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Acre e Bolívia fortalecem diálogo bilateral sobre clima e REDD+ Jurisdicional em reunião estratégica na COP30
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Em reunião bilateral e técnica realizada nesta quarta-feira, 19, na sala de reuniões, no Pavilhão das Delegações (Blue Zone) da COP30, em Belém (PA), o governo do Acre apresentou ao alto escalão da Bolívia sua experiência pioneira em governança climática, do REDD+ Jurisdicional do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa).
A presidente do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), Jaksilande Araújo, foi convidada pela Fundación Natura Bolívia a compartilhar o modelo acreano com o vice-presidente da Bolívia, Edman Lara, e com o ministro do Meio Ambiente, Oscar Justiniano, que buscam recolocar o país andino no centro das discussões internacionais sobre clima e floresta.

Além das autoridades bolivianas, participaram do encontro: Frances Seymour, consultora sênior de políticas da Woodwell Climate Researc; Diana Romero, deputada da Bolívia; diretora da Fundación Natura Bolívia, María Teresa Vargas e o assessor Juan Torrico; Felipe Guntin, analista técnico de clima e floresta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma); Marília Oliveira, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam); além de assessores e especialistas.
Acre apresenta REDD+ Jurisdicional
Na reunião, Jaksilande Araújo apresentou a Lei do Sisa, sua estrutura de governança, o sistema de salvaguardas socioambientais, mecanismos da estratégia de repartição de benefícios e os avanços para certificação de créditos de carbono de alta integridade com a adoção do Padrão Trees — considerados referência internacional.
Ela destacou que o Acre, há 15 anos, criou uma política de Estado robusta, e há 13 anos implementa o primeiro programa de REDD+ Jurisdicional do mundo, o REM Acre, fruto da cooperação com Alemanha e Reino Unido.

“Para nós, é uma honra compartilhar com a Bolívia a experiência construída pelo Acre ao longo de 15 anos de Sisa. Nosso sistema reúne governança participativa, salvaguardas sólidas e transparência, garantindo segurança jurídica e confiança internacional. Com nosso sistema e seu programa de REDD+ Jurisdicional mostramos que é possível reduzir o desmatamento, gerar resultados climáticos e beneficiar quem vive na floresta. Ficamos felizes em contribuir para que mais países avancem nessa agenda essencial para a Amazônia e para o clima.”
Bolívia busca reposicionamento na agenda climática internacional
As autoridades bolivianas demonstraram interesse em compreender como países da Amazônia estão avançando em mecanismos de REDD+ Jurisdicional e da iniciativa lançada pelo governo brasileiro: Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) para conservação de suas florestas tropicais, combatendo o desmatamento e o desequilíbrio climático.

Os representantes do país destacaram que a Bolívia deseja retomar protagonismo nas negociações climáticas e aprender com experiências bem-sucedidas, especialmente aquelas implementadas em territórios amazônicos.
O representante do Pnuma citou ainda exemplos de países que recebem apoio técnico e têm acessado a mecanismos internacionais de financiamento climático, reforçando a importância de iniciativas multissetoriais e modelos sólidos de governança — características já consolidadas no Acre.

“O Acre oferece um exemplo concreto de como construir uma política climática robusta, alinhada às melhores práticas internacionais. Do ponto de vista técnico, essa troca é fundamental para apoiar países amazônicos, como a Bolívia, a avançarem em mecanismos de REDD+ Jurisdicional e acesso a financiamentos climáticos. O Pnuma seguirá apoiando esse diálogo, conectando conhecimento, países e soluções”, disse o representante do Pnuma, Felipe Guntin.
Acre: referência internacional
Com uma trajetória reconhecida por organismos multilaterais e parceiros internacionais, o Acre se posiciona como uma das experiências mais avançadas do mundo em REDD+ Jurisdicional. A reunião reforça o papel estratégico do estado nas discussões da COP30 e contribui para ampliar a cooperação nas regiões tropicais, fortalecendo iniciativas que unem conservação, desenvolvimento sustentável e enfrentamento da crise climática.
Fonte: Governo AC
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Mulheres transformam talento em renda em feira empreendedora no Tucumã
A força do empreendedorismo feminino esteve em evidência na noite desta quarta-feira, 17, durante a “Feira empreendedora Mulheres Mil: elas produzem negócios, criatividade e renda”, realizada na Escola Raimundo Gomes, localizada no bairro Tucumã, em Rio Branco. O evento reuniu grande variedade de produtos e serviços, incluindo artesanato indígena, peças em crochê, artigos de ateliê, gastronomia, produtos decorativos, bazar solidário e atendimentos de consultas oftalmológicas.

