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Da socialização ao autoconhecimento, relatório inédito mostra como estudantes do Acre enxergam a escola e revela alto interesse por tecnologia e saúde mental
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Um levantamento inédito feito no Acre com quase 16 mil estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental revela como os adolescentes enxergam a escola e o que desejam para o futuro da educação. O relatório, divulgado nesta terça-feira, 11, faz parte da Semana da Escuta das Adolescências, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e Itaú Social, e traz percepções sobre acolhimento, aprendizado, participação e convivência. Além disso, o relatório reflete as mudanças nas percepções dos alunos ao longo dos anos escolares, comparando visões entre diferentes faixas etárias.
Relatório mostra percepção de alunos mais novos até a chegada à preocupação com o futuro profissional. Foto: Mardilson Gomes/Arquivo SEEO estudo ouviu alunos das redes estadual e municipais, e mostra que 68% dos mais jovens, dos 6º e 7º anos, têm uma visão mais positiva da escola, como espaço de aprendizado, acolhimento e socialização, e 70% diz se sentir bem no ambiente escolar.
Já os estudantes dos 8º e 9º anos, mais próximos do ensino médio, demonstram expectativas diferentes e maior interesse por temas ligados ao futuro, como tecnologia, saúde mental e preparação profissional.
Entre os estudantes do 8º e 9º anos, 73% afirmam que a escola contribui para o aprendizado e o autoconhecimento necessários às escolhas do futuro. Apesar disso, apenas 60% consideram o ambiente escolar propício ao aprendizado, e 55% associam a escola ao desenvolvimento do autoconhecimento.
Já em relação às disciplinas, 73% sentem que estão ampliando seus conhecimentos, o que reforça a importância de conectar o currículo às expectativas e desafios dessa faixa etária.
Pesquisa mostra que 68% dos mais jovens, dos 6º e 7º anos, têm uma visão mais positiva da escola, como espaço de aprendizado, acolhimento e socialização. Foto: Neto Lucena/SecomA socialização e os vínculos interpessoais aparecem como pontos fortes da experiência escolar, especialmente entre os estudantes do 6º e 7º anos: 81% relatam ter amizades significativas e 74% sentem-se respeitados e valorizados pelos profissionais da escola. No entanto, apenas 43% percebem respeito mútuo entre estudantes e professores, revelando um desafio nas relações em sala de aula.
Entre os alunos do 8º e 9º anos, a tendência se mantém: 82% destacam a socialização como aspecto positivo, mas o índice de percepção de respeito e valorização por parte dos professores cai para 35%, reforçando a necessidade de fortalecer o diálogo e o reconhecimento entre educadores e adolescentes nessa etapa.
Aulas práticas, com projetos e atividades “mão na massa” são bem recebidas por 37% dos estudantes dos 6º e 7º anos e 35% dos dos 8º e 9º anos. Foto: Jorge Feitosa/SEEInteresse por tecnologia e inovação
Na dimensão de habilidades e futuro, os estudantes do 8º e 9º anos demonstram crescente interesse por temas que dialogam com a vida fora da escola. Tecnologia e mídias digitais são valorizadas por 27% dos participantes, seguidas por educação financeira (26%) e ações com a comunidade e reflexões sobre sonhos de vida (19%).
Os dados indicam que, à medida que se aproximam do ensino médio, os adolescentes passam a priorizar conhecimentos que contribuem diretamente para sua autonomia, planejamento e construção de projetos de vida.
O relatório revela que os estudantes do Acre demonstram forte interesse por atividades que conectam o aprendizado à prática e à tecnologia. Tecnologia e mídias digitais lideram as preferências, com 43% dos alunos do 6º e 7º anos, e 41% dos do 8º e 9º anos apontando essas atividades como as mais atrativas. A pesquisa científica também aparece como destaque, sendo valorizada por 35% dos mais novos e 28% dos mais velhos.
As aulas práticas, com projetos e atividades “mão na massa”, são bem recebidas por 37% dos estudantes dos 6º e 7º anos e 35% dos dos 8º e 9º anos. Já as práticas esportivas têm adesão de 36% e 34%, respectivamente. As atividades artísticas e culturais mostram queda de interesse conforme a idade avança: 30% entre os mais novos e 23% entre os mais velhos.
Tecnologia e mídias digitais são valorizadas por 27% dos participantes. Foto: Ascom/IeptecÀ participação estudantil também é valorizada, com 28% dos alunos dos 6º e 7º anos e 30% dos dos 8º e 9º anos, desejando mais envolvimento nas decisões escolares.
Na dimensão de aprofundamento teórico, os estudantes do 6º e 7º anos indicam preferência por reforço e aprofundamento dos conteúdos (24%) e por aulas teóricas (17%). Entre os mais velhos, esses índices caem para 19% e 15%, respectivamente.
O relatório também considera o desenvolvimento pessoal e profissional dos adolescentes. Conversas sobre sentimentos, sonhos e objetivos são valorizadas por 22% dos estudantes dos 6º e 7º anos e 20% dos dos 8º e 9º anos. Já as atividades voltadas à preparação profissional são mencionadas por 21% dos mais velhos, quesito que não foi incluído no questionário dos mais novos.
Entre os estudantes do 8º e 9º anos, a integração escolar continua sendo valorizada: 48% preferem atividades como jogos. Foto: Stalin Melo/SEEEscuta ativa
Entre os estudantes do 8º e 9º anos, a integração escolar continua sendo valorizada: 48% preferem atividades como jogos, competições e olimpíadas, enquanto 19% destacam a importância de espaços para conversas além do conteúdo e 14% apontam o valor de ações que envolvam, ao mesmo tempo, responsáveis, professores e estudantes.
No campo do diálogo e da escuta, 31% apoiam iniciativas contra bullying, racismo e outras formas de violência, e 29% sugerem a presença de uma figura conselheira na escola, alguém com quem possam conversar e buscar apoio. Além disso, 22% demonstram interesse por projetos sociais e ações de melhoria da escola ou da comunidade.
A dimensão emocional e de bem-estar também aparece com força: 29% pedem atividades voltadas à melhoria da qualidade de vida, e 28% priorizam ações que ajudem a lidar com emoções, evidenciando o desejo por uma escola que cuide não apenas do intelecto, mas também da saúde emocional dos alunos.
Secretário de Educação e Cultura do Acre, Aberson Carvalho, destaca que escola deve ter escuta ativa e acompanhar mudança de percepção dos alunos. Foto: Mardilson Gomes/SEEQuando a escola se reinventa com seus alunos
O secretário de Educação do Acre, Aberson Carvalho, destaca que os resultados do relatório apenas confirmam o que a gestão já observa no cotidiano escolar: a escola permanece como um espaço central na vida dos jovens, mas precisa se reinventar constantemente para acompanhar suas transformações.
“A Secretaria de Educação acompanha de perto essas mudanças de comportamento, porque entende que educar hoje é também acolher, escutar e dialogar”, diz.
E completa: “Temos investido na formação continuada dos professores, justamente para fortalecer esse vínculo com o estudante, ampliando o olhar para temas como saúde mental, convivência, respeito e protagonismo juvenil. É assim que a escola deixa de ser apenas um lugar de conteúdo e passa a ser um lugar de pertencimento e de construção de futuro”.
Fonte: Governo AC
ACRE
Segurança pública intensifica ações em comunidades indígenas e fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), por meio do programa Acre pela Vida e da Diretoria de Políticas Públicas de Segurança, Justiça e Integração Social (DIRPSJ), realizou ao longo de toda a semana, 13 a 18 uma série de ações em comunidades indígenas com o objetivo de fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus.

