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Agroindústria fecha 2025 com leve retração, mas projeções indicam retomada em 2026

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Desempenho do setor: leve queda após ano de contrastes

O setor agroindustrial brasileiro encerrou 2025 com uma leve retração de 0,1% na produção, conforme dados do FGV Agro. O resultado reflete um ano de fortes oscilações entre trimestres positivos e negativos, marcado por um ambiente de juros elevados e instabilidade no cenário internacional.

De acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), o primeiro trimestre de 2025 registrou alta de 2,3%, sinalizando um início de ano otimista. No entanto, o segundo trimestre apresentou retração de 2,4%, enquanto o terceiro e quarto trimestres mostraram estabilidade, com variações de –0,3% e +0,3%, respectivamente.

O desempenho evidencia o esforço da agroindústria em compensar perdas e manter a produção, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador.

Fatores que influenciaram o resultado

Assim como o restante da economia brasileira, a agroindústria enfrentou juros elevados e turbulências externas. Entre os principais fatores que afetaram o setor, destacam-se:

  • Política tarifária dos Estados Unidos, com o chamado “tarifaço” do governo de Donald Trump, que impactou o comércio internacional;
  • Casos de gripe aviária, que afetaram exportações e a produção de proteínas;
  • Custo elevado do crédito e dos insumos, que reduziu margens e limitou novos investimentos.
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Apesar desses desafios, o mercado interno aquecido ajudou a sustentar parte da demanda, embora em ritmo mais moderado em comparação com anos anteriores.

Desempenho por segmento

O levantamento do FGVAgro mostra que os resultados variaram entre os principais segmentos da agroindústria:

  • Produtos alimentícios: crescimento de 1,5%, impulsionado pela demanda doméstica e pelas exportações de proteínas;
  • Bebidas: queda de 2,6%, refletindo o encarecimento dos insumos e a desaceleração no consumo;
  • Produtos não alimentícios: retração de 1,3%, influenciada pelo desempenho negativo dos setores de biocombustíveis e produtos florestais.

Essa composição setorial evidencia que, embora a indústria de alimentos tenha sustentado parte da produção, outros ramos ainda enfrentam dificuldades para retomar o ritmo pré-pandemia.

Perspectivas para 2026: retomada gradual e cautelosa

Para 2026, o cenário tende a ser mais favorável. O início do ciclo de redução da taxa Selic, aliado à manutenção de um mercado interno aquecido e à força do consumo em ano eleitoral, deve beneficiar o desempenho da agroindústria.

No entanto, analistas do FGVAgro alertam que o ambiente externo ainda representa um risco relevante, com possíveis efeitos das políticas comerciais norte-americanas e incertezas geopolíticas. As próprias eleições nacionais também podem gerar variações no ritmo de investimento e consumo.

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Mesmo assim, a expectativa é de que a combinação de crédito mais acessível, custos de produção estabilizados e demanda doméstica sólida traga melhora gradual nos índices do setor ao longo do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas

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As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.

O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.

Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.

Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.

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A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.

Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.

Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.

Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.

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Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.

Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.

Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.

Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.

Fonte: Pensar Agro

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