AGRONEGÓCIO
Cortes no orçamento de agências reguladoras acendem alerta no agronegócio
AGRONEGÓCIO
As recentes restrições orçamentárias impostas às agências reguladoras federais intensificaram a preocupação de setores estratégicos da economia, especialmente o agronegócio. A redução de recursos ameaça comprometer atividades essenciais como fiscalização, regulação técnica e previsibilidade — pilares fundamentais para a atração de investimentos e o funcionamento eficiente das cadeias produtivas.
Impactos diretos em áreas-chave do agro
O agronegócio mantém forte dependência de órgãos reguladores que atuam em áreas como sanidade, energia, transporte e insumos. Entre os mais relevantes estão a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, cujas decisões impactam diretamente a produção, o abastecimento e os custos no campo.
Com menor capacidade operacional, cresce o risco de atrasos em análises técnicas, redução de fiscalizações e insegurança jurídica — fatores que podem afetar desde o produtor rural até grandes investidores do setor.
Agências se mobilizam contra novos cortes
Diante do cenário, as 11 agências reguladoras federais articulam uma mobilização conjunta para barrar novos contingenciamentos e ampliar sua autonomia administrativa e financeira. Entre as estratégias, está a tentativa de derrubar um veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que restringe a proteção dos orçamentos dessas entidades.
Além disso, projetos em tramitação no Congresso Nacional buscam garantir maior independência financeira às autarquias, reduzindo a vulnerabilidade a bloqueios orçamentários ao longo do ano.
Histórico recente de contingenciamentos preocupa
O aperto fiscal já vem sendo sentido. Em 2025, cerca de R$ 1 bilhão — aproximadamente 20% do orçamento total das agências — foi contingenciado. Para 2026, um novo decreto já bloqueou R$ 84,6 milhões de órgãos como a Agência Nacional de Saúde Suplementar e a Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Segundo dirigentes, os cortes impactam diretamente contratos, convênios, ações de fiscalização e a capacidade de resposta das instituições frente a demandas regulatórias cada vez mais complexas.
TCU cobra solução e governo cita limitações fiscais
O Tribunal de Contas da União já atuou para impedir o congelamento de recursos destinados a custeio e fiscalização, além de cobrar do governo federal a apresentação de um plano que assegure maior autonomia financeira às agências.
Por outro lado, o Ministério do Planejamento e Orçamento afirma que as demandas precisam ser analisadas dentro do processo orçamentário regular, respeitando as limitações fiscais da União.
Segurança regulatória entra no radar do setor
Para o agronegócio, o cenário reforça a necessidade de estabilidade institucional e previsibilidade regulatória. A fragilização das agências pode gerar efeitos em cadeia, afetando desde a liberação de insumos até investimentos em infraestrutura e energia — elementos essenciais para a competitividade do agro brasileiro no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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