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Escassez de etileno industrial preocupa setor de frutas e impulsiona produção local para amadurecimento

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Mercado global pressiona fornecimento de etileno para o setor de frutas

A crescente instabilidade no mercado global de energia e petroquímicos está elevando a preocupação de empresas ligadas ao amadurecimento de frutas frescas. A oferta de etileno industrial, gás essencial para o processo de amadurecimento, enfrenta aumento de custos, volatilidade de preços e riscos de abastecimento em diferentes regiões do mundo.

O cenário tem levado operadores da cadeia de produtos frescos a revisarem suas estratégias de fornecimento, em busca de maior previsibilidade operacional e menor dependência do mercado petroquímico internacional.

Etileno industrial depende da cadeia petroquímica global

O etileno utilizado em sistemas convencionais de amadurecimento é produzido a partir de petróleo e gás natural por meio de processos petroquímicos.

No mercado global, porém, a maior parte da produção é destinada a grandes segmentos industriais, como fabricação de plásticos e produtos químicos. O amadurecimento de frutas representa apenas uma pequena parcela do consumo total da commodity.

Isso faz com que o setor de frutas fique exposto às oscilações de demanda e às prioridades de indústrias muito maiores.

Segundo Greg Akins, presidente e CEO da Catalytic Generators, essa dependência aumenta a vulnerabilidade das operações.

“O etileno industrial é produzido principalmente para aplicações petroquímicas em grande escala, sendo que o amadurecimento de frutas requer uma quantidade relativamente pequena. Isso significa que as operações de amadurecimento dependem de uma cadeia de suprimentos impulsionada por outras indústrias”, afirma.

Tensões geopolíticas elevam risco de escassez e alta de preços

As tensões geopolíticas e os impactos sobre os mercados de energia vêm agravando a instabilidade do fornecimento de etileno em algumas regiões, especialmente na Ásia.

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Com restrições de oferta e avanço dos preços, empresas de amadurecimento passaram a enfrentar maior dificuldade para garantir suprimento contínuo do gás, essencial para frutas como bananas, abacates e cítricos.

A preocupação do setor envolve não apenas o custo, mas também a previsibilidade operacional, já que qualquer interrupção no fornecimento pode comprometer cronogramas logísticos e qualidade dos produtos.

Produção local de etileno ganha força como alternativa

Diante desse cenário, cresce o interesse por soluções de geração local de etileno dentro das próprias câmaras de amadurecimento.

A Catalytic Generators destaca que sistemas de produção sob demanda permitem reduzir a dependência das cadeias externas de abastecimento e minimizar os efeitos das oscilações do mercado petroquímico.

Entre as tecnologias oferecidas pela companhia está o sistema Easy-Ripe®, que produz etileno diretamente no local de amadurecimento por meio da formulação Ethy-Gen® II, derivada de fontes renováveis.

Segundo a empresa, o modelo permite maior controle operacional, previsibilidade e segurança de abastecimento.

Operadores buscam mais segurança e continuidade operacional

De acordo com Akins, empresas do setor vêm demonstrando interesse crescente em estratégias que ampliem a resiliência operacional.

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Em alguns mercados asiáticos afetados por restrições recentes, operadores passaram a considerar tanto a migração para sistemas alternativos quanto a adoção de fontes secundárias de fornecimento de etileno.

A movimentação reflete uma preocupação crescente com a continuidade das operações diante das incertezas do mercado internacional.

Sustentabilidade e eficiência entram no centro das decisões

Além da segurança de abastecimento, a geração local de etileno também surge como alternativa alinhada às demandas de eficiência e sustentabilidade.

Ao produzir o gás diretamente na câmara de amadurecimento, as empresas reduzem dependência logística, diminuem exposição às oscilações externas e mantêm maior estabilidade no processo de maturação das frutas.

A tendência acompanha um movimento mais amplo do setor agroalimentar, que busca tecnologias capazes de unir eficiência operacional, gestão de risco e redução de vulnerabilidades na cadeia global.

Panorama

O avanço das incertezas no mercado petroquímico internacional está mudando a dinâmica do fornecimento de etileno para o setor de frutas frescas. Com maior pressão sobre preços e disponibilidade, operadores de amadurecimento ampliam investimentos em soluções locais de geração do gás, buscando mais controle, previsibilidade e segurança operacional em um ambiente global cada vez mais instável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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