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Aleac promove audiência pública para debater dignidade menstrual no Acre

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A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) realizou na manhã desta segunda-feira (1º), uma audiência pública para discutir o tema “Dia de Alusão à Dignidade Menstrual”. O debate aconteceu no Plenário do Poder Legislativo e teve como objetivo ampliar a discussão sobre políticas públicas voltadas à saúde menstrual, ao combate à pobreza menstrual e à garantia de direitos para mulheres, adolescentes e pessoas que menstruam.

O encontro foi proposto pelo deputado Adailton Cruz (União/PP), por meio do Requerimento nº 38/2026, e reuniu representantes do poder público, instituições, profissionais da saúde, educadores, movimentos sociais e a sociedade civil para discutir avanços e desafios relacionados ao acesso a produtos de higiene menstrual e à promoção da saúde feminina. A iniciativa reforça a importância de tratar a dignidade menstrual como uma questão de saúde pública, educação e inclusão social.

Nos últimos anos, o tema tem ganhado espaço nas discussões nacionais devido ao impacto da pobreza menstrual na vida de milhares de meninas e mulheres brasileiras, que enfrentam dificuldades para acessar produtos básicos de higiene, situação que pode comprometer a frequência escolar, a saúde e a qualidade de vida.

Na abertura da audiência pública, o deputado Adailton Cruz destacou a importância de ampliar o debate sobre a dignidade menstrual e fortalecer as políticas públicas voltadas à saúde da mulher. Segundo ele, apesar dos avanços já conquistados, o tema ainda é cercado por preconceitos e falta de compreensão. “Estamos realizando esta primeira audiência pública para debater um tema de extrema relevância que, muitas vezes, a sociedade fecha os olhos. Apesar dos avanços já existentes, ainda há muito a ser feito para fortalecer e apoiar as mulheres”, afirmou.

O parlamentar também ressaltou que a menstruação envolve aspectos biológicos, emocionais e sociais que precisam ser considerados pelo poder público. Para ele, é necessário garantir acolhimento e assistência adequada às mulheres durante esse período. “Toda alteração biológica, de humor, as dores e os desafios enfrentados pelas mulheres precisam ser compreendidos. O poder público tem que apoiar tanto com legislação efetiva quanto com suporte adequado em saúde, seja psicológico ou por meio de outras políticas de assistência”, enfatizou.

Em seguida, a presidente da Associação Mãe da Mata, Iwlly Cristina, falou dos avanços conquistados nos últimos anos na promoção da dignidade menstrual no Acre e ressaltou a importância da atuação conjunta entre instituições públicas e organizações da sociedade civil. Segundo ela, o trabalho desenvolvido pela entidade desde 2020 já beneficiou mais de 500 mulheres com kits menstruais sustentáveis, além de promover ações de educação menstrual e geração de renda. “Esses avanços fazem parte de um trabalho coletivo que todo mundo que está aqui tem contribuído. É esse fortalecimento que estamos construindo juntos que tem dado corpo para a mudança que a gente tanto precisa”, afirmou.

Iwlly também chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre saúde menstrual nas escolas e investir em novas tecnologias que garantam mais qualidade de vida às mulheres. “As meninas antes menstruavam com 10, 11 ou 12 anos e hoje muitas menstruam ainda na terceira série. Precisamos dialogar sobre esses assuntos e apresentar outras tecnologias menstruais, mais sustentáveis e adequadas para diferentes fases da vida. A educação menstrual emancipatória é a base para que possamos avançar cada vez mais nessa pauta”, destacou.

Em sua fala, Iunaira de Souza Cavalcante, Enfermeira, Pesquisadora e Educadora Menstrual, destacou que a dignidade menstrual ainda é um tema invisibilizado por tabus históricos, sociais e culturais, apesar de impactar diretamente a vida de milhares de mulheres em situação de vulnerabilidade. Ela lembrou que, desde a criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, em 2021, avanços importantes vêm sendo construídos, mas ressaltou que ainda há um longo caminho a percorrer. “Falar de menstruação não deveria ser, mas ainda é um tema invisível. É uma pauta que acompanha todas as mulheres e pessoas que menstruam, e não temos como fingir que ela não existe”, afirmou.

