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TJAC participa do V Congresso Internacional de Flagrante, no Peru
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Durante o segundo e o terceiro dia do congresso, magistrado do Judiciário acreano integrou a programação como palestrante
Três dias de diálogo, análise e intercâmbio de experiências para fortalecer a atuação do sistema de Justiça no enfrentamento à criminalidade. Esse foi o propósito do V Congresso Internacional de Flagrante, realizado nos dias 12, 13 e 14 de agosto, em Lima, no Peru.
Representando o Poder Judiciário do Acre, o juiz de Direito Clovis Lodi, titular da Vara de Garantias, participou da programação que reuniu magistrados, autoridades e profissionais do sistema de Justiça para discutir temas relacionados à atuação penal e ao combate ao crime organizado.
Durante o segundo e o terceiro dia de congresso, o magistrado integrou a programação como palestrante, abordando o tema “A evolução do processo penal brasileiro: do Código de 1941 ao marco legal de combate ao crime organizado”.
Em sua exposição, Clovis Lodi apresentou os aspectos da evolução da legislação e da atuação do sistema de Justiça brasileiro diante das transformações ocorridas na criminalidade, destacando os desafios relacionados ao enfrentamento das organizações criminosas.
A participação também possibilitou o intercâmbio de experiências entre profissionais de diferentes países, especialmente sobre a realidade das regiões de fronteira e os desafios impostos pela atuação do crime organizado.
“Sou juiz desde 2009 e atuo na região de fronteira desde 2012, na área criminal. É uma região, como todos sabem, fortemente impactada pelo crime organizado. Esse evento é muito importante para que possamos trocar experiências, conhecer outras realidades e fortalecer a aproximação entre os profissionais que atuam nessa área”, destacou o magistrado.



Para o juiz, a troca de conhecimentos entre os países é fundamental para aprimorar as estratégias de enfrentamento à criminalidade, sobretudo em regiões de fronteira, onde a atuação de organizações criminosas ultrapassa limites territoriais.
O congresso também proporcionou debates sobre a importância da prisão em flagrante, os procedimentos relacionados à persecução penal e os mecanismos utilizados pelos sistemas de Justiça para garantir uma resposta eficiente e, ao mesmo tempo, alinhada às garantias previstas em lei.
Por estar localizado em uma região de fronteira, o Acre enfrenta desafios específicos no combate à criminalidade organizada, o que torna o intercâmbio de experiências com outros países uma oportunidade para ampliar conhecimentos e fortalecer a atuação institucional.
“A participação no V Congresso Internacional de Flagrante contribui, ainda, para aproximar o Judiciário acreano de iniciativas e debates internacionais voltados ao aperfeiçoamento da Justiça criminal e ao enfrentamento das novas dinâmicas da criminalidade”, finalizou.
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Quando ouvir também é proteger: a escuta de crianças vítimas de violência
O depoimento especial é instrumento de humanização e proteção a infância e juventude – garantindo a escuta qualificada no sistema de justiça, sem revitimização
Existe uma tarefa muito delicada no Poder Judiciário: a de ouvir crianças e adolescentes que passaram por situações de violência. Para evitar que eles revivam o trauma ao contar a história várias vezes, existe o depoimento especial, um método focado em cuidado, segurança e respeito.
Essa demanda é atendida principalmente pela Vara da Infância e Juventude. Só neste ano de 2026, até agosto, a 1ª Vara de Infância e Juventude de Rio Branco, recebeu 394 processos e a Vara da Infância e Juventude de Cruzeiro do Sul outros 387, de acordo com o painel estatístico da Justiça em Números.
Na rotina da unidade, um psicólogo coletava o depoimento especial de uma criança. O processo está relacionado aos crimes de estupro de vulnerável e maus tratos. Infelizmente, a realidade por trás do volume dos processos mostra a vulnerabilidade de crianças e adolescentes acreanos, vítimas de diversos delitos como abandono e lesões corporais, além daqueles que sofrem com a exposição – direta ou indiretamente – a crimes violentos contra membro da família ou de sua rede de apoio.

Depoimento especial
É preciso compreender que a criança e o adolescente são indivíduos em desenvolvimento, em que mudanças físicas e psíquicas estão acontecendo a caminho da maturação. Isso é construído ativamente a partir da relação com o ambiente, sendo o resultado da interação de fatores internos (organismo) e externos (meio) do sujeito. Essa abordagem interacionista – fundamentada em autores como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon – embasa a cartilha institucional sobre Depoimento Especial do Ministério Público da Bahia.
A escuta especializada e o depoimento especial são direitos garantidos por lei, previstos na Lei n.º 13.431/2017, que atualizou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com o sistema de garantias para aqueles que foram vítimas ou testemunhas de violência. Posteriormente, a Resolução CNJ n.º 299/2019 estabeleceu os parâmetros nacionais dessas tarefas.
Para tanto, as salas de depoimento especial são ambientes fisicamente isolados das salas de audiência tradicionais, com o objetivo de oferecer segurança, privacidade e condições de acolhimento. Elas são equipadas com câmeras e microfones, que capturam o diálogo com um membro da equipe multidisciplinar. Desta maneira, o registro serve para que o depoimento seja colhido uma única vez, evitando a revitimização por repetir o relato traumático diversas vezes ao longo do processo.

Multiplicando o cuidado
Sobre os protocolos técnicos aplicáveis, a pedagoga da Vara da Infância e Juventude, Alessandra Pinheiro, vai conduzir o curso “Depoimento Especial com o Protocolo Brasileiro” na Escola do Poder Judiciário (Esjud), que terá carga horária de 40 horas.
As inscrições estão abertas até o dia 19 de outubro para as pessoas interessadas, que integrem a Central de Serviço das Equipes Multidisciplinares (Cesem), o Cadastro de Peritos, Tradutores, Intérpretes, Administradores Judiciais e demais Auxiliares da Justiça (CEPTEC) e o Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente (Caica), coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH).

Garantir a justiça é contribuir para a manutenção da paz e da ordem na sociedade. Neste Dia das Crianças, o lembrete é que a infância deveria ser sinônimo de proteção.

Fotos: Arquivo Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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