Acre
Médico é acusado de gordofobia após postagem nas redes sociais: 'cansado de ser feio e gordo? Seja só feio'
Giovanni Casseb fez postagem nessa segunda-feira (9) e apagou em seguida. Médico já envolveu em outras polêmicas na internet.
ACRE
O médico Giovanni Casseb virou novamente alvo de críticas e indignação nas redes sociais por uma postagem com discriminação contra pessoas gordas, crime classificado como gordofobia. A publicação, já excluída, foi feita nessa segunda-feira (9) em uma das redes sociais do médico.
“Cansado de ser feio e gordo? Seja só feio!”. A frase faz parte de uma montagem inserida digitalmente em um outdoor com o nome, contato e foto do médico. Ele postou uma foto que mostra o falso outdoor e ele logo abaixo com a mão na boca olhando para cima.
Na legenda da foto, ele escreveu: “Dando aquele confere no meu primeiro outdoor! E aí, já viram algum na cidade? Eu tenho a fórmula mágica! El mago tá on”.
A gordofobia se trata de diversas dificuldades enfrentadas pelas pessoas gordas, desde ofensas e ridicularizarão, falta de acessibilidade – como catracas apertadas no ônibus – e até mesmo a discriminação médica, quando o paciente é tratado mais agressivamente do que uma pessoa magra seria.
Uma seguidora respondeu a postagem do médico e fez críticas a outros seguidores que brincavam com a situação. “Pessoas morrem porque não tem uma maca para pessoas grandes. Todos os dias pessoas são vítimas de gordofobia e vocês agem assim? “, diz.

Giovanni Casseb foi criticado nas redes sociais após a postagem — Foto: Reprodução
‘Conotação negativa’
A foto não aparece mais entre as publicações do médico. Em nota, Casseb alegou que não existe nenhum outdoor dele na cidade e que a publicação foi apenas ‘um meme’ para divulgar o trabalho dele. “É uma pena que algumas pessoas queiram dar essa conotação negativa”, diz parte do comunicado.
Ele afirmou também que atende todos os dias ‘pacientes que buscam tratar a obesidade, que é reconhecida pela OMS como uma doença. Esses pacientes muitas vezes chegam no meu consultório com problemas graves de hipertensão, diabetes, colesterol alto, além de problemas respiratórios, dificuldade para dormir e dores nas articulações e nas costas’.
Ainda na nota, o médico garante que sua missão é cuidar da saúde das pessoas, divulgar seu trabalho com leveza e humor e pediu perdão a quem se sentiu ofendido. Se alguém por ventura se sentiu ofendido, peço, humildemente, perdão e convido pra vim ao meu consultório conhecer nosso trabalho”, conclui.
Casseb tem mais de 58 mil seguidores em uma rede social e se apresenta como incentivador de pessoas, médico e professor de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Esta não é a primeira polêmica em que ele se envolve. Produtor de conteúdo digital na internet, em 2017, o médico foi acusado de racismo após se fantasiar do meme ‘negão do Whatsapp’ durante uma aula da saudade. O caso repercutiu no Facebook e usuários da rede escreveram comentários com crítica acusado o professor de fazer ‘Blackface’, em referência aos atores que se pintavam com carvão para interpretar personagens negros de forma exagerada.
MP fez nota
Nessa terça-feira (10), após a publicação do médico viralizar, o Ministério Público Estadual (MP-AC) fez uma postagem com a hashtag #gordofobiaNão. A publicação ainda tem a frase: “A medida certa é o respeito”.
Na legenda, o órgão destaca que 85% das pessoas obesas já sentiram algum constrangimento por conta do seu peso.
“É uma trajetória marcada pela necessidade de emagrecimento imposta desde a infância. São pessoas que sofrem com imposições, humilhações, exclusões e violências por conta do seu corpo. Isso pode ter consequências bastante graves para a saúde mental: ansiedade, distúrbios alimentares, dificuldade em se relacionar socialmente, dentre muitos outros problemas”, crítica.
Preso por venda de anabolizantes
Casseb foi preso temporariamente em julho de 2019 durante um desdobramento da operação de combate à venda ilegal anabolizantes da Polícia Civil. Segundo as investigações, Casseb receitava anabolizantes para os pacientes e também era suspeito de fazer parte de uma rede de distribuição do medicamento.
Detalhes do inquérito, divulgados na época, mostraram que o médico Giovanni Casseb e o garçom Wendhel Rodrigues, em conversas em aplicativos de mensagens, negociavam clientes. Wendel foi preso no dia 9 de julho em frente a uma agência dos Correios, em Rio Branco, quando buscava uma caixa de anabolizantes.
Nas conversas, era possível ver que os clientes do garçom eram indicados pelo próprio médico, uma vez que sempre se identificaram de tal forma.

Médico foi preso em 2019 suspeito de receitar anabolizantes para pacientes — Foto: Reprodução
Para obter as provas, a polícia teve acesso a conversas tanto no celular de Casseb como no de Wendhel. Além disso, o inquérito mostra que os dois conversaram pelo celular mesmo após a prisão de Whendel. E foi depois da prisão dele que o médico começa a mostrar preocupação. Ele demonstra que sabia que seria preso e negocia, inclusive, sair do estado para recomeçar no Sul do país.
O médico foi solto no dia 25 de julho de 2020, após decisão do desembargador Samoel Evangelista, da Câmara Criminal. Wendhel Rodrigues saiu em setembro do mesmo ano.
Após a soltura, os dois acusados ficaram cumprindo algumas medidas cautelares.
ACRE
Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre
Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.
Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.
“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.
“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.
Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.
“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.
Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.
“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.
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Foto: Cleiton Lopes
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