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Parecer da PGR Reforça Validade de Contratos entre Pessoas Jurídicas e Amplia Debate sobre Relações de Trabalho

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PGR defende análise civil prévia em casos de pejotização

O debate sobre a pejotização — modelo em que profissionais atuam como pessoas jurídicas (PJs) — ganhou novo destaque no Brasil após a divulgação de um parecer do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, no início de fevereiro.

O documento propõe que os contratos firmados entre empresas e profissionais PJ sejam avaliados primeiramente pela Justiça Comum, com base no Código Civil, antes que eventuais disputas sejam encaminhadas à Justiça do Trabalho.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) argumenta que esses contratos devem ser examinados quanto à validade civil do negócio jurídico, considerando critérios como licitude, capacidade das partes e forma contratual, e não presumidos automaticamente como fraudulentos ou empregatícios.

Entendimento reforça segurança jurídica nas contratações

Segundo especialistas, o parecer da PGR representa um avanço em direção à segurança jurídica nas relações de trabalho, especialmente em um cenário de crescente pluralidade de modelos de contratação.

A advogada trabalhista Rúbia Soares, da Hemmer Advocacia, avalia que o documento traz clareza sobre a competência de cada esfera judicial e evita distorções no julgamento de contratos legítimos.

“O foco inicial deve recair sobre os elementos previstos no Código Civil. Se o contrato preencher todos os requisitos legais, ele deve ser considerado válido, afastando a competência imediata da Justiça do Trabalho”, explica.

A especialista destaca que a Justiça trabalhista só deve intervir quando houver provas concretas de que o contrato civil foi utilizado para disfarçar uma relação de emprego, prática que ainda gera divergências em parte da jurisprudência.

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Impactos na prescrição trabalhista e acesso à Justiça

Outro ponto relevante levantado por Rúbia Soares diz respeito aos efeitos da nova interpretação sobre os prazos de prescrição trabalhista.

Atualmente, a CLT estabelece prazo de dois anos após o término da relação de trabalho para o trabalhador ajuizar ação. Entretanto, com a análise inicial dos contratos na Justiça Comum, pode ser necessária uma adaptação desse prazo, para garantir o direito de acesso posterior à Justiça do Trabalho, caso sejam identificados indícios de vínculo empregatício.

Esse ajuste, segundo a advogada, é essencial para evitar prejuízos processuais tanto para trabalhadores quanto para empresas.

Decisões do STF e autonomia nas relações contratuais

O parecer da PGR também reforça a constitucionalidade de diferentes formas de contratação, em sintonia com decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) que valorizam a livre iniciativa e a autonomia privada.

O tema está atualmente sob análise do STF, em um recurso com repercussão geral, que poderá definir se a competência inicial será fixada na Justiça Comum ou mantida na Justiça do Trabalho.

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A decisão, quando proferida, terá impacto direto em milhares de processos em andamento e poderá influenciar futuras alterações na legislação trabalhista, especialmente na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Novo cenário jurídico para empresas e profissionais autônomos

A confirmação do entendimento da PGR pelo STF tende a mudar a dinâmica das contratações no Brasil, ampliando a segurança para empresas e profissionais que atuam fora do regime tradicional da CLT.

Segundo Rúbia Soares, o reconhecimento da validade dos contratos entre pessoas jurídicas pode reduzir litígios trabalhistas, dar mais previsibilidade às relações contratuais e fortalecer modelos modernos de trabalho, especialmente em setores como serviços, tecnologia, comunicação e agronegócio.

“Esse parecer inaugura um novo cenário jurídico, que redefine os limites entre o direito civil e o direito do trabalho”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtor pode perder área arrendada antes do fim do contrato, decide STJ

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O produtor que pretende plantar a safra 2026/27 em terra arrendada precisa verificar quem realmente tem o direito de oferecer a área. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mostrou que o contrato pode ser encerrado antes do prazo quando o arrendador perde judicialmente a propriedade do imóvel.

A decisão ganha importância no momento em que agricultores compram sementes, fertilizantes e defensivos, contratam crédito e iniciam o plantio da soja, do milho, do arroz e de outras culturas de verão. Se houver uma disputa anterior sobre a propriedade, o contrato assinado com quem perdeu a terra não obriga o verdadeiro dono a manter o produtor na área.

O entendimento foi firmado pela Terceira Turma no julgamento do Recurso Especial 2.187.412, originário de Mato Grosso. O caso envolvia contratos de arrendamento assinados em 2012 e 2013 e prorrogados posteriormente até 2030.

O arrendatário sustentou que, quando os negócios foram firmados, não havia nas matrículas qualquer averbação informando a existência de ações judiciais sobre os imóveis. Mesmo assim, uma decisão posterior reconheceu o direito de propriedade de um espólio sobre parte das áreas arrendadas.

