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Alta do diesel pressiona agronegócio e amplia riscos para inflação e logística no Brasil

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O recente aumento no preço do óleo diesel em diferentes regiões do país acendeu um alerta no setor produtivo. A elevação ocorre em um momento de forte pressão financeira para o agronegócio, especialmente para produtores que já enfrentam custos elevados, crédito mais restrito e níveis elevados de endividamento.

A avaliação foi reforçada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), que manifestou preocupação com os impactos do combustível sobre a produção agrícola e sobre a logística nacional.

Alta do diesel agrava cenário já pressionado no campo

De acordo com a Aprosoja MT, o aumento no preço do diesel ocorre em um período particularmente sensível para o produtor rural. O setor já lida com margens apertadas, custos elevados de insumos e maior dificuldade de acesso ao crédito.

Como o diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas, para o transporte de insumos e para o escoamento da produção, qualquer aumento relevante no combustível tem impacto direto na rentabilidade da atividade agrícola.

Para a entidade, a nova elevação do diesel intensifica um ambiente econômico já desafiador para o setor produtivo.

Combustível é peça-chave na logística e na economia

O diesel possui papel central na economia brasileira. Grande parte da matriz logística do país depende do transporte rodoviário, responsável pela movimentação de grãos, alimentos, insumos agrícolas e produtos industrializados.

Quando o preço do combustível sobe de forma expressiva, os efeitos se espalham por toda a cadeia produtiva. O aumento dos custos de transporte tende a ser repassado ao longo do processo produtivo, pressionando os preços finais ao consumidor.

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Dependência externa ainda expõe o país às oscilações internacionais

Outro ponto destacado pela entidade é a vulnerabilidade estrutural do Brasil em relação ao diesel. Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o país ainda depende da importação de parte significativa do combustível consumido internamente.

Isso significa que variações no mercado internacional, especialmente no petróleo do tipo Brent crude oil, acabam influenciando diretamente os preços domésticos. Mudanças na oferta global ou tensões geopolíticas também podem provocar impactos imediatos na economia brasileira.

Biocombustíveis ganham destaque como alternativa estratégica

Diante desse cenário, o fortalecimento da política de biocombustíveis surge como uma das alternativas para reduzir a dependência externa. A ampliação da mistura de biodiesel ao diesel é vista como uma estratégia para reforçar a segurança energética e estimular a produção nacional.

Atualmente, o debate nacional já contempla a possibilidade de elevar a mistura para o B17. No entanto, representantes do setor defendem que o país avalie metas mais ambiciosas, como a evolução para B20, aproveitando a ampla disponibilidade de matérias-primas como a soja.

Medidas emergenciais podem reduzir impactos econômicos

A Aprosoja também avalia que, diante de choques internacionais abruptos, o governo pode discutir medidas temporárias para reduzir os impactos econômicos do aumento dos combustíveis.

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Entre as alternativas estão instrumentos tributários capazes de aliviar o peso do diesel na economia. Em 2022, por exemplo, o governo federal zerou tributos sobre combustíveis e alguns estados reduziram alíquotas de ICMS para conter os efeitos da alta nos preços.

Diesel mais caro pode pressionar inflação

A elevação do combustível não afeta apenas o setor agropecuário. O diesel tem influência direta nos custos de transporte e distribuição em todo o país, o que pode encarecer alimentos, medicamentos e diversos produtos essenciais.

Esse movimento tende a gerar pressão inflacionária. Dados e projeções recentes do Banco Central do Brasil indicam que a economia brasileira ainda opera em um ambiente de juros elevados para conter a inflação, o que aumenta a preocupação com novos choques de custos.

Setor defende ações coordenadas do poder público

Diante desse cenário, a Aprosoja Mato Grosso avalia que o enfrentamento da alta do diesel exige respostas rápidas e coordenação entre os governos federal e estaduais.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a redução da dependência externa de combustíveis, o fortalecimento da produção nacional de biocombustíveis e a adoção de políticas emergenciais em momentos de crise.

Para a entidade, decisões estratégicas são fundamentais para garantir estabilidade econômica, competitividade do setor produtivo e segurança para toda a sociedade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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