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Durante sua participação, Iunaira também destacou o trabalho desenvolvido por educadoras menstruais e entidades parceiras no Acre, enfatizando a importância da conscientização e da formação para transformar realidades. “Somos pioneiras nesse debate de forma oficial no Estado e acreditamos que podemos, sim, modificar algumas realidades, principalmente das mulheres mais vulneráveis. É muito gratificante ver que estamos formando parceiros e fortalecendo uma rede que permite avançar cada vez mais nessa pauta”, ressaltou.

Durante o debate, Isabela Sóbrinho, Conselheira da Federação Nacional dos Farmacêuticos (FENAFAR), destacou a importância de ampliar o acesso à informação e aos serviços públicos relacionados à saúde menstrual e ao desenvolvimento infantil. Ela lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento para casos de puberdade precoce por meio da medicação Leuprorelina, além de defender que as políticas de dignidade menstrual considerem as necessidades reais das estudantes. “Não adianta entregar apenas um absorvente por dia. O fluxo menstrual é diferente para cada pessoa e a troca precisa ocorrer dentro dos intervalos adequados para garantir higiene, conforto e saúde”, observou.

A farmacêutica também chamou atenção para a necessidade de incluir absorventes e itens de higiene básica em ações voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente vítimas de violência doméstica e famílias atingidas por enchentes e desastres. “Quando as pessoas fazem doações, geralmente pensam em roupas e alimentos, mas esquecem dos materiais de higiene. O absorvente precisa ser visto como um item essencial e estar presente nessas ações de assistência”, defendeu.

Representando a Prefeitura de Rio Branco, a diretora de Articulação de Políticas Públicas, Lene Petecão, falou da importância da audiência para fortalecer ações voltadas à dignidade menstrual e ao enfrentamento de temas que ainda são tratados como tabu. Ela lembrou sua atuação como vereadora em defesa das políticas públicas para mulheres e revelou que já havia apresentado um projeto relacionado ao tema na Câmara Municipal. “Precisamos parar com essa história de que ninguém pode falar sobre isso. Os temas transversais são os que deveriam estar na pauta do dia, porque impactam diretamente a vida das mulheres e das famílias”, afirmou.

Lene também anunciou que a gestão municipal pretende avançar na construção de políticas permanentes para garantir a dignidade menstrual e ampliar o debate nas escolas. “Conversei com o prefeito sobre esse projeto que apresentei enquanto vereadora e que não foi aprovado à época. Agora, a proposta será retomada pela gestão municipal, porque precisamos transformar essas iniciativas em lei para que possamos cobrar sua efetivação pelo poder público”, ressaltou, destacando ainda a importância da integração entre diferentes secretarias para garantir resultados concretos.

Para o vereador do município de Rio Branco, André Kamai, a pobreza menstrual deve ser compreendida como uma consequência das desigualdades sociais e econômicas que ainda marcam a sociedade brasileira. Ele frisou que as dificuldades enfrentadas por mulheres e meninas em relação ao acesso à higiene menstrual, saúde e dignidade não são problemas isolados, mas reflexos de uma estrutura social excludente que precisa ser transformada por meio de políticas públicas e avanços civilizatórios. “A pobreza menstrual e tantas outras questões que enfrentamos são consequências do ambiente de desigualdade em que vivemos. São problemas estruturais, que não nascem de uma situação pontual, mas da forma como a nossa sociedade está organizada. Quando debatemos esses temas, estamos discutindo direitos, inclusão e a construção de uma sociedade mais justa para todos”, afirmou.

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A Defensora Púbica, Simone Santigado, representando o ato a governadora Mailza Assis e a Secretaria da Mulher, frisou que a dignidade menstrual está diretamente ligada à proteção e à garantia de direitos das mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social. Durante sua fala, ela ressaltou a importância da divulgação das políticas públicas já existentes, como os programas de distribuição gratuita de absorventes, para que mais adolescentes e mulheres tenham acesso aos benefícios. “Hoje tivemos uma verdadeira aula sobre o tema. Existem iniciativas importantes, mas elas precisam chegar ao conhecimento de quem realmente necessita. A informação também é uma ferramenta de garantia de direitos”, afirmou.

A gestora também reforçou o compromisso da Secretaria da Mulher em fortalecer ações de conscientização e ampliar parcerias para enfrentar os desafios relacionados à saúde e à dignidade menstrual. Segundo ela, campanhas educativas, atividades nas escolas e mobilizações sociais são fundamentais para romper tabus e ampliar o acesso aos produtos de higiene. “O poder público não consegue fazer nada sozinho. Precisamos dessa rede de parceiros, instituições e movimentos sociais para avançarmos cada vez mais nessa pauta tão sensível e importante para a vida das mulheres”, destacou.