O mandado de imissão na posse foi cumprido em 2021. O produtor tentou permanecer nos imóveis até 2030, prazo previsto nos contratos, alegando que havia agido de boa-fé e que não participara da ação na qual a propriedade fora discutida.

O Superior Tribunal de Justiça negou o pedido. Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, a perda do imóvel pelo arrendador extingue o contrato. O proprietário reconhecido pela Justiça não precisa assumir uma obrigação que nunca contratou.

A situação é diferente da venda da fazenda. Quando um imóvel rural arrendado é vendido, o Estatuto da Terra determina que o comprador assuma os direitos e as obrigações do contrato em vigor. Essa proteção não foi estendida pelo tribunal à hipótese em que alguém perde a propriedade em uma ação judicial.

Na prática, o contrato pode estar assinado, ter prazo longo e estabelecer todas as condições de pagamento, mas deixa de produzir efeitos se a pessoa que arrendou a terra perde o direito sobre o imóvel. Nem mesmo a boa-fé do agricultor garante sua permanência até o encerramento originalmente combinado.

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A decisão não significa que o produtor tenha de abandonar uma lavoura pronta para ser colhida. O Decreto nº 59.566, que regulamenta o Estatuto da Terra, assegura ao arrendatário o direito de permanecer na área até a conclusão dos trabalhos necessários à colheita quando ocorre a extinção do direito do arrendador.

Essa garantia protege a cultura já implantada, mas não mantém o contrato pelo restante do prazo. Também não autoriza o produtor a descumprir, por conta própria, uma ordem de entrega da posse. Se houver determinação judicial, será necessário informar a existência da lavoura e pedir formalmente o período indispensável para concluir a colheita.

A proteção também não equivale a uma autorização para iniciar uma nova safra. Se o produtor descobre a disputa antes do plantio, investir na formação da lavoura pode aumentar um prejuízo que depois terá de ser discutido judicialmente.

O julgamento não concedeu indenização automática pelos investimentos realizados. Eventual ressarcimento deverá ser cobrado em ação própria e dependerá do contrato, da conduta do arrendador e da comprovação das perdas. O verdadeiro proprietário não assume automaticamente a obrigação de devolver o que o agricultor gastou.

O risco é maior quando o produtor utiliza crédito para custear a lavoura. A perda da posse não extingue, por si só, a dívida assumida com o banco. O agricultor pode ficar sem a área e continuar responsável pelo financiamento, enquanto tenta recuperar os prejuízos de quem lhe ofereceu a terra.

Antes de assinar, é necessário obter a matrícula atualizada e a certidão de inteiro teor de cada área. A numeração deve ser conferida com o mapa utilizado na negociação, porque uma mesma fazenda pode ser composta por várias matrículas e apenas parte delas estar envolvida em disputa.

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A matrícula, contudo, não basta. O próprio caso julgado pelo STJ mostra que uma ação capaz de retirar a propriedade pode existir sem estar averbada no registro no momento da contratação. Por isso, a análise deve incluir certidões judiciais e pesquisa de processos em nome do proprietário, do espólio, da empresa ou de outros titulares ligados ao imóvel.

Também é necessário confirmar se quem assina tem poderes para arrendar toda a área. Em imóveis pertencentes a vários proprietários, empresas, espólios ou condomínios, a assinatura de apenas uma pessoa pode não ser suficiente. Procurações, autorizações judiciais e documentos societários precisam ser examinados.

Certificado de Cadastro de Imóvel Rural, Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural e Cadastro Ambiental Rural ajudam a conferir área, localização e situação cadastral. Nenhum deles, isoladamente, comprova quem é o proprietário. Para esse fim, prevalece o registro imobiliário.

O contrato pode exigir que o arrendador declare todas as disputas conhecidas, comunique imediatamente novas ações e responda pelos prejuízos se perder a propriedade. Também deve prever a devolução antecipada de valores pagos, a destinação das benfeitorias e a forma de calcular gastos com uma lavoura interrompida.

Essas cláusulas não impedem a execução de uma decisão judicial nem obrigam o verdadeiro proprietário a aceitar o arrendamento. Sua função é deixar mais clara a responsabilidade de quem ofereceu a terra e facilitar uma futura cobrança.

O produtor deve guardar notas fiscais de sementes, fertilizantes, defensivos e combustível, contratos de financiamento, comprovantes de pagamento do arrendamento, mapas dos talhões, fotografias georreferenciadas e registros das operações realizadas. Sem documentação, até um direito legítimo pode se tornar difícil de cobrar.

A decisão do STJ não torna inseguro todo arrendamento rural. Ela mostra, porém, que o risco não termina com a assinatura. Antes de colocar dinheiro e máquinas na área, o agricultor precisa saber se quem lhe entregou a terra tem condições jurídicas de mantê-lo nela.

Fonte: Pensar Agro

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