AGRONEGÓCIO
Seguro rural avança no Congresso: Câmara aprova reforma com fundo de catástrofe, juros menores e prioridade no crédito
AGRONEGÓCIO
A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2951/24, que promove uma ampla reformulação do sistema de seguro rural no Brasil. A proposta cria novas fontes de financiamento para o setor, amplia os incentivos à contratação de apólices e estabelece condições diferenciadas de crédito para produtores que adotarem o seguro como ferramenta de gestão de risco.
Como o texto recebeu alterações na Câmara, a matéria retorna ao Senado Federal para nova análise antes de seguir para sanção presidencial.
Reforma busca ampliar cobertura do seguro rural
A proposta foi aprovada com substitutivo do deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), que promoveu ajustes pontuais, principalmente relacionados ao uso do seguro rural como garantia em operações de crédito.
O objetivo central do projeto é aumentar a adesão ao seguro rural no país, considerada ainda baixa diante da dimensão do agronegócio brasileiro e da crescente exposição das lavouras aos riscos climáticos.
Atualmente, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) conta com recursos limitados. Em 2025, foram destinados R$ 565,4 milhões ao programa, valor suficiente para atender aproximadamente 3,2 milhões de hectares, o equivalente a apenas 2,61% da área cultivada com lavouras temporárias e permanentes no Brasil.
Fundo Catástrofe ganha novo impulso
Um dos principais pontos da proposta é a reestruturação do chamado Fundo Catástrofe, mecanismo criado pela Lei Complementar nº 137/2010, mas que nunca alcançou plena operacionalização por falta de regulamentação e de aportes permanentes.
O fundo terá a função de complementar a cobertura do seguro rural em situações de grandes perdas causadas por eventos climáticos extremos e outros riscos de elevada magnitude.
Segundo o texto aprovado, os recursos poderão ser formados por:
- Participações acionárias da União em empresas nas quais detenha participação minoritária;
- Excesso de ações necessárias ao controle de sociedades de economia mista;
- Imóveis públicos;
- Direitos patrimoniais pertencentes à União;
- Outros ativos definidos em regulamentação.
A administração ficará sob responsabilidade de uma pessoa jurídica específica, que poderá contar com a participação de seguradoras, resseguradoras, cooperativas, empresas do agronegócio e instituições ligadas à cadeia produtiva.
Recursos para o seguro rural terão proteção orçamentária
A proposta também estabelece mecanismos para evitar interrupções nos recursos destinados ao seguro rural.
Pelo texto, despesas relacionadas à subvenção do prêmio do seguro rural não poderão sofrer contingenciamento ou bloqueio orçamentário, reforçando a previsibilidade dos programas de apoio ao produtor.
Além disso, os recursos destinados ao seguro terão execução obrigatória dentro dos limites aprovados na Lei Orçamentária Anual.
O projeto ainda permite o remanejamento de verbas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), desde que a transferência não comprometa o funcionamento do programa nem as operações já contratadas.
Produtor segurado poderá ter juros menores e prioridade no crédito
Outro destaque da proposta é a ampliação dos benefícios para produtores que contratarem seguro rural.
As operações de crédito amparadas por seguro poderão receber:
- Taxas de juros mais favoráveis;
- Prazos diferenciados de financiamento;
- Limites ampliados de crédito;
- Prioridade no acesso a financiamentos rurais;
- Condições especiais para renegociação ou prorrogação de dívidas.
A medida busca estimular a contratação do seguro como instrumento permanente de gestão de risco e reduzir a vulnerabilidade financeira dos produtores diante de perdas provocadas por seca, excesso de chuvas, geadas e outros eventos climáticos.
Seguro poderá ser utilizado como garantia em financiamentos
O projeto também regulamenta o uso das apólices como garantia em operações de crédito rural.
Para isso, as instituições financeiras poderão exigir cláusulas específicas, como:
- Cessão fiduciária dos direitos e indenizações da apólice;
- Designação do banco como primeiro beneficiário em caso de sinistro;
- Prazos reduzidos para regulação e pagamento das indenizações;
- Definição clara das coberturas e dos riscos contratados.
A exigência busca aumentar a segurança das operações financeiras e facilitar o acesso ao crédito para produtores segurados.
Regras definem prazo para pagamento das indenizações
A proposta também estabelece procedimentos mais claros para a regulação de sinistros agrícolas.
Nos casos em que não houver necessidade de vistoria técnica presencial, a análise deverá ser concluída em até 15 dias após a comunicação da ocorrência.
Já o pagamento da indenização deverá ocorrer em até 30 dias após a entrega da documentação exigida ou da realização da vistoria técnica, prevalecendo o evento que ocorrer por último.
A medida busca reduzir a burocracia e aumentar a eficiência no atendimento aos produtores que sofrerem perdas.
