve queda de 1,5% nos preços de exportação, com volume total de 8 milhões de toneladas, contra 9,1 milhões em 2024.

Já o Paquistão registrou alta de 5% nos preços, impulsionado pela forte demanda africana e do Oriente Médio, mesmo com recuo de 30% nas exportações (de 6,5 Mt para 4,6 Mt).

China amplia importações e diversifica fornecedores

A China continua fortalecendo sua posição de maior importadora da Ásia. Em 2025, as compras externas somaram 2,7 milhões de toneladas, alta de 30%, com projeções de superar 3 milhões em 2026. O país busca diversificar fornecedores, priorizando Paquistão, Camboja e Mianmar.

Estados Unidos e Brasil: comportamento distinto nas Américas

Nos Estados Unidos, as exportações caíram 30% em 2025, mas os preços se mantiveram firmes, com o Long Grain 2/4 cotado a US$ 565/t.

No Brasil, a ampla oferta interna pressionou as cotações, que recuaram mesmo com valorização cambial. O arroz em casca foi negociado a US$ 200/t, com tendência de alta no início de fevereiro.

África mantém protagonismo na demanda global

A África Subsaariana encerrou 2025 com boas colheitas, mas a preferência dos consumidores pelo arroz asiático reduziu a competitividade da produção local. Ainda assim, o continente importou 22,3 milhões de toneladas, 15% acima de 2024, consolidando-se como o principal motor da demanda global em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Publicados

em

Por

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Agritech projeta crescimento de 10% nas vendas em 2026 e desafia cenário de retração no setor de máquinas agrícolas

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Tarifas dos EUA devem voltar a gerar volatilidade e aumentar incertezas para importadores

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA