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Com área pertencente à União, governo do Acre avança na regularização do Calçadão da Gameleira
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O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), tem adotado medidas pautadas na legalidade e na segurança jurídica em relação às intervenções de infraestrutura no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco. O espaço é de grande relevância histórica, cultural e simbólica para a capital acreana.
Reconhecido como marco inicial da fundação de Rio Branco, em 1882, o local sempre contou com a atuação colaborativa do Estado na manutenção da infraestrutura e no apoio a ações voltadas ao turismo e à geração de renda. No entanto, um novo entendimento jurídico e administrativo passou a orientar a gestão da área.

De acordo com manifestação formal da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), em torno de 80% da área da Gameleira corresponde a terreno de domínio da União. A definição foi reforçada em reunião realizada em janeiro de 2026, com a participação de diversos órgãos estaduais e municipais, estabelecendo que qualquer intervenção no local depende de autorização prévia do órgão federal, enquanto não houver formalização de cessão de uso ao Estado.
Com base nesse cenário, e seguindo orientação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o governo do Acre passou a não realizar intervenções diretas na área, como forma de garantir o respeito às competências legais e evitar a aplicação irregular de recursos públicos.

O gestor da pasta de Obras Públicas, Ítalo Lopes, destacou que a decisão está fundamentada no compromisso com a correta gestão dos recursos e com a observância das normas legais.
“A atuação do Estado sempre foi guiada pelo interesse público e pela valorização da Gameleira. Neste momento, seguimos rigorosamente as orientações jurídicas para assegurar que qualquer intervenção ocorra com o devido respaldo legal, garantindo transparência e segurança na aplicação dos recursos públicos”, afirmou.

A Secretaria de Estado de Governo (Segov) manifestou concordância com as medidas adotadas e reforçou o alinhamento institucional entre os órgãos estaduais, destacando o esforço conjunto para viabilizar uma solução definitiva para a área.
Expectativa cultural, turística e econômica do governo
A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) também recebeu com estranheza e surpresa a manifestação da SPU, por sempre ter realizado eventos culturais no local. Contudo, informou que age de forma célere para acelerar o processo administrativo para formalização do Termo de Cessão de Uso à fundação. O documento já se encontra devidamente instruído e apto para prosseguimento, tendo sido encaminhado com urgência à Secretaria de Estado de Administração (Sead).

A FEM projeta continuar fomentando atividades de múltiplas vertentes, assegurando a utilização do espaço para fins culturais, esportivos e de convivência, priorizando o uso comum pela sociedade civil, bem como garantir o suporte físico e administrativo para a execução do calendário tradicional de eventos de grande porte e manifestações populares, englobando Carnaval, festas juninas, celebrações de Natal e Réveillon, impulsionando as cadeias da economia criativa e da economia solidária.
A expectativa do governo do Estado é que, após a formalização da cessão de uso, a gestão do espaço passe a ser exercida de forma regular pela Fundação de Cultura Elias Mansour, permitindo também a retomada das ações de manutenção, preservação e valorização do Calçadão da Gameleira, em benefício da população acreana.

Ao mesmo tempo em que reafirma o respeito às normas legais e à divisão de competências entre os entes federativos, o governo do Acre evidencia seu compromisso com a preservação e valorização do Calçadão da Gameleira, um dos mais importantes marcos históricos da capital.
“A nossa gestão segue empenhada em construir, de forma dialogada e responsável, as soluções necessárias para a regularização da área, com o objetivo de retomar plenamente as ações de manutenção e fortalecimento do espaço, garantindo que ele continue cumprindo seu papel como referência cultural, turística e econômica para a população acreana”, ressaltou a governadora Mailza Assis.
Fonte: Governo AC
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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre
Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.
Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.
“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.
“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.
Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.
“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.
Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.
“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.
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Foto: Cleiton Lopes
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