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Com área pertencente à União, governo do Acre avança na regularização do Calçadão da Gameleira

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O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), tem adotado medidas pautadas na legalidade e na segurança jurídica em relação às intervenções de infraestrutura no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco. O espaço é de grande relevância histórica, cultural e simbólica para a capital acreana.

Reconhecido como marco inicial da fundação de Rio Branco, em 1882, o local sempre contou com a atuação colaborativa do Estado na manutenção da infraestrutura e no apoio a ações voltadas ao turismo e à geração de renda. No entanto, um novo entendimento jurídico e administrativo passou a orientar a gestão da área.

Estrutura sendo montada por toda a extensão da Gameleira, onde o Carnaval 2024 foi realizado. Foto: Ingrid Andrade/Secom

De acordo com manifestação formal da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), em torno de 80% da área da Gameleira corresponde a terreno de domínio da União. A definição foi reforçada em reunião realizada em janeiro de 2026, com a participação de diversos órgãos estaduais e municipais, estabelecendo que qualquer intervenção no local depende de autorização prévia do órgão federal, enquanto não houver formalização de cessão de uso ao Estado.

Com base nesse cenário, e seguindo orientação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o governo do Acre passou a não realizar intervenções diretas na área, como forma de garantir o respeito às competências legais e evitar a aplicação irregular de recursos públicos.

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Deck do Calçadão da Gameleira revitalizado pela Seop, responsável por diversas obras e ações de infraestrutura em todo o estado. Foto: Ascom/Seop

O gestor da pasta de Obras Públicas, Ítalo Lopes, destacou que a decisão está fundamentada no compromisso com a correta gestão dos recursos e com a observância das normas legais.

“A atuação do Estado sempre foi guiada pelo interesse público e pela valorização da Gameleira. Neste momento, seguimos rigorosamente as orientações jurídicas para assegurar que qualquer intervenção ocorra com o devido respaldo legal, garantindo transparência e segurança na aplicação dos recursos públicos”, afirmou.

Brincadeiras, música e cultura marcam Fim de Ano da Família na Gameleira, em 2025. Foto: Alice Leão/Secom

A Secretaria de Estado de Governo (Segov) manifestou concordância com as medidas adotadas e reforçou o alinhamento institucional entre os órgãos estaduais, destacando o esforço conjunto para viabilizar uma solução definitiva para a área.

Expectativa cultural, turística e econômica do governo

A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) também recebeu com estranheza e surpresa a manifestação da SPU, por sempre ter realizado eventos culturais no local. Contudo, informou que age de forma célere para acelerar o processo administrativo para formalização do Termo de Cessão de Uso à fundação. O documento já se encontra devidamente instruído e apto para prosseguimento, tendo sido encaminhado com urgência à Secretaria de Estado de Administração (Sead).

Arraial Cultural da Gameleira, em 2025. Na ocasião, quadrilha fez representação do principal afluente do estado, povos originários e ribeirinhos. Foto: Ingrid Kelly/Secom

A FEM projeta continuar fomentando atividades de múltiplas vertentes, assegurando a utilização do espaço para fins culturais, esportivos e de convivência, priorizando o uso comum pela sociedade civil, bem como garantir o suporte físico e administrativo para a execução do calendário tradicional de eventos de grande porte e manifestações populares, englobando Carnaval, festas juninas, celebrações de Natal e Réveillon, impulsionando as cadeias da economia criativa e da economia solidária.

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A expectativa do governo do Estado é que, após a formalização da cessão de uso, a gestão do espaço passe a ser exercida de forma regular pela Fundação de Cultura Elias Mansour, permitindo também a retomada das ações de manutenção, preservação e valorização do Calçadão da Gameleira, em benefício da população acreana.

Eventos são oportunidades para empreendedores atenderem ao público com uma diversidade de comida típicas e brincadeiras. Foto: Josciney Bastos/Secom

Ao mesmo tempo em que reafirma o respeito às normas legais e à divisão de competências entre os entes federativos, o governo do Acre evidencia seu compromisso com a preservação e valorização do Calçadão da Gameleira, um dos mais importantes marcos históricos da capital.

“A nossa gestão segue empenhada em construir, de forma dialogada e responsável, as soluções necessárias para a regularização da área, com o objetivo de retomar plenamente as ações de manutenção e fortalecimento do espaço, garantindo que ele continue cumprindo seu papel como referência cultural, turística e econômica para a população acreana”, ressaltou a governadora Mailza Assis.

Fonte: Governo AC

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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre

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Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.

Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

Sapo de cor verde brilhante vive principalmente na selva amazônica do Acre. Foto: Cleiton Lopes/Secom

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.

“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Cacique Mõcha Noke Koî segura o animal demonstrando respeito. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.

“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

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Preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.

Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.

“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

Primeiro Festival Noke Koî – União dos Povos. Foto: Cleiton Lopes/Secom

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

Brincadeiras do Festival Noke Koî. Foto: Cleiton Lopes/Secom

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

Titular da Secretaria de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara destaca que a medicina tradicional está ligada à preservação das matas.  Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.

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Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.

“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Preservar o kambô, para os povos indígenas do Acre é manter viva uma sabedoria ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Povos indígenas do Acre contribuem para a preservação da floresta em pé. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.

Fonte: Governo AC

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