AGRONEGÓCIO
Mercado do milho segue pressionado no Brasil, enquanto contratos futuros avançam na B3 e refletem cenário externo
AGRONEGÓCIO
O mercado de milho no Brasil mantém um cenário de baixa liquidez e pressão sobre os preços neste início de abril de 2026, enquanto os contratos futuros negociados na B3 apresentam recuperação, acompanhando fatores externos como câmbio e cotações internacionais. As informações são baseadas em análises recentes da TF Agroeconômica.
Mercado físico segue travado com baixa liquidez
No mercado interno, o ritmo de comercialização continua lento, com negociações pontuais e dificuldade de fechamento de negócios. O principal fator é o desalinhamento entre os preços pedidos pelos produtores e os valores ofertados pelos compradores.
De acordo com a TF Agroeconômica, esse cenário reflete o avanço da colheita e a maior disponibilidade do cereal, somados à demanda ainda moderada por parte das indústrias.
Em diversas regiões do país, esse impasse limita o volume de negócios e mantém o mercado praticamente travado.
Preços pressionados nas principais regiões produtoras
As cotações do milho seguem pressionadas, com variações regionais relevantes:
- No Rio Grande do Sul, os preços giram próximos de R$ 60,00 por saca, com recuos recentes;
- Em Santa Catarina, vendedores pedem cerca de R$ 75,00, enquanto compradores ofertam em torno de R$ 65,00;
- No Paraná, a diferença entre pedidas (R$ 70,00) e ofertas (R$ 65,00) também limita os negócios;
- No Mato Grosso do Sul, os preços recuaram para a faixa entre R$ 53,00 e R$ 54,00 por saca, pressionados pela maior oferta.
Esse cenário reforça o ambiente de cautela, com compradores atuando de forma estratégica e utilizando estoques próprios.
Contratos futuros avançam e indicam reação do mercado
Apesar da fraqueza no mercado físico, o milho apresenta desempenho positivo na B3. Os contratos futuros registram valorização, sustentados principalmente pela alta do dólar e pelo movimento das cotações internacionais.
Entre os principais vencimentos:
- Março/2026: cerca de R$ 72,50 por saca;
- Maio/2026: próximo de R$ 72,70 por saca;
- Julho/2026: ao redor de R$ 70,60 por saca.
O avanço reflete também a influência do mercado internacional, especialmente da Bolsa de Chicago, além de ajustes técnicos e maior interesse comprador em determinados momentos.
Cenário externo e câmbio seguem como fatores-chave
O comportamento do milho no Brasil continua fortemente atrelado a fatores externos. A valorização do dólar frente ao real aumenta a competitividade do produto brasileiro, enquanto oscilações em Chicago impactam diretamente a formação de preços.
Além disso, o mercado acompanha:
- A demanda global por grãos e biocombustíveis;
- O ritmo de exportações;
- As condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Esses elementos têm sustentado as recentes altas nos contratos futuros, mesmo diante da fraqueza no mercado interno.
Perspectivas: mercado ainda cauteloso no curto prazo
A tendência de curto prazo para o milho segue marcada por cautela. A expectativa é de continuidade da pressão sobre os preços no mercado físico, especialmente com o avanço da colheita e a entrada de maior volume no mercado.
Por outro lado, o comportamento das bolsas e do câmbio pode continuar oferecendo suporte aos preços futuros, criando oportunidades estratégicas para comercialização.
Segundo a TF Agroeconômica, o momento exige atenção redobrada dos produtores e agentes do setor, com foco em estratégia de venda e gestão de risco diante de um mercado ainda volátil e dependente de fatores externos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.
O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.
Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade
A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.
Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas
No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.
O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.
Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.
A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.
Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado
Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.
A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.
Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.
Desafios estruturais e competitividade
Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.
A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.
Cenário político e limites do acordo
Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.
Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.
Perspectivas para o agro brasileiro
A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.
A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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