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Índia desponta como novo mercado estratégico para o agronegócio brasileiro

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Enquanto o Brasil celebrava o Carnaval, uma das maiores missões econômicas da atual gestão desembarcava em Nova Délhi com um objetivo claro: estreitar laços comerciais com a Índia e posicionar o país asiático como novo parceiro estratégico do agronegócio e da tecnologia brasileira.

A Índia, hoje a nação mais populosa do planeta, com 1,44 bilhão de habitantes e uma classe média urbana de mais de 350 milhões de pessoas, representa um mercado emergente em rápida expansão — especialmente na demanda por proteínas, grãos e alimentos processados.

Segundo o professor Tiago Costa, do curso de Agronomia da UniCesumar, o crescimento econômico indiano e o aumento do poder aquisitivo tornam o país um destino natural para a diversificação das exportações do agro brasileiro.

“A Índia mantém crescimento médio de 7% ao ano no poder de compra da classe média desde 2022, o que impulsiona o consumo de proteínas e produtos premium. O agronegócio brasileiro enxerga nesse cenário uma janela de oportunidades para consolidar presença no mercado indiano”, afirma Costa.

Diversificação estratégica e lições aprendidas com a China

A busca por aproximação com a Índia é considerada estratégica para reduzir a dependência do Brasil em relação ao mercado chinês, que atualmente concentra cerca de 40% das exportações do agronegócio nacional.

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A experiência com a China, que importou US$ 54 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, ensinou lições valiosas sobre diplomacia comercial, adaptação cultural e superação de barreiras sanitárias — aprendizados agora aplicados na relação com o mercado indiano.

“A dependência de um único destino traz vulnerabilidades, como vimos com as suspensões temporárias das importações de carne bovina pela China, que reduziram embarques em até 35%. Por isso, diversificar parceiros — especialmente entre os emergentes asiáticos — é fundamental para aumentar a resiliência do setor”, ressalta o especialista.

Potencial de crescimento e novos produtos no mercado indiano

Hoje, as exportações brasileiras para a Índia são lideradas por óleo de soja, açúcar e algodão, mas o potencial de ampliação para produtos de maior valor agregado é expressivo.

Em 2025, as vendas de carne de frango cresceram 21%, alcançando US$ 85 milhões. O café brasileiro atingiu US$ 38 milhões em exportações, enquanto frutas tropicais, como manga e melão, ganharam espaço entre consumidores jovens e urbanos.

“O apetite indiano por alimentos premium cresce rapidamente, abrindo espaço para uma oferta mais diversificada e sustentável da produção brasileira”, avalia Costa.

Barreiras e desafios logísticos ainda exigem atenção

Apesar do potencial, o mercado indiano ainda impõe entraves comerciais e logísticos. O país mantém tarifas de importação de até 35% para carnes e adota barreiras sanitárias e fitossanitárias rigorosas, além de uma logística desafiadora — o transporte marítimo entre Santos (SP) e Mumbai leva em média 28 dias.

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Mesmo assim, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) projeta que, se a parceria comercial for consolidada, a Índia poderá responder por 8% das exportações do agronegócio brasileiro até 2030, com potencial de movimentar US$ 9 bilhões por ano.

Nova fronteira para o agro e a tecnologia brasileira

A aproximação entre os dois países vai além do comércio de alimentos. A Índia também é vista como parceira em inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento de sistemas agrícolas inteligentes, áreas nas quais o Brasil tem forte presença internacional.

“O avanço nas relações com a Índia tende a fortalecer a imagem do agronegócio brasileiro como sustentável e inovador, além de impulsionar o PIB do setor e a balança comercial”, conclui o professor da UniCesumar.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do agronegócio brasileiro somam US$ 16 bilhões em maio e atingem segundo maior valor da história para o mês

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As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16 bilhões em maio de 2026, registrando crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado e consolidando o segundo maior resultado da série histórica para o mês. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos embarques de soja e proteínas animais, que compensaram a queda observada nos setores sucroenergético e de etanol.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram que o agronegócio segue como um dos principais motores da balança comercial brasileira, sustentado por volumes robustos de exportação e preços favoráveis em importantes cadeias produtivas.

