AGRONEGÓCIO
Acordo entre EUA e Irã pode derrubar custos dos fertilizantes e beneficiar produtores brasileiros
AGRONEGÓCIO
O mercado global de fertilizantes pode entrar em uma nova fase de alívio nos preços após o acordo preliminar de paz firmado entre Estados Unidos e Irã. A avaliação é de especialistas do setor, que apontam a possível normalização das rotas marítimas no Golfo como um fator capaz de reduzir custos logísticos e aumentar a oferta internacional de insumos essenciais para a agricultura.
Para o agronegócio brasileiro, o cenário surge em um momento estratégico, já que as importações de fertilizantes nitrogenados costumam ganhar força no segundo semestre, período de preparação para importantes safras agrícolas.
Rotas marítimas são fundamentais para o mercado de fertilizantes
Segundo análise da StoneX, a possível reabertura das rotas de navegação na região representa um fator de pressão baixista para os preços globais dos fertilizantes.
A região do Golfo abriga corredores marítimos considerados estratégicos para o transporte de produtos como fertilizantes, amônia, enxofre e petróleo. Desde as restrições à navegação provocadas pelas tensões geopolíticas, os custos logísticos e os preços dessas commodities vinham registrando fortes elevações.
Com a perspectiva de retomada das operações, o fluxo de mercadorias tende a ser restabelecido gradualmente, contribuindo para uma maior disponibilidade global de insumos agrícolas.
Normalização ainda depende de questões de segurança
Apesar do otimismo inicial, especialistas alertam que a retomada completa das operações marítimas ainda enfrenta desafios.
Existem relatos de áreas potencialmente afetadas por minas e outras restrições de navegação, além da ausência de definições claras sobre as condições operacionais por parte das autoridades iranianas. Navios que permanecem retidos na região também podem enfrentar atrasos até que o tráfego seja plenamente restabelecido.
Dessa forma, a normalização logística deve ocorrer de forma gradual, sem impactos imediatos sobre toda a cadeia global de suprimentos.
Possível flexibilização de sanções amplia perspectivas de oferta
Outro fator acompanhado pelo mercado é a possibilidade de flexibilização ou retirada de sanções econômicas ao Irã.
Caso esse movimento avance nos próximos meses, a expectativa é de aumento na oferta internacional de matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes, fortalecendo ainda mais a tendência de equilíbrio entre oferta e demanda.
No entanto, analistas destacam que o cenário permanece cercado de incertezas geopolíticas, o que exige cautela por parte dos agentes do mercado.
Ureia acumula forte queda e retorna aos níveis pré-crise
Os reflexos do novo cenário já começam a aparecer nas negociações internacionais da ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura brasileira.
As cotações da ureia CFR Brasil recuaram para patamares observados antes do agravamento das tensões na região do Golfo. O movimento marca a oitava semana consecutiva de queda nos preços internacionais.
No acumulado do período, a desvalorização supera 40%, devolvendo ao mercado níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica.
Momento é favorável para importadores brasileiros
A redução dos preços ocorre justamente quando produtores e distribuidores brasileiros intensificam o planejamento das compras para a próxima temporada agrícola.
Com a expectativa de maior disponibilidade global de fertilizantes e custos logísticos mais baixos, importadores podem encontrar condições mais favoráveis para aquisição de nitrogenados, contribuindo para reduzir parte da pressão sobre os custos de produção no campo.
Para o agronegócio nacional, a evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã seguirá no radar do mercado, já que qualquer avanço na estabilização da região pode trazer impactos positivos para a competitividade da agricultura brasileira nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Paraná projeta safra recorde de cevada em 2026 e fortalece liderança nacional na produção
O Paraná caminha para registrar uma safra histórica de cevada em 2026. Impulsionado pelas condições climáticas favoráveis e pela expansão da área cultivada, o estado deve colher mais de 550 mil toneladas do cereal, consolidando sua posição como principal produtor brasileiro.
As informações constam no mais recente Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta semana.
Área cultivada cresce 21% e reforça expectativa de produção recorde
O plantio da cevada já alcançou 44% da área prevista para a safra 2026, beneficiado pelo clima favorável e pelos níveis adequados de umidade no solo.
