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Raízen amplia prejuízo e encerra trimestre com perda de R$ 15,6 bilhões na safra 2025/26

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Raízen tem prejuízo seis vezes maior no 3º trimestre da safra 2025/26

A Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26 (3T26), conforme balanço divulgado na noite de quinta-feira (12). O resultado representa um prejuízo seis vezes maior em comparação aos R$ 2,57 bilhões registrados no mesmo período da safra 2024/25.

O desempenho foi impactado principalmente por uma baixa contábil de R$ 11,1 bilhões, decorrente da alienação de ativos, incluindo a saída da empresa da rede Oxxo, além de R$ 4,5 bilhões relacionados à piora operacional nos segmentos de açúcar e etanol.

Mesmo com uma leve melhora na geração de caixa na área de distribuição de combustíveis, o desempenho geral da companhia ficou negativo no trimestre.

Acúmulo de perdas reforça cenário desafiador

No acumulado dos nove primeiros meses da safra 2025/26, o prejuízo líquido da Raízen atingiu R$ 19,8 bilhões, frente ao prejuízo de R$ 1,7 bilhão no mesmo período da safra anterior.

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Receita e Ebitda sofrem retração

A receita operacional líquida totalizou R$ 60,4 bilhões no trimestre, queda de 9,7% em relação ao mesmo período da safra 2024/25.

O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 3,15 bilhões, recuo de 3,3% na comparação anual.

De acordo com a companhia, o resultado foi afetado pelo desempenho mais fraco do segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB), influenciado por menores volumes comercializados de etanol, queda nos preços do açúcar e redução dos ganhos (sem efeito caixa) associados a contratos de energia.

Esses efeitos negativos foram parcialmente compensados pela melhora de margens e volumes no segmento de distribuição de combustíveis no Brasil, pela recuperação das margens na Argentina, após a modernização da refinaria, e por ganhos de eficiência obtidos com ajustes na estrutura organizacional e controle de despesas.

Ebitda negativo e aumento expressivo da dívida

O Ebitda consolidado do trimestre foi negativo em R$ 4,4 bilhões, revertendo o resultado positivo de R$ 2,56 bilhões do mesmo período anterior.

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No acumulado do ano, o Ebitda ajustado somou R$ 8,4 bilhões, uma queda de 12,3% frente ao mesmo intervalo da safra 2024/25.

A dívida líquida da companhia chegou a R$ 55,3 bilhões, representando um aumento de 43,4% na comparação anual. Como resultado, a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses) avançou de 3,0 vezes para 5,3 vezes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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