Mercado vê avanço na gestão de riscos do agronegócio
Durante os debates, parlamentares destacaram a importância de fortalecer o seguro rural como instrumento de estabilidade econômica no campo.
O relator da proposta argumentou que a baixa cobertura atual está relacionada à escassez de recursos públicos, à complexidade regulatória e às dificuldades operacionais enfrentadas por produtores e seguradoras.
Representantes da bancada agropecuária defenderam que a ampliação do seguro rural poderá contribuir para reduzir o endividamento no setor e aumentar a capacidade de recuperação dos produtores diante de frustrações de safra.
Caso seja aprovado definitivamente pelo Senado, o projeto poderá representar uma das mais relevantes mudanças na política de gestão de riscos do agronegócio brasileiro nos últimos anos, ampliando a proteção financeira dos produtores e fortalecendo a sustentabilidade da atividade agropecuária.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Porto de Itajaí bate recorde com novas rotas internacionais e investimento de R$ 9 milhões da JBS Terminais
A JBS Terminais anunciou a ampliação de suas operações no Porto de Itajaí com a chegada de duas novas linhas internacionais de longo curso e um novo investimento de R$ 9 milhões em infraestrutura logística. A medida reforça o processo de expansão do terminal catarinense, que já registra crescimento acelerado na movimentação de cargas e consolida sua posição estratégica no comércio exterior brasileiro.
Com as novas operações, o Porto de Itajaí alcançará o maior número de linhas regulares de navegação de sua história, fortalecendo as conexões de Santa Catarina com mercados da América do Norte, Caribe, Europa, Oriente Médio, Ásia e África.
Novas linhas ampliam exportações e conexões internacionais
Entre as novidades anunciadas estão as linhas UCLA/Gulf to SAEC String 1 e BOSSA NOVA/SIRIUS 1.
A rota UCLA/Gulf to SAEC String 1 fará a ligação entre Itajaí, a Costa Leste dos Estados Unidos, o Caribe e o Norte da América do Sul, conectando o terminal catarinense a importantes mercados internacionais, como Houston e Cartagena.
Já a linha BOSSA NOVA/SIRIUS 1 reforçará a integração logística com o Mediterrâneo, utilizando hubs estratégicos como Algeciras e Tanger Med, considerados relevantes pontos de distribuição global.
Com isso, o Porto de Itajaí passa a contar com 12 linhas regulares de navegação internacional, ampliando sua relevância para operações de exportação e importação de cargas refrigeradas, proteínas animais e produtos do agronegócio.
JBS investe R$ 9 milhões para ter operação logística própria
Para acompanhar o avanço das operações, a JBS Terminais também confirmou investimento de aproximadamente R$ 9 milhões na aquisição de 25 caminhões destinados exclusivamente às operações internas do terminal.
Os veículos serão utilizados no transporte de contêineres entre o cais e a área de armazenagem, permitindo que a companhia opere com logística 100% própria dentro do porto.
A entrega dos caminhões está prevista até o final de maio, com início gradual das operações ao longo de junho.
Segundo a empresa, o novo aporte integra a estratégia de expansão operacional do terminal e busca aumentar a eficiência logística diante do crescimento contínuo da movimentação de cargas.
Porto de Itajaí registra maior movimentação da história
Desde que assumiu a operação do terminal, a JBS Terminais vem registrando crescimento consistente na movimentação portuária.
De acordo com a companhia, a média de expansão mensal alcança cerca de 12% no volume de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.
Em abril, o terminal atingiu a maior movimentação mensal de sua história, superando 44,8 mil TEUs movimentados.
O presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, destacou que a empresa já investiu cerca de R$ 230 milhões desde outubro de 2024 na retomada das operações do Porto de Itajaí, que permaneceu praticamente paralisado por quase dois anos.
“Os investimentos e a ampliação das rotas fazem parte da nossa estratégia de crescimento operacional e fortalecem a importância do Porto de Itajaí na logística aquaviária nacional”, afirmou.
Estrutura fortalece Santa Catarina como polo logístico do agronegócio
Atualmente, o terminal opera com uma estrutura considerada estratégica para o comércio exterior brasileiro.
O Porto de Itajaí conta com 180 mil metros quadrados de área operacional, 1.030 metros de cais, quatro berços com profundidade de 14 metros, além de 1.705 tomadas para contêineres refrigerados e oito gates reversíveis.
A estrutura reforça a competitividade de Santa Catarina nas exportações de proteínas animais, alimentos refrigerados e produtos do agronegócio, segmentos que dependem de eficiência logística e agilidade no fluxo internacional de cargas.
Com a ampliação das rotas e os novos investimentos, a expectativa do setor é de fortalecimento ainda maior da posição do Porto de Itajaí como um dos principais corredores logísticos do Sul do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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