POLÍTICA NACIONAL
Conselho de Comunicação da Câmara debate TV 3.0, rádios públicas e estratégia digital
POLÍTICA NACIONAL
O Conselho de Comunicação Social da Câmara dos Deputados debateu estratégias para modernizar a comunicação institucional com a sociedade. Entre os temas discutidos estão a implantação da TV 3.0, a proteção das emissoras universitárias e o fortalecimento das rádios públicas no ambiente digital.
A TV 3.0 é a próxima geração da TV digital. O modelo foca na integração entre TV aberta e internet, oferecendo resoluções em 4K e 8K e recursos de interatividade em tempo real.
A diretora da TV Câmara, Daniela André, informou que o início das transmissões no novo padrão está previsto para junho de 2026, dentro das comemorações dos 200 anos da Câmara dos Deputados.
Rádios públicas
Outro ponto tratado foi a inserção das rádios públicas no sistema híbrido de radiodifusão, que combina sinal tradicional e internet.
A diretora da Rádio Câmara, Verônica Lima, afirmou que emissoras públicas precisam se posicionar diante das grandes empresas de tecnologias (big techs) e das montadoras, que disputam a exclusividade nas centrais multimídia de veículos. Segundo ela, o objetivo é evitar que as rádios públicas fiquem “escondidas” nesses sistemas.
O conselho também destacou o papel da Câmara em capacitar órgãos municipais de comunicação para expandir a transparência em todo o país.
Redes sociais
Os participantes discutiram ainda novas estratégias para redes sociais, com foco na agilidade, e o uso de impulsionamento para ampliar o alcance das informações institucionais.
O diretor-executivo de Comunicação e Mídias Digitais da Câmara, Cláudio Araújo, afirmou que, embora rádio e TV continuem importantes, a gestão atual foca no protagonismo das redes sociais, onde grande parte da população busca informação.
A diretora de Redes Sociais da Câmara, Ginny Morais, citou como exemplo a divulgação imediata da aprovação do projeto que combate facções criminosas. Segundo ela, a publicação rápida permitiu que a Câmara participasse do debate digital no momento em que o tema estava em destaque.
Impulsionamento
O secretário de Comunicação Social da Câmara, deputado Marx Beltrão (PP-AL), destacou a importância do impulsionamento para ampliar o alcance das publicações dos veículos de comunicação da Casa.
“Se a gente fizer impulsionamento para determinados lugares, para as cidades mais distantes, a gente consegue direcionar a informação através da rede social. Só que isso ainda é uma discussão interna”, disse o secretário.
O presidente do Conselho Consultivo de Comunicação Social, deputado Cleber Verde (MDB-MA), fez um balanço positivo da reunião. Ele destacou a preparação para a TV 3.0 e o rádio híbrido, além do anúncio de um congresso de comunicação pública em Brasília como parte das ações do bicentenário da Casa.
O Conselho Consultivo de Comunicação Social da Câmara dos Deputados foi criado em 2019 para propor como a Casa deve se comunicar com a sociedade.
Da TV Câmara
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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