Nas considerações finais, o deputado Adailton Cruz destacou que a audiência pública representou um importante momento de aprendizado e conscientização sobre os desafios relacionados à dignidade menstrual e ao enfrentamento do machismo. O parlamentar defendeu a necessidade de ampliar a participação dos homens nesse debate, reforçando que o respeito às mulheres deve ser refletido nas atitudes do dia a dia. “Não basta apenas discursar sobre respeito. É preciso mudar comportamentos dentro de casa, no trabalho e em todos os espaços da sociedade. O machismo precisa ser combatido diariamente, porque ele ainda gera desigualdades e sofrimento para muitas mulheres”, afirmou.

Adailton também anunciou medidas concretas de apoio à pauta, incluindo a destinação de R$ 100 mil em emenda parlamentar para ações da Secretaria da Mulher voltadas à dignidade menstrual e outros R$ 100 mil para apoiar iniciativas da Associação Mãe da Mata. Além disso, destacou a apresentação de projetos de lei relacionados ao tema e reafirmou o compromisso de ampliar a divulgação das informações debatidas durante a audiência. “Hoje saio daqui mais consciente de que não podemos ser omissos. Vamos continuar trabalhando para fortalecer essas políticas públicas, ampliar o acesso à informação e garantir mais dignidade, respeito e qualidade de vida para as mulheres acreanas”, concluiu.

Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac

Fotos: Sérgio Vale e João Henrique

Fonte: Assembleia Legislativa do AC

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Audiência pública debate direitos de pacientes com lúpus e aperfeiçoamento da legislação estadual

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  A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou, nesta sexta-feira (29), uma audiência pública para discutir a aplicação da Lei nº 4.434/2024, que instituiu a campanha estadual de conscientização e orientação sobre o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). O debate reuniu representantes do Ministério Público (MPAC), de entidades ligadas à causa, a deputada federal Socorro Neri, profissionais de saúde, pacientes e familiares com o objetivo de avaliar avanços, desafios e possíveis aperfeiçoamentos na legislação voltada às pessoas diagnosticadas com a doença.

Proposta pelo deputado Tio Pablo  (União PP), a audiência buscou ampliar o diálogo entre o poder público e a sociedade civil sobre as políticas de atenção aos pacientes com lúpus. Entre os temas debatidos estiveram a importância do diagnóstico precoce, a ampliação do acesso ao tratamento especializado, a produção de dados oficiais sobre a incidência da enfermidade no Acre e o fortalecimento das ações de conscientização para reduzir a desinformação sobre a doença.

A legislação estadual prevê campanhas educativas permanentes para esclarecer sintomas, orientar pacientes e familiares, incentivar a busca por tratamento adequado e contribuir para a coleta de informações que auxiliem na formulação de políticas públicas. O encontro também abriu espaço para que pacientes, familiares e especialistas apresentassem sugestões visando aprimorar a efetividade da norma e ampliar a proteção das pessoas que convivem com o Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Tio Pablo destacou que a iniciativa surgiu após ouvir relatos de pacientes que enfrentam dificuldades para obter diagnóstico, tratamento e acesso a políticas públicas voltadas às doenças autoimunes. Segundo o parlamentar, o objetivo do encontro foi construir propostas concretas capazes de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, evitando que a discussão se limitasse apenas à exposição de problemas. “Se fosse para fazer uma audiência sem propósito, apenas para ouvir histórias sem apontar soluções, eu não aceitaria esse desafio. Nosso compromisso é buscar caminhos reais para quem convive com essas condições”, afirmou.

Ainda em seu pronunciamento, Pablo anunciou a apresentação de cinco propostas legislativas e indicações voltadas ao fortalecimento da assistência aos pacientes, além da elaboração de um projeto para criação de um centro de referência especializado em doenças autoimunes no Acre. O deputado também defendeu a construção de um termo de compromisso envolvendo órgãos públicos para garantir o acesso aos medicamentos de alto custo fornecidos pelo poder público. “Muitas famílias vivem com um salário mínimo e não têm condições de comprar remédios que chegam a custar dezenas de milhares de reais. Precisamos assegurar dignidade e acesso ao tratamento para essas pessoas”, destacou.

