RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Coamo amplia presença no Norte do Paraná e avalia criar hub ferroviário estratégico em Cambé

Publicados

AGRONEGÓCIO

A Coamo, maior cooperativa agroindustrial da América Latina, iniciou um movimento de expansão considerado histórico no Norte do Paraná. A estratégia inclui a aquisição de cinco unidades agrícolas e contratos operacionais em outras dez estruturas, consolidando a maior ampliação geográfica da cooperativa em um único momento desde sua fundação.

O investimento inicial soma R$ 136 milhões e contempla unidades localizadas em Assaí, Bela Vista do Paraíso, Sabáudia, Cambé e Tamarana. Os ativos pertenciam a um fundo imobiliário gerido pelo Grupo Pátria e estavam anteriormente arrendados à Belagrícola.

Estratégia logística pode transformar Cambé em hub ferroviário

Além de ampliar sua presença em uma região onde tinha pouca atuação, a Coamo também avança em uma estratégia logística robusta. O plano inclui a possibilidade de transformar o município de Cambé em um ponto de transbordo ferroviário para escoamento de grãos.

Segundo o presidente executivo da cooperativa, Airton Galinari, a localização da unidade — com cerca de 30 hectares e acesso à malha ferroviária — é considerada ideal para a implantação do projeto.

A proposta prevê o transporte inicial por caminhões até Londrina ou Cambé e, posteriormente, o envio da produção por via ferroviária. O modelo pode integrar cargas oriundas do Paraná e do Mato Grosso do Sul, criando um novo corredor logístico.

Integração com portos reforça estratégia de exportação

A expansão também está alinhada à estrutura portuária utilizada pela cooperativa. A Coamo já opera no Porto de Paranaguá e desenvolve um projeto portuário em Itapoá (SC).

Leia Também:  Preço do leite caiu 18,1% em 12 meses; setor espera recuperação em 2026

Nesse contexto, o Norte do Paraná se apresenta como uma área estratégica de influência logística, permitindo maior eficiência no escoamento da produção quando comparado a outras regiões, como o norte do Mato Grosso do Sul, que depende mais do Porto de Santos.

Capacidade de armazenagem supera 210 mil toneladas

As novas unidades adquiridas somam mais de 210 mil toneladas de capacidade de armazenagem, fortalecendo a rede logística da cooperativa na região.

A expectativa é que essas estruturas atendam às próximas safras de soja e milho, além de oferecer suporte completo aos produtores rurais, incluindo:

  • Assistência técnica agronômica
  • Comercialização de insumos
  • Serviços financeiros via Credicoamo
  • Apoio na venda da produção
Contratos ampliam atuação em outras regiões do estado

Além das aquisições, a Coamo firmou contratos de prestação de serviços em dez unidades que ainda fazem parte do processo de reestruturação da Belagrícola.

Essas estruturas estão distribuídas entre os Campos Gerais e o Norte do Paraná, incluindo municípios como Tibagi, Teixeira Soares, Imbituva, Londrina, Alvorada do Sul, Sertanópolis e Ibiporã.

Nessas unidades, a cooperativa já atua com equipes operacionais completas, oferecendo atendimento técnico, classificação de grãos e suporte a novos cooperados.

Reestruturação da Belagrícola viabilizou negociações

O cenário que possibilitou a expansão está ligado à reestruturação financeira da Belagrícola, que entrou em recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 2,2 bilhões em dívidas.

Leia Também:  Controle da cigarrinha-das-raízes se torna prioridade para preservar produtividade e rentabilidade da cana-de-açúcar

Parte das unidades adquiridas pela Coamo já não pertencia mais à empresa, o que permitiu a negociação direta com o fundo imobiliário proprietário dos ativos. Para o investidor, a operação gerou retorno estimado de aproximadamente 15,7% ao ano.

Maior expansão territorial da história da cooperativa

De acordo com Airton Galinari, o movimento representa a maior expansão territorial da Coamo em número de unidades, superando inclusive avanços anteriores no Oeste do Paraná.

O executivo também destacou que a região Norte do estado enfrentou, ao longo dos anos, dificuldades com cooperativas e empresas do setor, o que gerou preocupação entre produtores.

Nesse cenário, a proposta da Coamo é oferecer segurança, estabilidade e previsibilidade por meio do modelo cooperativista.

Coamo projeta crescimento com foco em logística e originação

Fundada em 1970 e com sede em Campo Mourão, a Coamo reúne milhares de cooperados e registrou faturamento próximo de R$ 30 bilhões em 2025.

A expansão no Norte do Paraná, aliada ao possível hub ferroviário em Cambé e aos investimentos portuários, sinaliza um novo ciclo de crescimento da cooperativa, com forte foco em logística e originação de grãos no agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Publicados

em

Por

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Espírito Santo testa secagem de café com gás natural e aposta em inovação para elevar qualidade do conilon

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Preços do Etanol Caem Mais de 3% em São Paulo com Demanda Enfraquecida, Aponta Cepea

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA