TJ AC
3º Mutirão Pop Rua Jud é realizado no bairro Seis de Agosto com saúde e cidadania para população de rua
TJ AC
Ação interinstitucional reduz invisibilidade e garante direitos no Acre
Fidelcino Marques de Sousa estava sentado na calçada da praça da Caixa d’Água, no bairro Seis de Agosto, situado no Segundo Distrito da capital acreana. Ele é cego, tem 64 anos de idade e foi abordado pela equipe do Consultório na Rua com a oferta de serviços disponíveis no 3º Mutirão Pop Rua Jud, promovido pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).
Ele falou que sente muita dor no “pé da barriga” e logo foi conduzido até o atendimento. Fidelcino afirmou que está com consulta agendada para julho na Fundação Hospital Estadual do Acre. Seu olho esquerdo recebeu transplante de córnea há um ano, mas ele acredita que o procedimento foi arruinado porque comeu manga. Faz seu tratamento com um colírio antibiótico; por isso, precisa de receita e, assim, retorna de tempos em tempos ao médico.
Quando trabalhava na fazenda, estava roçando e “um esporão de taboca” acertou seu olho, o que o fez perder a visão. Em suas palavras, disse que logo depois a visão do outro olho também foi sumindo. Quando ficou cego, não conseguiu mais trabalhar e por isso foi morar na rua. Enquanto conversava, um vendedor da loja que fica na rua de trás passou e gritou: “Ei, Capixaba”. A partir do seu apelido, ele compartilhou que nasceu em Ecoporanga, município do Espírito Santo, e já está no Acre há 36 anos.
Foi resgatado das ruas e levado para a Casa de Apoio Dona Elza, onde ficou um ano e meio. Lá, conseguiu ter acesso à aposentadoria e agora mora sozinho em uma casa alugada no bairro Seis de Agosto. Ele saiu da situação de rua, mas ainda vive em condições precárias. Contudo, agora também passará a ser acompanhado pelas equipes que integram o Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas Judiciais de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (Commi) do TJAC, e novos encaminhamentos devem alcançá-lo.


Para além da invisibilidade
Com o público de pessoas em situação de rua, a abordagem é diferenciada. Muitos precisam ser convencidos a estabelecer contato verbal. Afetados pela hipervulnerabilidade, é conversando de um em um que os atendimentos começam.
Uma prioridade do 3º Mutirão Pop Rua Jud é aproximar o poder público das pessoas que mais precisam. A coordenadora do Commi, juíza Isabelle Sacramento, elencou os serviços de saúde básica, assistência social e psicologia que estavam disponíveis, e destacou a importância das triagens realizadas pelas equipes e do atendimento do ônibus Justiça sobre Rodas. A magistrada explicou que as ações serão continuadas no dia 4 de maio, com outro Mutirão Pop Rua Jud focado em aposentadorias e emissão de documentos.
A chefe do Núcleo de Direitos Humanos da População Imigrante, Refugiada, em Situação de Rua e Saúde Mental (Nupirps), defensora pública Flávia Nascimento, dialogou com as pessoas que aguardavam atendimento. “Esta ação que o Tribunal está trazendo colabora com a atenção básica de saúde, que é o primeiro atendimento. Aqui a gente vai verificar o que é necessário, o que eles necessitam, para então poder encaminhar para a média e alta complexidade, se necessário. A Defensoria Pública está aqui para acompanhar esse atendimento, verificar se há necessidade de judicialização e, assim, garantir o acesso a direitos”, explicou.
De acordo com o gerente de Proteção Social da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, Gabriel Ferreira, houve uma redução da população de rua em Rio Branco. Em 2025, havia mais de 600 pessoas e atualmente são 558 cadastrados no Centro POP. O gestor explica que isso se deu porque muitos foram encaminhados para centros terapêuticos e outros, com o acompanhamento institucional, retornaram para suas famílias.




