AGRONEGÓCIO
Algodão em Nova York opera em campo misto com preços em alta e ajustes de mercado
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Os contratos futuros do algodão na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) iniciaram esta quinta-feira (26) com movimentos divergentes, refletindo ajustes técnicos, cobertura de posições vendidas e expectativas sobre oferta e demanda global.
O contrato de março/2026 abriu cotado a 64,17 cents por libra-peso, registrando alta de 61 pontos, mantendo o suporte observado no fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em maio/2026 iniciaram o pregão em leve baixa, a 66,00 cents/lb, enquanto julho/2026 abriu a 67,64 cents/lb, recuando 16 pontos.
Mercado em campo misto: fatores que influenciam os preços
O comportamento divergente entre os vencimentos reflete principalmente:
Ajustes técnicos e rolagem de posições: contratos mais próximos do vencimento, como março, reagem com maior intensidade a entregas físicas e cobertura de posições vendidas, enquanto os contratos mais longos incorporam projeções de médio prazo.
- Expectativas de safra: o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) projeta possível redução da produção global em função de menor área plantada nos principais países produtores.
- Demanda global: o ritmo econômico internacional ainda gera incertezas sobre o consumo futuro da fibra.
- Cenário cambial: o dólar mais fraco frente a outras moedas aumenta a competitividade das exportações norte-americanas.
Esses fatores mantêm os investidores cautelosos, alternando entre compras técnicas no curto prazo e realização de lucros nos contratos mais distantes.
Preços do algodão atingem máximas mensais
Na sessão de quarta-feira, os contratos de algodão fecharam em valores mais altos em um mês, sustentados por um dólar fraco e cobertura de posições vendidas.
- Maio/2026: fechamento a 66,17 cents/lb, alta de 0,61 centavo (0,9%)
- Julho/2026: fechamento a 67,80 cents/lb, alta de 0,61 centavo (0,9%)
O mercado aguarda também o relatório semanal de exportações de algodão do USDA, divulgado nesta quinta-feira às 10h30 (horário de Brasília), que indicará o andamento da demanda internacional e poderá influenciar os próximos movimentos de preços.
Perspectiva do mercado
Combinando fundamentos técnicos, cobertura de posições e expectativas macroeconômicas, o algodão inicia a quinta-feira em equilíbrio instável, dividido entre fatores que sustentam os preços e incertezas que limitam avanços mais consistentes. Analistas destacam que o câmbio, a competitividade dos EUA frente a outros exportadores e as projeções de safra global serão determinantes para a trajetória dos preços nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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