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Nos 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, TJAC transforma direitos em ações concretas para proteger nossos jovens

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Da educação em direitos à qualificação profissional, passando pelo fortalecimento dos vínculos familiares e pela humanização da Justiça, o TJAC desenvolve iniciativas que dão vida aos princípios do ECA

Há 36 anos, o Brasil dava um dos passos mais importantes na proteção da infância e da adolescência ao promulgar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 13 de julho de 1990. A legislação consolidou uma nova compreensão sobre a infância ao reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e estabelecer a responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade para garantir seu desenvolvimento integral.

Inspirado na Constituição Federal de 1988 e em tratados internacionais de direitos humanos, o Estatuto assegura direitos fundamentais como acesso à educação, saúde, convivência familiar, lazer, proteção contra todas as formas de violência, exploração e negligência. Mais do que uma lei, o ECA representa um compromisso permanente com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e humana.

No Acre, o Tribunal de Justiça transformou esse compromisso em uma política contínua de proteção à infância. Por meio da Coordenadoria da Infância e Juventude (Coinj) e de diversas parcerias institucionais, o Judiciário acreano desenvolve projetos que aproximam a Justiça da população e promovem cidadania, acolhimento, educação e oportunidades para milhares de crianças, adolescentes e famílias.

Para a vice-presidente do TJAC e a frente da Coinj, desembargadora Regina Ferrari:

“Celebrar os 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente é reafirmar um compromisso que pertence a toda a sociedade. O ECA mudou a forma como o Brasil enxerga a infância e a adolescência ao reconhecer que meninos e meninas são sujeitos de direitos e merecem proteção integral, respeito e oportunidades para se desenvolverem plenamente. No Tribunal de Justiça do Acre, esse compromisso vai muito além da aplicação da lei. Ele se traduz em ações concretas que levam informação, acolhimento, educação, fortalecimento dos vínculos familiares e oportunidades para transformar vidas.”

Conhecer os direitos é garanti-los

Um dos exemplos dessa atuação é o Programa ECA na Comunidade, iniciativa que leva o Estatuto para dentro das escolas e aproxima estudantes do conhecimento sobre seus direitos e deveres.

Coordenado pelo juiz de Direito Romário Divino Faria, titular da 2ª Vara da Infância e Juventude, e executado pela pedagoga Alessandra Gonçalves Pinheiro, o projeto promove palestras educativas sobre cidadania, prevenção à violência, combate ao abuso sexual, bullying, atos infracionais e fortalecimento dos vínculos entre escola, família e comunidade.

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A proposta vai além da transmissão de informações. O objetivo é estimular crianças e adolescentes a compreenderem seus direitos, desenvolverem responsabilidade social e identificarem situações de risco, tornando-os protagonistas da própria proteção.

Em 2026, o programa chegou à sua 14ª edição, mobilizando centenas de estudantes em ações realizadas justamente no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Formar cidadãos

Também voltado ao ambiente escolar, o projeto Cidadania e Justiça na Escola aproxima magistrados da comunidade escolar para apresentar, de forma acessível, o funcionamento do Poder Judiciário e fortalecer a educação para a cidadania.

Criado em 2012 pela Escola Superior da Magistratura do Acre (Esmac), em parceria com o Tribunal de Justiça, as atividades desenvolvidas nas escolas públicas abordam democracia, direitos e deveres, estrutura do Estado e cultura da paz. Durante o ano letivo, magistradas e magistrados visitam as unidades de ensino, dialogam com os estudantes e incentivam a reflexão sobre respeito, convivência e resolução pacífica de conflitos.

Ao final do projeto, os alunos produzem redações sobre os temas trabalhados, consolidando o aprendizado e tornando-se multiplicadores desses valores em suas comunidades.

Fortalecer laços também é proteger

Entre as iniciativas mais emocionantes desenvolvidas pelo TJAC está o projeto Abraçando Filhos, criado em 2016 para promover o reencontro entre mulheres privadas de liberdade e seus filhos em um ambiente acolhedor e humanizado.

Conduzido pela Coordenadoria da Infância e Juventude em parceria com o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Ministério Público do Acre e outras instituições, o projeto proporciona encontros realizados em datas simbólicas, como Dia das Mães, Dia das Crianças e Natal.