A iniciativa é resultado do Programa Mulheres Mil, executado pelo Instituto Federal do Acre (Ifac), e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), reforçando o compromisso do governo do Acre com autonomia econômica, inclusão produtiva e fortalecimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Durante o evento, o público pôde conhecer e adquirir produtos permeados de histórias de superação, dedicação e busca por novas oportunidades. Mais do que uma exposição destinada a fomentar a economia local, a feira fortalece redes de apoio entre as participantes, estimulando a troca de experiências e o aprendizado coletivo entre mulheres que encontraram no empreendedorismo uma possibilidade de ampliar a renda familiar, conquistar independência financeira e transformar suas realidades.
Da sala de aula para os negócios e sociedades
Entre as participantes da feira, a história de empreendedorismo ganhou forma na parceria entre Janaína Alencar e Francilene Gomes. As duas se conheceram durante o Curso de Microempreendedora Individual oferecido pelo Mulheres Mil e descobriram que compartilhavam o mesmo sonho: conquistar autonomia financeira por meio do próprio negócio. Da amizade nasceu um empreendimento simples e cheio de significado: um carrinho de pipocas.

Na feira, a dupla apresentou o resultado do aprendizado adquirido ao longo da formação. Janaína ficou responsável pelas pipocas salgadas, enquanto Francilene preparou as versões doces.
“Trouxemos pipoca para vender. Eu fiz a salgada e ela a doce. Deu muito certo, estamos vendendo bastante. Aprendemos a transformar ideias em lucratividade e estamos colocando tudo em prática”, contou Janaína, orgulhosa do primeiro passo dado pelas duas empreendedoras.

Moradora do bairro Calafate, Jenifer Gomes encontrou no artesanato uma forma de complementar a renda e expressar sua criatividade. Especializada na produção de laços e peças confeccionadas com fitas, a artesã destacou que o Mulheres Mil foi fundamental para fortalecer sua confiança e ampliar sua visão sobre o empreendedorismo.

“O curso nos incentiva a acreditar no nosso potencial. Aprendemos que podemos transformar aquilo que sabemos fazer em uma fonte de renda. Hoje me sinto mais preparada para empreender e crescer com o meu trabalho”, afirmou.
A diversidade cultural também esteve presente na feira, por meio do talento de Maria Liberdade Pereira e Rosa Oliveira, da etnia indígena Kaxinawá, do município de Santa Rosa do Purus, que trouxeram, para exposição e comercialização, peças produzidas por suas próprias mãos, como colares, anéis, pulseiras e tiaras adornadas com penas.

Para as artesãs, a participação no evento representa uma oportunidade de obter renda e compartilhar a riqueza cultural dos povos indígenas acreanos.
A coordenadora-geral do Programa Mulheres Mil, Tânia Façanha, ressaltou: “A feira simboliza a superação de desafios, o fortalecimento da autoestima e a abertura de novas oportunidades para essas mulheres. Isso mostra que o Mulheres Mil vai além da qualificação profissional, gerando oportunidades e contribuindo para a transformação de suas realidades”.

“Vimos aqui na prática que os cursos são formas mais eficazes de garantir às mulheres autonomia, dignidade e inclusão social. Por meio dessa qualificação profissional, elas conquistam novas oportunidades de emprego e renda”, afirmou a representante da SEASDH, Lidiane Alves.

Como a SEASDH atua
Responsável por acolher as inscrições, a secretaria escolhe os cursos com o Ifac, verifica os bairros com maior índice de vulnerabilidade, para fazer a seleção das alunas, e realiza apoio logístico, tanto na capital quanto no interior, por meio de um termo de cooperação técnica do instituto com o Gabinete da Governadora Mailza Assis.
“Gran finale”
Encerrando a noite em clima de celebração e emoção, as alunas protagonizaram um desfile especial, inspirado em temas ligados ao empreendedorismo, à autoestima e ao crescimento pessoal e profissional. Cada participante exibiu sua própria trajetória de superação, coragem e transformação.
Sob aplausos do público, o desfile marcou não apenas a finalização da feira, mas a reafirmação de que investir nas mulheres é abrir caminhos para a geração de renda, a inclusão social e a construção de novas histórias de sucesso.


Foto: Fernando Santtos/SEASDH
Foto: Fernando Santtos/SEASDH
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Foto: Fernando Santtos/SEASDH
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