Soja lidera pauta exportadora e mantém forte geração de receitas

O complexo soja permaneceu como principal destaque das exportações brasileiras em maio.

Os embarques de soja em grão totalizaram 14,8 milhões de toneladas, avanço de 5% em comparação com maio de 2025. Apesar da redução de 12% frente a abril, movimento considerado natural após o pico da colheita, a receita alcançou US$ 6,3 bilhões, sustentada pela valorização dos preços internacionais.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo, com exportações de 2,5 milhões de toneladas, crescimento de 12% na comparação anual.

Já o óleo de soja registrou uma das maiores altas entre os principais produtos do agronegócio, com embarques de 202 mil toneladas, aumento de 34% em relação ao mesmo mês do ano passado. Além do avanço no volume, os preços médios seguiram em trajetória de valorização.

Carnes ampliam participação no mercado internacional

O segmento de proteínas animais manteve ritmo acelerado nas exportações brasileiras.

A carne bovina in natura alcançou 262 mil toneladas exportadas em maio, crescimento de 20% frente ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 1,7 bilhão, impulsionada pelo aumento dos preços internacionais, que atingiram média superior a US$ 6,5 mil por tonelada.

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A carne de frango apresentou um dos melhores desempenhos do mês, com embarques de 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual.

Já a carne suína exportou 111 mil toneladas, registrando crescimento de aproximadamente 5% sobre maio do ano passado, mantendo a trajetória positiva observada ao longo de 2026.

Açúcar e etanol enfrentam cenário mais desafiador

Enquanto soja e proteínas avançaram, o complexo sucroenergético registrou resultados mais modestos.

As exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% na comparação anual. Além da redução no volume, os preços internacionais recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período de 2025, pressionando as receitas do setor.

O açúcar refinado também apresentou retração, com embarques de 159 mil toneladas, volume 27% inferior ao registrado um ano antes.

No caso do etanol, a queda foi ainda mais expressiva. As exportações despencaram para apenas 17 mil metros cúbicos, retração de 79% na comparação anual. A perda de competitividade do produto brasileiro no mercado internacional continua sendo o principal fator limitante para os embarques.

Milho, algodão e suco de laranja registram avanços

Entre os demais produtos agrícolas, o milho apresentou a maior variação positiva do mês em relação ao ano anterior.

Os embarques alcançaram 249 mil toneladas, crescimento superior a 570%, embora o volume ainda seja considerado modesto devido ao estágio inicial da colheita da segunda safra.

O algodão também registrou forte desempenho, com aumento de 52% nos volumes exportados.

O suco de laranja manteve trajetória positiva, com crescimento de 17% nos embarques, reforçando a posição do Brasil como principal fornecedor global do produto.

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Tarifas dos Estados Unidos voltam ao radar do agronegócio

Além dos resultados comerciais, o setor acompanha com atenção os desdobramentos das investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

No início de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Entre os temas citados estão comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.

Apesar da medida, boa parte dos principais produtos do agronegócio brasileiro ficou fora da lista de sobretaxação, incluindo carnes, café, frutas, cereais, sementes, fertilizantes e suco de laranja.

Posteriormente, uma nova proposta de tarifa adicional de 12,5% foi apresentada em investigação relacionada a alegações de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.

As audiências públicas sobre as medidas estão previstas para julho, e o mercado segue atento aos possíveis impactos para o comércio bilateral.

Exportações acumuladas mantêm crescimento em 2026

No acumulado de janeiro a maio de 2026, o agronegócio brasileiro segue apresentando resultados consistentes.

Os destaques são o crescimento das exportações de soja, carnes bovina, suína e de frango, além do avanço das vendas externas de óleo de soja, algodão e milho.

Por outro lado, setores como açúcar refinado, etanol, café verde, trigo e celulose registram desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Mesmo diante das incertezas comerciais internacionais e da volatilidade dos mercados globais, o agronegócio brasileiro mantém forte competitividade e continua ampliando sua relevância no comércio mundial de alimentos, fibras e energia renovável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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