Mais do que momentos de confraternização, os encontros reafirmam um direito previsto no próprio Estatuto: a convivência familiar. A iniciativa fortalece vínculos afetivos, contribui para o desenvolvimento emocional das crianças e auxilia no processo de ressocialização das mães, demonstrando que a proteção da infância também passa pelo cuidado com as relações familiares.

Transformar histórias

O direito à proteção também significa oferecer perspectivas para o futuro. É com esse propósito que o TJAC desenvolve o programa Radioativo, voltado à qualificação profissional de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, vítimas do trabalho infantil ou que cumprem medidas socioeducativas.

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Realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), Senai e demais instituições parceiras, o programa oferece formação técnica em áreas estratégicas do mercado de trabalho, como tecnologia e telecomunicações.

Ao promover capacitação profissional, o projeto amplia oportunidades de inserção no mercado formal, fortalece a autonomia dos participantes e reduz fatores de vulnerabilidade social, reafirmando que investir na juventude é uma das formas mais eficazes de prevenção à violência.

Começando pelo afeto

Outro projeto que traduz os princípios do Estatuto em ações concretas é o Colo de Amor, iniciativa voltada às crianças acolhidas em instituições de proteção.

Promovido pela Coordenadoria da Infância e Juventude, o projeto leva momentos de lazer, recreação, convivência e acolhimento às crianças em situação de vulnerabilidade, oferecendo muito mais do que atividades recreativas: proporciona carinho, atenção e escuta.

A iniciativa também promove uma importante transformação dentro do próprio Judiciário. Ao aproximar magistradas e magistrados da realidade vivida pelas crianças acolhidas, o projeto fortalece a sensibilidade humana na atuação judicial, contribuindo para decisões ainda mais qualificadas e centradas na proteção integral.

Uma rede permanente de proteção

Esses projetos representam apenas parte das iniciativas desenvolvidas pelo Tribunal de Justiça do Acre em defesa da infância e da adolescência.

O Judiciário acreano também mantém programas voltados ao fortalecimento da adoção legal, à busca ativa de famílias para crianças e adolescentes acolhidos, ao acompanhamento das medidas protetivas, ao enfrentamento da violência, ao aperfeiçoamento da Justiça da Infância e Juventude e à articulação permanente com instituições que integram a rede de proteção.

Mais do que aplicar a lei, o Tribunal atua para tornar efetivos os direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, aproximando a Justiça da sociedade e contribuindo para que cada criança e adolescente tenha a oportunidade de crescer com dignidade, segurança, afeto e perspectivas para o futuro.

Fotos: acervo Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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TJAC firma acordo inédito no país para melhorar a infraestrutura e as condições das penitenciárias do Acre

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Cooperação reúne Judiciário, Executivo, conselhos profissionais e órgãos de fiscalização para efetivar metas do Plano Pena Justa. Na mesma solenidade, outros dois termos foram celebrados, um voltado ao atendimento de pessoas custodiadas e outro à reintegração de egressos do sistema prisional

Uma parceria interinstitucional inédita no país para aprimorar a infraestrutura e as condições de habitabilidade das penitenciárias foi firmada entre o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) e outras sete instituições e conselhos profissionais. A assinatura do acordo de cooperação técnica ocorreu nesta terça-feira, 14, no Palácio da Justiça, em Rio Branco, com a presença do chefe do Judiciário acreano, desembargador Laudivon Nogueira, e de representantes dos órgãos parceiros.

A iniciativa integra as metas do Plano Estadual Pena Justa, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347 (ADPF 347), que reconheceu o Estado de Coisa Inconstitucional (ECI) no sistema prisional brasileiro. O documento estabelece adequações arquitetônicas e de ambiência nas unidades prisionais, a elaboração conjunta de vistorias, diagnósticos e relatórios estruturais, além da emissão de licenças para todos os estabelecimentos penais.

Entre as metas assumidas estão o fornecimento ininterrupto de água; a eliminação das chamadas celas críticas, caracterizadas por condições insalubres; área mínima de seis metros quadrados por pessoa privada de liberdade; e a regularização de todas as penitenciárias junto à Vigilância Sanitária e ao Corpo de Bombeiros; além da adaptação de espaços destinados a grupos em situação de vulnerabilidade, como gestantes, lactantes e pessoas LGBTQIA+.

Além do TJAC e do Iapen, assinaram o termo as secretarias de Estado de Saúde (Sesacre), de Obras Públicas (Seop) e de Planejamento (Seplan); o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC); a Vigilância Sanitária; e os conselhos regionais de Arquitetura e Urbanismo (CAU/AC) e de Engenharia e Agronomia (Crea/AC). O acordo terá vigência inicial de 36 meses e não envolve repasse de recursos financeiros entre as instituições.