A representante da organização do evento, Marcelha, apresentou o projeto arquitetônico do futuro Centro de Referência para Doenças Autoimunes e Crônicas, proposta que busca concentrar em um único espaço serviços especializados voltados ao atendimento dos pacientes. Durante a exposição, ela agradeceu a colaboração voluntária do engenheiro Jairo Penha, responsável pela elaboração técnica do projeto, e destacou que a iniciativa nasceu da necessidade de oferecer respostas concretas às pessoas que convivem diariamente com doenças autoimunes. “Os pacientes precisam mais do que discursos. Precisam de acolhimento, tratamento adequado e acesso aos serviços necessários para garantir qualidade de vida”, afirmou.

Ao detalhar a proposta, Marcelha explicou que o centro foi concebido para reunir consultas médicas especializadas, acompanhamento multiprofissional, suporte psicológico, assistência social, acesso a medicamentos e atendimento humanizado em um único local. Segundo ela, atualmente o Brasil não possui uma unidade específica com esse modelo integrado voltado exclusivamente às doenças autoimunes e crônicas, o que coloca o Acre diante da possibilidade de se tornar pioneiro nessa área. “Mais do que uma estrutura física, esse projeto representa esperança para pessoas que durante anos permaneceram invisíveis dentro do sistema de saúde. É uma iniciativa que beneficia os pacientes e também fortalece a saúde pública como um todo”, destacou.

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Pacientes e familiares relatam desafios do diagnóstico, tratamento e acesso à saúde

Gabriele, paciente diagnosticada com lúpus aos 13 anos, compartilhou durante os desafios enfrentados por quem convive diariamente com a doença e defendeu a ampliação das políticas públicas voltadas aos portadores de enfermidades autoimunes. Em um relato marcado pela emoção, ela destacou os impactos físicos, emocionais e financeiros do tratamento, além das dificuldades para obter medicamentos e assistência adequada. “Viver com lúpus é como travar uma guerra contra o próprio corpo todos os dias. Tem remédios muito caros, alterações na saúde e no emocional, e muitas vezes as pessoas não conhecem a doença nem entendem o que passamos”, afirmou.

Representando familiares de pessoas diagnosticadas com lúpus, Regiane emocionou os participantes ao relatar os desafios enfrentados por quem acompanha de perto a rotina de um paciente com doença autoimune. Mãe de uma jovem acometida pela enfermidade, ela pediu mais sensibilidade das autoridades e destacou que o sofrimento vai além dos sintomas físicos, afetando também o emocional, a autoestima e a vida familiar. “Nós queremos que olhem para essas pessoas com humanidade. O lúpus vai muito além das dores e da perda de cabelo. É uma luta diária que impacta toda a família e exige compreensão, acolhimento e políticas públicas que garantam dignidade a quem convive com a doença”, afirmou.

Em um depoimento marcado por emoção, Manoel relatou a perda da esposa, que tinha lúpus e faleceu aos 24 anos, após enfrentar dificuldades para obter atendimento especializado e acesso ao tratamento adequado. Viúvo e pai de duas crianças, ele afirmou que decidiu compartilhar sua história para alertar sobre a realidade vivida por muitas famílias e defender melhorias no atendimento aos pacientes com doenças autoimunes. “Minha esposa passou dois anos nessa luta entre fundação, Pronto Socorro e consultas, sem conseguir o acompanhamento que precisava. Foram dois anos tentando uma consulta com reumatologista e nós não conseguimos. Se não fosse por esse descaso, hoje ela estaria viva aqui. Eu não consegui ajudá-la, mas posso ajudar outras famílias contando a nossa história”, declarou.

Diagnosticada com lúpus, Ingra compartilhou um relato sobre as dificuldades enfrentadas por quem convive com a doença, tanto no acesso ao tratamento quanto no ambiente de trabalho. A paciente contou que precisou abandonar a profissão de educadora física após o agravamento do quadro de saúde e relatou ter sofrido discriminação no exercício de suas atividades profissionais. Ingra também afirmou que sofreu um AVC isquêmico e que hoje convive com sequelas permanentes, além de enfrentar elevados custos para manter o tratamento. Segundo ela, os gastos com medicamentos, consultas e acompanhamento médico chegam a cerca de R$ 5 mil por mês. “O lúpus mudou completamente a minha vida. Além das limitações da doença, enfrento despesas muito altas para continuar o tratamento e manter minha saúde. Precisamos de mais assistência, mais informação e mais respeito com quem convive diariamente com essa realidade”, afirmou.

