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Açúcar recua em Nova York e no mercado brasileiro, mas risco climático pode sustentar preços nas próximas semanas

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Os mercados de açúcar e etanol encerraram a segunda semana de junho sob pressão, refletindo principalmente o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil e o aumento da oferta disponível. Apesar das quedas registradas tanto na Bolsa de Nova York quanto no mercado físico brasileiro, analistas alertam que fatores climáticos globais podem alterar o comportamento dos preços nas próximas semanas.

A combinação entre maior disponibilidade de produto e demanda ainda moderada manteve as cotações em trajetória de ajuste, mas a confirmação do fenômeno El Niño pelo governo dos Estados Unidos adiciona um componente de risco que poderá influenciar diretamente o mercado internacional de commodities agrícolas e energéticas.

Açúcar recua em Nova York com maior oferta brasileira

Na Bolsa de Nova York, os contratos de açúcar bruto apresentaram leve desvalorização ao longo da semana. As cotações iniciaram o período próximas de 14,65 centavos de dólar por libra-peso e encerraram na faixa de 14,45 centavos.

Segundo análise da Safras & Mercado, o movimento foi influenciado principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar. O câmbio mais favorável aumenta a remuneração das exportações em moeda local e estimula a comercialização do açúcar brasileiro no mercado internacional, ampliando a oferta disponível no curto prazo.

Esse cenário tem contribuído para uma correção gradual das cotações, sem movimentos bruscos de baixa.

El Niño eleva preocupação com oferta global de açúcar

Apesar da pressão atual, o mercado acompanha com atenção os possíveis impactos climáticos decorrentes da oficialização do fenômeno El Niño.

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A expectativa é que o evento influencie importantes regiões produtoras ao redor do mundo, afetando tanto o regime de monções na Ásia quanto a temporada de furacões no Atlântico Norte. Essas condições podem gerar impactos relevantes na produção agrícola e no setor energético, criando um ambiente de maior volatilidade para os preços do açúcar.

A Ásia concentra alguns dos maiores produtores globais da commodity, e alterações nos volumes de chuva podem interferir diretamente no desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar.

Mercado físico brasileiro registra quedas moderadas

No mercado doméstico, o açúcar cristal também apresentou recuo durante a semana, acompanhando o avanço da colheita da nova safra no Centro-Sul.

A saca de 50 quilos do açúcar cristal com até 150 Icumsa passou de R$ 90,00 para R$ 89,00, refletindo o aumento da oferta proveniente das unidades produtoras.

Mesmo assim, as quedas foram consideradas limitadas diante de uma demanda que se mostrou relativamente mais ativa no curto prazo. O comportamento dos compradores ajudou a evitar movimentos mais intensos de baixa.

Para os próximos dias, a expectativa é de estabilidade, com os preços oscilando próximos de R$ 90,00 por saca, sustentados por uma demanda classificada entre fraca e moderada.

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Etanol também sente pressão da nova safra

O mercado de etanol seguiu trajetória semelhante à observada no açúcar. Com a intensificação da moagem de cana e o aumento da produção no Centro-Sul, os preços registraram nova queda.

O etanol hidratado comercializado na região de Ribeirão Preto teve recuo de R$ 2,80 para R$ 2,78 por litro ao longo da semana.

Segundo analistas do setor, a oferta crescente por parte das usinas contrasta com uma postura cautelosa das distribuidoras, que mantêm compras pontuais e reduzidas, estratégia que contribui para pressionar as cotações.

Perspectivas para o mercado sucroenergético

A tendência para a terceira semana de junho permanece de viés baixista moderado, especialmente para o etanol, em função da continuidade da entrada da safra 2026/27 no Centro-Sul.

No caso do açúcar, entretanto, o mercado deverá acompanhar de perto a evolução das condições climáticas globais. Caso os efeitos do El Niño se intensifiquem nas principais regiões produtoras do mundo, o cenário poderá oferecer suporte às cotações internacionais e limitar novas quedas.

Dessa forma, o setor sucroenergético inicia a segunda quinzena de junho dividido entre a pressão sazonal da oferta brasileira e as incertezas climáticas que podem influenciar o equilíbrio global entre produção e consumo nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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