A projeção aponta para uma área recorde de 126 mil hectares, crescimento de 21% em relação aos 104 mil hectares cultivados na temporada anterior. Com isso, a produção estadual deverá superar 550 mil toneladas, ampliando ainda mais a participação paranaense no abastecimento nacional.
Segundo o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho, o avanço dos trabalhos foi favorecido pelas condições climáticas observadas nas últimas semanas.
“As chuvas registradas em maio foram importantes para garantir a umidade necessária ao desenvolvimento das lavouras, enquanto o período mais seco recente permitiu acelerar o plantio”, destacou.
Apesar do cenário positivo, os técnicos acompanham com atenção os possíveis impactos do fenômeno El Niño. A expectativa de maior volume de chuvas durante a primavera pode comprometer a qualidade dos grãos no período da colheita.
Paraná lidera produção nacional de cevada
O estado mantém ampla liderança na produção brasileira de cevada. O segundo maior produtor do país, o Rio Grande do Sul, tem previsão de colher cerca de 100,4 mil toneladas.
De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional deverá atingir 678,7 mil toneladas em 2026, representando aumento de 7,2% em comparação ao ciclo anterior.
Safra de milho segue em desenvolvimento e mantém potencial produtivo
O boletim também destaca o avanço da segunda safra de milho 2025/26, cuja estimativa permanece em 17,5 milhões de toneladas.
A colheita começou de forma pontual na região Oeste, principal polo produtor do estado. Até o momento, aproximadamente 14 mil hectares foram colhidos, volume que representa menos de 1% da área total cultivada.
Dos 2,9 milhões de hectares plantados, cerca de 24% das lavouras já estão na fase final de desenvolvimento e praticamente livres dos riscos de geadas. Os demais 76% ainda demandam monitoramento das condições climáticas durante as próximas semanas.
Exportações de carne de peru ganham força
A cadeia produtiva de perus também apresentou resultados positivos. Em 2025, o Paraná ampliou sua participação nas exportações brasileiras da proteína, alcançando 22,61% do total nacional.
Os embarques estaduais somaram 14.875 toneladas, avanço expressivo em relação às 8.692 toneladas exportadas no ano anterior.
No cenário nacional, a carne de peru brasileira foi destinada a 88 mercados internacionais, com destaque para os países das Américas, responsáveis por 63,05% das compras, e da África, com participação de 31,15%.
Maior oferta pressiona preços do brócolis
No segmento de hortaliças, o aumento sazonal da produção provocou queda nos preços do brócolis no mercado atacadista.
A região de Curitiba, responsável por mais de 75% da produção estadual, registrou ampliação da oferta nas primeiras semanas de junho. Como resultado, o preço médio praticado no entreposto da capital recuou para R$ 8,33 por quilo, valor 28,6% inferior ao observado no mesmo período do mês anterior.
Balança comercial de lácteos fecha quadrimestre com superávit em volume
O setor lácteo paranaense encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo positivo em volume comercializado no mercado externo.
As exportações alcançaram 4,3 mil toneladas, superando as importações, que totalizaram 3,1 mil toneladas no período.
Entretanto, a balança comercial permaneceu deficitária em valor financeiro. Enquanto as vendas externas geraram receita de US$ 8,1 milhões, as importações somaram US$ 11,4 milhões.
O resultado reflete o perfil da pauta comercial do setor. O Paraná exporta predominantemente produtos de menor valor agregado, como manteiga, enquanto importa itens com maior valor de mercado, especialmente queijos.
Agronegócio paranaense mantém trajetória de crescimento
Os números apresentados pelo Deral reforçam o bom momento vivido pelo agronegócio paranaense. A expectativa de safra recorde de cevada, o avanço do milho, o fortalecimento das exportações de proteína animal e o desempenho positivo de diferentes cadeias produtivas demonstram a diversidade e a força do setor no estado.
Mesmo diante dos desafios climáticos e das oscilações de mercado, o Paraná segue ampliando sua relevância no cenário agropecuário nacional e consolidando sua posição entre os principais polos produtores do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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