AGRONEGÓCIO
BC condiciona ritmo de cortes da Selic a novos dados e reforça cautela diante de incertezas globais
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O Banco Central (BC) indicou que seguirá adotando uma postura cautelosa na condução da política monetária e que o ritmo de ajustes na taxa básica de juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos. A avaliação consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira.
Decisão sobre a Selic seguirá dependente de novos dados
De acordo com o documento, o BC destacou que ainda não há definição sobre a intensidade e a duração do atual ciclo de “calibração” da Selic, iniciado na reunião anterior.
A autoridade monetária informou que as próximas decisões serão tomadas de forma gradual, à medida que novas informações forem incorporadas às análises econômicas.
Compromisso com a meta de inflação permanece central
O Banco Central reforçou que a estratégia adotada mantém como prioridade a convergência da inflação para a meta dentro do horizonte relevante da política monetária.
A instituição destacou que seguirá monitorando atentamente os indicadores para garantir o controle inflacionário.
Copom inicia ciclo de cortes com redução de 0,25 ponto
Na última semana, o Copom deu início ao ciclo de redução da taxa básica de juros ao promover um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano.
A decisão, já esperada pelo mercado, veio acompanhada de um discurso de prudência diante do aumento das incertezas no cenário global.
Conflitos internacionais ampliam nível de incerteza
O BC ressaltou que o ambiente externo segue desafiador, com destaque para o agravamento das tensões no Oriente Médio.
Apesar dos conflitos envolvendo o Irã e ações militares de Estados Unidos e Israel, a autoridade avaliou que o cenário base traçado anteriormente permanece válido, embora sujeito a riscos.
Estratégia baseada em dados orienta decisões do Copom
Diante de sinais mistos da economia brasileira e das incertezas externas, o Banco Central afirmou que manterá uma abordagem dependente de dados.
Segundo a instituição, essa estratégia permite maior flexibilidade nas decisões, especialmente em um ambiente sem tendências econômicas claramente definidas.
Petróleo em alta entra no radar da inflação
Ao elaborar suas projeções, o BC considerou a recente elevação e volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional.
A expectativa é de alta significativa no curto prazo para o barril do tipo Brent, seguida por uma trajetória de queda ao longo da segunda metade do ano.
Inflação mostra melhora pontual, mas segue pressionada
Antes da intensificação das tensões geopolíticas, indicadores apontavam melhora no comportamento da inflação, com destaque para:
- Desaceleração nos preços de bens industriais
- Alívio nos preços de alimentos
- Moderação gradual dos serviços
Apesar disso, o BC ressaltou que a inflação ainda apresenta pressão vinda da demanda, o que exige manutenção de uma política monetária restritiva.
Expectativas de inflação voltam a subir
O Banco Central observou que, após o aumento das tensões internacionais, houve elevação nas expectativas de inflação futura por parte do mercado.
Esse movimento reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária.
Política monetária segue contribuindo para desinflação
A autoridade monetária destacou que o atual nível de juros tem sido determinante para o processo de desaceleração da inflação observado nos últimos meses.
O BC reiterou que continuará utilizando esse instrumento para assegurar a estabilidade de preços.
Impactos da nova faixa de isenção do IR seguem no radar
O Copom também informou que continuará acompanhando os efeitos da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro.
Segundo o Banco Central, os dados serão analisados continuamente para avaliar os impactos da medida sobre a economia e sua influência nas decisões futuras.
Resumo
O Banco Central iniciou o ciclo de corte da Selic com cautela e indicou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional. O ambiente de incerteza reforça a adoção de decisões graduais e baseadas em dados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões
As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.
Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.
As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.
No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.
O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.
A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.
A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.
Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.
O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.
A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.
Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.
O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.
Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.
O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.
No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.
Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.
A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.
Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.
Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.
Fonte: Pensar Agro
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