AGRONEGÓCIO
Emater-MG lança livro que conta histórias dos queijos artesanais de Minas Gerais
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O lançamento do livro Queijos Artesanais de Minas, realizado pela Emater-MG, mostra a riqueza cultural, social e econômica dos queijos produzidos no estado. A publicação reúne relatos de produtores que transformaram a tradição em modo de vida, percorrendo 16 regiões produtoras e registrando histórias que vão além do sabor.
Projeto de dois anos destaca 96 produtores
O livro é resultado de um trabalho de dois anos, com visitas e entrevistas a 96 produtores mineiros. As narrativas abordam temas como resistência, herança e pertencimento, e foram redigidas pelas jornalistas Carolina Daher e Ana Sandim, com fotografias de Magê Monteiro e Ignácio Costa. O projeto foi coordenado pela Equipe de Queijos Artesanais da Emater-MG.
Segundo Otávio Maia, presidente da Emater-MG, “o livro valoriza um produto típico do estado e mostra como a produção artesanal leva dignidade, renda e qualidade de vida ao campo”.
Histórias de resistência e tradição
Entre os relatos mais marcantes, estão os produtores de Araxá, que mantiveram a produção durante a ditadura militar, enfrentando fiscalização rigorosa e repressão política, e os da Mantiqueira de Minas, incluindo o último tropeiro da região, que há mais de 40 anos percorre trilhas históricas transportando queijos entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Para José Ricardo Osório, presidente da Associação Mineira do Queijo Artesanal, “o livro evidencia a dedicação diária dos produtores na preservação de um patrimônio imaterial reconhecido pela Unesco”.
Preservação da tradição e valorização econômica
Maria Edinice Rodrigues, coordenadora técnica da Emater-MG, destaca que a publicação busca preservar a herança dos queijos artesanais, registrando histórias e reforçando a importância da atividade para o estado.
Dados da Emater-MG mostram que, em 2025, 32,1 mil toneladas de queijos artesanais foram produzidas em Minas Gerais, por meio de aproximadamente 8,8 mil agroindústrias familiares.
O secretário de Estado de Agricultura, Thales Fernandes, reforça que a expansão das regiões produtoras evidencia a valorização do setor: “De 2002 a 2019, tínhamos apenas sete microrregiões caracterizadas. Hoje são 16 regiões, com assistência técnica da Emater diretamente ao produtor”.
Lançamento oficial do livro
O livro foi apresentado em uma solenidade com produtores, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, e apoio do Sicoob Crediminas. A publicação será doada a pessoas e instituições ligadas à produção, pesquisa e valorização do Queijo Minas Artesanal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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