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Mãe, obrigado por nunca ter dito pra mim que homem não chora
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Do outro lado da linha, emergia a voz:
– Mãe, obrigado por nunca ter dito pra mim que homem não chora. Porque hoje eu chorei.
Susto. Silêncio. E correnteza vigorosa de emoções no peito da mulher. As mais intensas, alegria e gratidão, “seja qual tenha sido o motivo do pranto”.
Por quê? Conhecia ela quanta coragem é necessária para sentir, sem fuga, uma dor, uma tristeza, frustração, raiva ou medo, quanta envergadura pessoal demanda pisar no terreno irregular dos conflitos internos e externos, encarando a luz e a sombra que habitam as paisagens da alma.
Essa competência faz das lágrimas vertidas pela humanidade de cada um, esteja dolorida ou glorificada, uma das produções mais genuínas que se pode experimentar. E, por equanimidade, também torna as satisfações mais intensas.
Se meu jovem filho sabe chorar – recurso desde cedo proibido a tantos homens, reverberando efeitos tão nocivos sobre si e sobre os demais – significa que aprendeu a dar vazão aos seus sentimentos, verificou. E boa vazão, pois essa permissão consciente e respeitosa a si próprio, que ele admite com naturalidade, não fere ninguém e banha de serenidade seu coração. O que torna muito mais fácil a tarefa de refletir sobre suas questões, organizar suas ideias, buscar apoio se necessário, tomar decisões e encaminhar sua vida de um modo sempre mais gratificante.
Imaginou que certamente ele chorara outras vezes, mas naquele dia, talvez, tenha se dado conta de que a feliz possibilidade era fruto da antiga lavra familiar de afeto, atenção, liberdade, diálogo e apoio, que serviram de continente à sua emoção.
Que estado de paz, doçura e júbilo saboreava a mulher. Acabara de receber a prova de que, no rico e exigente ofício da maternidade, a que dedicara com honestidade o melhor que pôde, escolhera um caminho profícuo.
De modo que atribuía, à declaração de reconhecimento que o filho agora lhe entregava, a qualidade de dádiva preciosa, diante do que a qualquer outra preocupação destinaria posto secundário, pois sabia: “Ele dá conta do recado”.
E pondo fim ao breve e intenso momento em que nada disseram:
– Obrigada por confiar em mim, relatando algo tão importante e profundo da sua vida. Você gostaria de me contar o que motivou seu choro?
– Não.
– Está bem. Saiba que estou muito contente em constatar o ser humano forte e belo que você está se tornando.
– Obrigado, mãe.
– Se precisar, estou por aqui.
– Eu sei.
Onides Bonaccorsi Queiroz é jornalista, escritora e contadora de histórias. Atua como gestora de políticas públicas do Estado do Acre
Fonte: Governo AC
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Realizado pelo governo do Acre, evento sobre igualdade de gênero e liderança feminina com a ministra Cármen Lúcia e a coronel Marta Renata reúne centenas de pessoas
Centenas de pessoas participaram, nesta quinta-feira, 25, do evento “Vamos falar de igualdade de gênero e liderança feminina”, realizado pelo governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Governo (Segov), como parte do programa Desperte a Liderança que Existe em Você.
A programação foi marcada por palestras emocionantes e inspiradoras que tocaram o público presente. A primeira com a comandante-geral da Polícia Militar do Acre, coronel Marta Renata, seguida da palestra proferida pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia.

Sediado no auditório da OAB-Acre, o encontro reuniu autoridades, estudantes e representantes de diversas instituições em um momento de reflexão, aprendizado e inspiração sobre os avanços e desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade brasileira.
Ao dar as boas-vindas aos participantes, o secretário de Governo, Luiz Calixto, destacou o momento histórico vivido pelo Acre e a importância de ampliar os espaços de participação feminina.
“O Acre vive um momento histórico. Pela segunda vez em 64 anos de autonomia política, temos uma mulher à frente do governo do Estado. Esse contexto nos convida a fortalecer cada vez mais a liderança feminina e a ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão”, afirmou.

O secretário também ressaltou o compromisso da gestão estadual com o fortalecimento das lideranças femininas e enalteceu a governadora Mailza Assis, que não pôde estar presente por cumprir agenda internacional durante a Semana do Meio Ambiente, em Londres.
Entre as autoridades estavam a ex-governadora Iolanda Fleming, primeira mulher a governar um estado brasileiro; a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), desembargadora Waldirene Cordeiro; a deputada federal Antônia Lúcia; a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim/AC), Geovana Castelo Branco; representantes da OAB Acre, do Ministério Público do Acre (MPAC) e do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, além de estudantes e professores dos cursos de Direito da Universidade Federal do Acre (Ufac), da Faculdade Anhanguera e da Estácio Unimeta.

Também participaram do evento a secretária de Estado da Mulher, Simone Santiago; a secretária dos Povos Indígenas, Francisca Arara; a presidente do Procon-Acre, Alana Albuquerque, entre outros servidores de órgãos e instituições e o público interessado na temática.
Em sua palestra, a coronel Martha Renata compartilhou os desafios enfrentados para se tornar a primeira mulher a comandar a Polícia Militar do Acre e refletiu sobre as barreiras culturais que ainda limitam a ascensão feminina aos espaços de poder.
“Ser a primeira mulher a comandar a Polícia Militar do Acre é uma honra, mas também uma grande responsabilidade. Sei que minha trajetória abre caminhos para que outras mulheres possam sonhar e ocupar espaços que durante muito tempo lhes foram negados”, destacou.

Ao abordar as desigualdades de gênero, a comandante-geral chamou atenção para a forma como a autoridade feminina ainda é percebida pela sociedade. “Muitas vezes, a sociedade legitima a autoridade da mulher apenas quando ela está restrita ao ambiente doméstico e familiar. Quando ela ocupa espaços de poder e decisão, ainda enfrenta resistência e preconceito”.
A coronel também destacou a necessidade de reconhecer a contribuição das mulheres em todos os setores. “As atividades desempenhadas pelas mulheres não são invisíveis. Elas são invisibilizadas. Existe uma diferença importante entre não existir e não ser reconhecida”.

Em sua palestra, a ministra Cármen Lúcia abordou a trajetória das mulheres na conquista de direitos e espaços de liderança. Segundo ela, embora a Constituição Federal estabeleça a igualdade entre homens e mulheres, essa ainda não é uma realidade plena no Brasil. “A luta por espaços de liderança continua porque a igualdade ainda não aconteceu. É um processo lento, que exige persistência e compromisso permanente.”
A ministra destacou ainda que a defesa dos direitos das mulheres não é uma pauta concluída, mas uma construção contínua da sociedade. “A luta por direitos é uma conquista permanente.”
Ao tratar da violência contra a mulher, Cármen Lúcia classificou o feminicídio como uma das maiores mazelas sociais da atualidade. Em um dos momentos mais emocionantes da palestra, declarou: “Os homens podem parar de nos matar, porque nós decidimos que não vamos morrer.”

A ministra também refletiu sobre as diversas formas de discriminação ainda presentes no cotidiano e sintetizou sua mensagem em uma frase que deu o tom do encontro: “O preconceito se passa pelo olhar”, disse.
Realizado por meio do programa Desperte a Liderança que Existe em Você, o evento reafirmou o compromisso do governo do Acre com o fortalecimento da liderança feminina, a promoção da igualdade de gênero e a ampliação dos espaços de participação das mulheres na sociedade.
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Foto: Ingrid Kelly/Secom
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