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Debate no Theatro Municipal destaca papel do Brasil na geopolítica do agronegócio mundial

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Evento reúne lideranças e diplomatas para discutir o futuro do agro brasileiro

O Theatro Municipal de São Paulo foi palco de um encontro que colocou o agronegócio no centro das discussões sobre geopolítica e sustentabilidade. A mais recente edição do AgroTalk Mind reuniu representantes do setor produtivo, autoridades públicas e diplomatas internacionais em um debate sobre o papel estratégico do Brasil diante dos desafios globais que impactam o agro e a economia mundial.

AgroTalk Mind propõe diálogo entre mercado, diplomacia e sustentabilidade

Mediado pelo jornalista Caio Junqueira, o painel principal trouxe à tona temas como competitividade internacional, relações comerciais e práticas sustentáveis no agronegócio.

Com a presença de representantes de países como Uruguai, Paraguai, México, Japão, Suíça, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Bolívia e Israel, o encontro reforçou a importância do Brasil como articulador global no setor.

Desafios e identidade do Brasil no cenário geopolítico

A professora e analista internacional Fernanda Magnotta destacou que o país precisa consolidar uma identidade clara na política externa ligada ao agronegócio.

“O Brasil tem avançado em tecnologia e conhecimento dentro do agro, mas essa integração precisa refletir também nas relações diplomáticas. Definir nosso papel na geopolítica mundial é um passo essencial para fortalecer o setor”, afirmou Magnotta.

Integração entre academia e produção como modelo de sucesso

O ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga ressaltou a importância da união entre ciência e produção agrícola.

“O agronegócio é exemplo de como aproximar o conhecimento acadêmico da prática produtiva. Mesmo sem apoio governamental constante, o setor evoluiu por meio de inovação e iniciativa própria”, destacou.

Integração regional e industrialização do agro

A adida comercial do Paraguai no Brasil e na Bolívia, Criss Días Sanabria, reforçou a importância da cooperação entre países vizinhos.

“O Brasil inspira o processo de industrialização do agro paraguaio, que busca agregar valor à produção e ir além da exportação de matérias-primas”, afirmou.

Quatro desafios globais e o papel de liderança do Brasil

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues abordou os principais desafios mundiais que impactam o setor.

“O planeta enfrenta quatro grandes ameaças: segurança alimentar, transição energética, mudanças climáticas e desigualdade social. O agro tropical pode ser a resposta a esses desafios, e o Brasil tem potencial para liderar esse movimento com equilíbrio entre sustentabilidade e produtividade”, destacou Rodrigues.

Diversificação comercial e autonomia diplomática

O cônsul do México em São Paulo, José Alberto Limas Gutiérrez, defendeu a diversificação de mercados como estratégia de autonomia.

“O Brasil tem ampliado suas oportunidades comerciais. Parcerias estratégicas, como com a China, são essenciais, mas é fundamental buscar novos destinos e reduzir a dependência de grandes potências”, pontuou.

Arte e cultura integradas ao agronegócio

Além do debate, o evento contou com a exposição do artista Humberto Espíndola, ícone na representação do universo rural. Sua obra “Boi Bandeira” ilustra a capa do segundo volume do livro Da Porteira para o Mundo, idealizado por Aryane Garcia, CEO da AGX Estratégia e criadora do AgroTalk Mind.

“Trazer o agronegócio para o palco do Theatro Municipal simboliza uma nova fase da comunicação do setor. O AgroTalk Mind demonstra como o agro está cada vez mais conectado à sociedade e à inovação”, concluiu Aryane.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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