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Tomaticultura no Brasil avança com tecnologia e maior participação feminina no campo

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Transformação tecnológica fortalece a produção de tomate

A produção de tomate no Brasil vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos. Entre custos elevados, pressão de doenças e exigências crescentes de produtividade, os produtores têm recorrido à genética avançada, novas estratégias de manejo e soluções biológicas para manter a viabilidade da cultura.

Segundo a agrônoma Kelly Batista, diretora de operações do Grupo Batista, que atua em Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, com cerca de 150 hectares cultivados, “quem está na atividade precisa tomar decisões muito precisas, principalmente na escolha de variedades, manejo nutricional e controle de doenças”.

Inovação na escolha de sementes e manejo das lavouras

Um dos avanços mais relevantes da tomaticultura brasileira, segundo Kelly, está na incorporação de tecnologias diretamente nas lavouras. Entre elas estão:

  • Uso de porta-enxertos avançados
  • Fertirrigação estratégica
  • Análises nutricionais feitas diretamente no campo
Aplicação de produtos biológicos para controle de pragas e doenças

A escolha da semente se tornou estratégica. O tomate híbrido Turim, da TSV Sementes, é citado como exemplo, combinando alta produtividade com resistência a doenças como begomovírus e geminivírus. “O Turim F1 trouxe resistência sem abrir mão da produtividade. Antes, era preciso escolher entre produção ou resistência”, destaca Kelly.

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Essas tecnologias permitem aos produtores manter a competitividade e garantir que a tomaticultura siga viável frente aos investimentos exigidos pela atividade.

Crescente presença feminina na cadeia do tomate

Além dos avanços tecnológicos, a presença feminina tem se expandido em todos os elos da cadeia produtiva do tomate, da produção à comercialização. Kelly Batista observa que “as mulheres estão presentes na colheita, embalagem, venda, reposição e funções técnicas, tornando-se indispensáveis para o setor”.

Ela destaca que diferentes habilidades se complementam no trabalho agrícola. “A atenção aos detalhes, comum no trabalho feminino — no amarrio, desbrote e cuidado com a planta — soma-se à força masculina, fortalecendo o trabalho no campo”, explica.

Desafios culturais e futuro do agronegócio

Apesar do progresso, Kelly ressalta que ainda existem desafios culturais para ampliar a participação feminina em funções técnicas e de liderança. Um dos pontos centrais é a divisão da dupla jornada familiar.

“Quando uma técnica precisa viajar para visitar lavouras, participar de decisões ou estudar, é necessário que as responsabilidades domésticas sejam compartilhadas. É uma discussão delicada, mas essencial para o futuro do setor”, afirma a agrônoma.

Segundo Kelly, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal permitirá que mais mulheres ocupem posições estratégicas no agronegócio, garantindo inovação e sustentabilidade na produção de tomates no Brasil.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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