Autoridades defendem fortalecimento da rede de atendimento aos pacientes

O promotor de Justiça Walter Teixeira destacou a necessidade de união entre as instituições públicas para enfrentar os problemas relatados pelos pacientes e familiares durante a audiência. Representando o Ministério Público do Acre, ele afirmou que as dificuldades apresentadas evidenciam falhas em diversos setores do sistema público, desde a saúde até os órgãos responsáveis pela garantia de direitos, e defendeu uma atuação integrada em busca de soluções efetivas. “Nós não estamos aqui apenas para fazer discursos. Estamos aqui para resolver problemas. Quando ouvimos esses relatos, percebemos que existem falhas no sistema e todos nós temos responsabilidade nisso. Ministério Público, Poder Executivo, Poder Legislativo, Defensoria Pública e demais instituições precisam atuar em sintonia para garantir dignidade, acesso à saúde e respeito a essas pessoas”, afirmou.

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A deputada federal Socorro Neri afirmou que a audiência pública provocou uma profunda reflexão sobre a realidade enfrentada pelas pessoas diagnosticadas com lúpus e anunciou que a pauta passará a integrar as prioridades de seu mandato. Ao destacar o trabalho desenvolvido por Tio Pablo na defesa de causas coletivas, a parlamentar disse ter sido impactada pelos relatos apresentados durante o encontro e garantiu que a luta por mais direitos e assistência aos pacientes passará a receber atenção especial em Brasília. “Depois de ouvir cada um de vocês, essa causa passa a ocupar um lugar prioritário no nosso mandato. Estamos falando de pessoas que precisam de dignidade, acolhimento e acesso efetivo aos seus direitos”, declarou.

Durante o pronunciamento, Socorro destacou projetos em tramitação no Congresso Nacional voltados ao reconhecimento do lúpus como deficiência para fins legais, à inclusão da doença entre as patologias isentas de carência para concessão de benefícios previdenciários e à criação de uma carteira nacional de identificação para pacientes. A deputada também informou que sua equipe já trabalha na elaboração de novas propostas relacionadas à proteção laboral de pessoas acometidas por doenças autoimunes, incluindo medidas para garantir flexibilização da jornada de trabalho, possibilidade de teletrabalho e combate à discriminação no ambiente profissional. “Não podemos admitir que alguém que já enfrenta uma condição tão difícil ainda seja penalizado no mercado de trabalho por causa da sua doença”, ressaltou.

Ao final da fala, a parlamentar assumiu o compromisso de atuar diretamente na articulação institucional em defesa dos pacientes, colocando seu gabinete à disposição da associação que representa as pessoas com lúpus no Acre. Entre os encaminhamentos anunciados, Socorro propôs a construção de uma ação conjunta envolvendo Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Secretaria de Estado de Saúde, Fundação Hospitalar e Governo do Estado para buscar soluções coletivas relacionadas ao acesso a medicamentos, tratamentos e demais demandas apresentadas durante a audiência. “Precisamos reunir todos os atores responsáveis e construir respostas concretas para quem sofre hoje e para quem ainda enfrentará essas dificuldades no futuro. Essa luta não é apenas de vocês, é de todos nós”, afirmou.

Encerrando a audiência, Tio Pablo ressaltou que o encontro resultou em encaminhamentos concretos para fortalecer a assistência às pessoas com doenças autoimunes, entre eles a apresentação de cinco propostas legislativas, a construção de uma ação coletiva envolvendo instituições do sistema de justiça, o aperfeiçoamento dos fluxos de atendimento na rede pública de saúde e o compromisso de busca por recursos para a implantação do Centro de Referência para Doenças Autoimunes e Crônicas. O parlamentar também destacou a importância da mobilização dos pacientes e familiares na defesa da causa e relembrou a Lei nº 4.112, de sua autoria, que instituiu o uso do cordão de girassol para identificação de pessoas com condições ocultas, realizando a entrega simbólica de colares aos participantes. “Hoje saímos daqui com compromissos, propostas e a certeza de que essa luta continuará. Precisamos unir forças para garantir dignidade e atendimento adequado às pessoas com lúpus, fibromialgia, artrite, artrose e outras doenças que muitas vezes permanecem invisíveis para a sociedade”, afirmou.

Texto: Andressa Oliveira

Foto: Sérgio Vale e Hugo Costa

Fonte: Assembleia Legislativa do AC

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