Direitos humanos no sistema prisional

Durante a cerimônia, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, destacou que a cooperação representa mais um passo para a implementação integral do Plano Pena Justa e da garantia de direitos no sistema prisional, desde o ingresso da pessoa privada de liberdade até o retorno à sociedade. “Isso vai resultar, certamente, em uma sociedade mais pacífica, em que sejam garantido o direito e a cidadania plena”, afirmou.

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O supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), desembargador Francisco Djalma, salientou a importância dos acordos para o fortalecimento do sistema penal do estado e para a sociedade. “Esses termos de cooperação entre o Poder Judiciário e o Executivo têm como propósito atender uma determinação do Conselho Nacional de Justiça, no sentido de tornar o sistema prisional mais próximo do que determina a Lei de Execução Penal”, explicou.

Já o presidente do Iapen, Leandro Rocha, ressaltou a atuação conjunta das instituições para colocar em prática o Plano Pena Justa no Acre. “Sozinho nós não íamos conseguir alcançar nenhum eixo. Foi o nosso parceiro, Tribunal de Justiça, que articulou para que a gente tenha condições de seguir com o plano”, enfatizou.

Acolhimento social em audiências de custódia

Na mesma solenidade, foram firmados outros acordos de cooperação. O segundo institui o Serviço de Atendimento à Pessoa Custodiada (APEC), celebrado entre o TJAC e o Iapen. A iniciativa busca assegurar assistência social e proteção às pessoas presas e seus familiares durante as audiências de custódia. O projeto-piloto será implantado em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

O fluxo de atendimento foi organizado em duas etapas, ambas de adesão voluntária: antes e após a audiência. Na primeira, as equipes identificarão necessidades imediatas, como acesso à água, alimentação, itens de higiene e contato com familiares, além de elaborar um relatório com o perfil socioeconômico da pessoa custodiada.

Na segunda etapa, quando houver relaxamento da prisão, concessão de liberdade provisória ou aplicação de medidas cautelares, uma equipe prestará orientações sobre o cumprimento das determinações judiciais e fará os encaminhamentos à rede de assistência social, saúde ou atendimento jurídico, conforme a necessidade.

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Pessoas com indícios de transtornos mentais ou sofrimento psíquico serão encaminhadas à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O protocolo também estabelece procedimentos específicos para o atendimento de indígenas, migrantes, gestantes, lactantes, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência.

Expansão dos Escritórios Sociais no Acre

O terceiro acordo tem como foco o fortalecimento da Política de Atenção à Pessoa Egressa do Sistema Prisional, com o objetivo de ampliar a reintegração social de indivíduos que deixam o cárcere. A parceria reúne o TJAC, o Iapen e a Defensoria Pública do Estado (DPE) e visa expandir a atuação dos Escritórios Sociais para outras regiões do estado.

O termo institui um fluxo permanente de atendimento voltado a dois públicos. O primeiro é formado pelas pessoas pré-egressas, que cumprem os últimos seis meses de pena em regime fechado e receberão preparação documental, psicossocial e orientações antes da saída do sistema prisional. O segundo contempla as pessoas egressas, que terão acesso a serviços de acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção social.

O Poder Executivo fica responsável pelo financiamento e pela gestão da política pública. Ao Judiciário cabe orientar magistrados a encaminharem pessoas egressas aos Escritórios Sociais, além de priorizar a destinação de recursos provenientes de penas pecuniárias para fortalecer a iniciativa. Já a Defensoria Pública deve prestar assistência jurídica e acompanhar a execução das ações.

Plano Estadual Pena Justa

O Plano Estadual Pena Justa foi elaborado por representantes do Poder Judiciário, do Poder Executivo, de instituições do sistema penal e de organizações da sociedade civil. O documento está estruturado em quatro eixos e reúne mais de 300 metas nacionais e estaduais, com execução prevista até 2027.

Entre as medidas definidas estão a implantação de mecanismos de gestão de vagas para reduzir a superlotação prisional, a ampliação da oferta de educação e trabalho para pessoas privadas de liberdade, a melhoria da infraestrutura das unidades prisionais e o fortalecimento de políticas voltadas à reinserção social após o cumprimento da pena.

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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