Entre os parceiros da iniciativa, estava presente a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Acre, desembargadora Waldirene Cordeiro, que falou sobre cidadania: “É preciso tirar essas pessoas da invisibilidade. A Constituição mostra o caminho de que temos que enxergar o semelhante, e muitos deles estão na rua. Então, esse é um trabalho de todos. Nos atendimentos de hoje, estamos entregando também saúde, cidadania e dignidade. O TRE trouxe serviços de biometria e regularização de título de eleitor, lembrando que este é um ano de eleições”.
A solenidade de abertura do evento se encerrou com o discurso do representante do Movimento das Pessoas em Situação de Rua, Josemir Baiano. A liderança agradeceu a prestação de serviços e sua integração ao Comitê de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (Commi). “Aqui todos nós somos parceiros, e para a gente é muito gratificante essa ação. Ela representa muita coisa na vida da gente. A política pública só se constrói com união. Muitas pessoas estão dormindo no papelão, na sarjeta, precisam de assistência. Só sabe quem já passou por lá, só vai sentir quem já passou. Quem não passou só vai ter uma conclusão de como é a vida das pessoas em situação de rua, por isso deixo aqui nossas palavras para que a gente não seja esquecido”.
Também participaram da ação: Ilanna Jerônimo, representando a Justiça Federal; o vereador Raimundo Neném, representando a Assembleia Legislativa do Acre; Gliciane Miranda, coordenadora da ação Consultório na Rua da Secretaria Municipal de Saúde; Ivan Ferreira, secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos; Bruna Oliveira, do Ministério Público; Álvaro Mendes, diretor de Justiça e Integração Social da Secretaria de Justiça e Segurança Pública; a coordenadora da Associação de Redução de Danos do Acre, Elisangela Maffi; Tânia Carvalho, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seccional Acre; e a assistente social da Secretaria de Estado de Habitação e Urbanismo, Talita Lima.



















Fotos: Gleilson Miranda/ Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC participa da inauguração da Escola Estadual de Defesa do Consumidor
Órgão realizará formações com intuito de difundir conhecimentos para ampliar a garantia de direitos e estabelecer relações mais justas na área
O presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) participou nesta sexta-feira, 18, da inauguração da Escola Estadual de Defesa do Consumidor. O local tem o objetivo de contribuir com a disseminação de conhecimento na área para ampliar a garantia de direitos.
A escola é um órgão vinculado ao Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre (Procon/AC), com a missão de formar cidadãs e cidadãos informados, conscientes e protegidos. Entre os assuntos que devem ser abordados na instituição estão: educação financeira, consumo consciente, superendividamento e segurança no consumo. Além disso, a proposta da escola também é criar canais de diálogo com empresas e fornecedores para a construção de relações mais pacíficas e articuladas à política de defesa desses direitos.
Paralelamente, o Judiciário do Acre tem uma atuação que, além dos julgamentos, visa educar, conscientizar e promover mediação e conciliação para resolver essas questões por meio de soluções pacíficas. Esse trabalho é realizado por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).
Para o presidente do TJAC, ambientes educacionais são essenciais para a prevenção e a construção de uma sociedade mais consciente de seus direitos. “A proteção dos direitos do consumidor é uma missão que todas as instituições de Estado têm que ter com as pessoas que buscam um produto ou um serviço. E nós temos essa responsabilidade de atender bem, de conscientizar para que as pessoas sejam consideradas e respeitadas. O Tribunal de Justiça vê com bons olhos a instituição de uma escola de defesa do consumidor como mais um instrumento para consolidar direitos das cidadãs e dos cidadãos, para que tenham autonomia, capacidade de analisar tudo que está à sua disposição”, comentou Nogueira.
A presidente do Procon/AC, Alana Albuquerque, agradeceu pelas parcerias que possibilitaram concretizar a escola e ressaltou a importância de instalar uma unidade educacional: “Defender o consumidor também é orientar, educar e conscientizar. Essa é uma estrutura para ser referência. A informação é a melhor forma de proteger o consumidor. Um consumidor informado conhece seus direitos e tem relações mais justas. Prevenir e proteger o consumo por meio da educação. Essa escola representa investimento em cidadania”.
Durante o ato, ainda foi assinado um protocolo de intenções com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para o aperfeiçoamento e a difusão de conhecimentos na área. Após a cerimônia de inauguração, o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, palestrou sobre a história da defesa do consumidor no Brasil e também sobre o percurso de criação dessas escolas. Em seu discurso, ele teceu uma crítica aos sistemas de apostas online, que geram superendividamento, prejudicando a vida das pessoas.
“Criar um espaço para divulgar conhecimento, divulgar informação e permitir que consumidores tenham acesso a essas informações é permitir que eles possam proteger a si mesmos; é quando a gente cria pessoas inteiras, cidadãs que vão contribuir com o crescimento e o desenvolvimento do nosso país. O Procon/AC vai ser ponto de debate de temas que incomodam o consumidor brasileiro, como são as apostas de cotas fixas, as bets, especialmente as irregulares, que tanto têm afetado e prejudicado a vida do consumidor, porque têm a ver com fraude, com golpe, com engano do consumidor, com lavagem de dinheiro”.













Fotos Gleilson Miranda / Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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