AGRONEGÓCIO
Colheita de milho em Mato Grosso avança e supera ritmo da safra passada, mas preços seguem pressionados
AGRONEGÓCIO
A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso segue em ritmo acelerado e já supera o desempenho registrado no mesmo período da temporada anterior. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, até a última sexta-feira, 20,86% da área cultivada no estado havia sido colhida, avanço de 9,57 pontos percentuais em apenas uma semana.
O percentual também representa um desempenho superior ao observado no mesmo período da safra passada, ficando 6,78 pontos percentuais à frente do registrado em 2024. O avanço dos trabalhos é favorecido pelas boas condições climáticas, que têm permitido maior eficiência nas operações em campo.
Médio-Norte lidera colheita no estado
Entre as regiões produtoras, o Médio-Norte apresenta o maior avanço, com 29,92% da área já colhida. Por outro lado, o Sudeste mato-grossense registra apenas 5,48% de área colhida, refletindo o atraso ocorrido durante o período de semeadura.
Apesar das diferenças regionais, o Imea destaca que as lavouras implantadas fora da janela ideal nas regiões Sudeste e Nordeste apresentam potencial produtivo positivo, embora inferior ao das áreas plantadas dentro do calendário recomendado.
Produção de milho em MT é revisada para cima
Diante das boas condições de desenvolvimento das lavouras, o Imea elevou sua estimativa para a produção de milho da safra 2025/26 em Mato Grosso.
A projeção atual aponta para uma colheita de 53,35 milhões de toneladas, sustentada por uma produtividade média estimada em 120,28 sacas por hectare sobre uma área cultivada de 7,39 milhões de hectares.
Caso o volume seja confirmado, Mato Grosso deverá reforçar sua posição como principal produtor nacional de milho, contribuindo significativamente para o abastecimento interno e as exportações brasileiras.
Oferta elevada mantém mercado pressionado
Se por um lado a perspectiva produtiva é positiva, por outro o aumento da oferta continua pressionando os preços do cereal.
Na última semana, o Indicador IMEA apresentou recuo de 0,84%, encerrando o período com média de R$ 41,35 por saca. Na Bolsa Brasileira (B3), o contrato corrente caiu 1,07%, fechando a R$ 64,04 por saca.
Já o indicador do Cepea para Campinas (SP) registrou a maior retração semanal, com queda de 1,95%, alcançando média de R$ 62,97 por saca.
Segundo analistas do instituto, a expectativa de entrada de grandes volumes de milho no mercado tem reduzido o interesse dos compradores em antecipar negócios e levado muitos produtores a postergar vendas em busca de melhores oportunidades.
Comercialização avança lentamente
Reflexo do cenário de preços mais baixos, a comercialização da safra 2025/26 segue abaixo do potencial esperado.
Levantamento do Imea mostra que, até junho, 47,32% da produção prevista já havia sido negociada pelos produtores mato-grossenses.
A cautela dos vendedores está relacionada à expectativa de recuperação dos preços nos próximos meses, especialmente diante das incertezas logísticas e da demanda internacional.
Safra argentina amplia pressão sobre o mercado global
Além da elevada oferta brasileira, o mercado acompanha o avanço da colheita na Argentina, um dos principais concorrentes do Brasil no comércio internacional de milho.
De acordo com a Bolsa de Cereales, a colheita argentina alcançou 48,20% da área prevista até 18 de julho, avanço semanal de 4,60 pontos percentuais.
Embora o ritmo ainda esteja 3,61 pontos abaixo do registrado na temporada anterior, em função da alta umidade dos grãos em regiões do Centro e Sul de Buenos Aires, a produtividade média nacional segue elevada, estimada em 135,67 sacas por hectare.
A projeção oficial da entidade mantém a produção argentina em 64 milhões de toneladas, volume 30,6% superior ao da safra anterior.
Perspectiva é de continuidade da pressão sobre os preços
Com duas grandes safras sendo colhidas simultaneamente na América do Sul, o cenário aponta para manutenção da elevada oferta global de milho nos próximos meses.
Segundo avaliação do Imea, esse contexto tende a prolongar a pressão baixista sobre as cotações internacionais e domésticas, exigindo atenção dos produtores quanto às estratégias de comercialização e gestão de custos.
Enquanto a colheita avança rapidamente em Mato Grosso, o mercado segue atento ao comportamento da demanda e à capacidade de absorção de uma das maiores ofertas de milho já registradas na região.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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