A agenda contou com atividades educativas, atendimentos sociais e iniciativas esportivas, com foco na aproximação entre o poder público e a população local. Entre os destaques, esteve a formatura de estudantes do Projeto Pequeno Brilhante, que atendeu alunos do 4º ao 7º ano de escolas do município, além da entrega de kits esportivos para incentivar práticas saudáveis entre crianças e jovens.

As ações reforçam a estratégia da Sejusp de integrar políticas de segurança com iniciativas sociais, ampliando a presença institucional em regiões de difícil acesso e promovendo cidadania de forma contínua e inclusiva. Para o secretário de Segurança Pública, José Américo Gaia, a presença do Estado em regiões de difícil acesso reforça o papel da segurança pública como instrumento de cidadania.

“Essas ações mostram que a segurança vai além do policiamento. Estamos promovendo inclusão, diálogo e oportunidades, principalmente em comunidades indígenas, respeitando suas especificidades e fortalecendo vínculos de confiança”, destacou.

Além das atividades com estudantes, a programação incluiu palestras direcionadas ao ensino fundamental, médio e à Educação de Jovens e Adultos (EJA), abordando temas como violência contra a mulher, tráfico de pessoas e contrabando de migrantes. Durante a permanência no município, a equipe também realizou atendimentos diretos, incluindo o acompanhamento de casos de migração e o suporte imediato a uma vítima de violência doméstica.

A coordenadora do programa Acre pela Vida, Francisca de Fátima, ressaltou o caráter preventivo e transformador das ações. “Trabalhar com a comunidade, especialmente em territórios indígenas, é essencial para construir uma cultura de paz. Quando levamos informação, esporte e apoio social, contribuímos diretamente para a prevenção da violência”, afirmou.

O cronograma também contemplou visitas técnicas e escuta ativa junto às comunidades locais e instituições públicas, com o objetivo de mapear demandas e orientar futuras políticas públicas. Nas aldeias, a equipe conheceu projetos esportivos indígenas, incluindo times femininos e masculinos, realizou palestras e entregou materiais esportivos.

A assessora da DIRPSJ, Hany Cruz de Armas, destacou a importância da aproximação com os povos tradicionais. “Estar presente nas aldeias, ouvir as lideranças e contribuir com ações concretas demonstra respeito e compromisso. A segurança pública precisa dialogar com a realidade de cada comunidade, especialmente no contexto indígena”, enfatizou.
Fonte: Governo AC
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