AGRONEGÓCIO
Açúcar recua nas bolsas internacionais em meio à volatilidade do petróleo, enquanto mercado interno segue firme
AGRONEGÓCIO
Açúcar registra queda nas bolsas internacionais após forte alta
O mercado internacional do açúcar apresentou recuo nesta quarta-feira (25), em um movimento de ajuste após a valorização observada no pregão anterior.
Na ICE Futures, em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram o dia em baixa. O vencimento maio/26 caiu 0,33 centavo, cotado a 15,55 cents de dólar por libra-peso. O julho/26 recuou 0,29 cent, para 15,72 cents/lbp, enquanto o outubro/26 fechou a 16,09 cents/lbp, com perda de 0,25 centavo. Os contratos de prazos mais longos também acompanharam o movimento negativo.
Mercado em Londres acompanha tendência de desvalorização
Em Londres, o açúcar branco também registrou queda generalizada. O contrato maio/26 recuou US$ 8,60, sendo negociado a US$ 454,00 por tonelada.
Já o agosto/26 caiu US$ 7,80, para US$ 453,20, enquanto o outubro/26 perdeu US$ 6,80, fechando a US$ 455,40 por tonelada. Assim como em Nova York, os demais vencimentos também apresentaram desvalorização.
Mercado interno mantém estabilidade com leve alta no mês
No Brasil, o cenário foi mais estável. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, apurado pelo CEPEA/ESALQ, registrou leve alta de 0,02% no dia, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 102,28.
No acumulado de março, o indicador apresenta valorização de 3,74%, refletindo a recuperação recente dos preços no mercado físico.
Etanol recua no dia, mas mantém valorização no mês
O etanol hidratado apresentou queda no comparativo diário. Segundo o Indicador Diário Paulínia (SP), também do CEPEA/ESALQ, o biocombustível foi negociado a R$ 3.035,00 por metro cúbico, com recuo de 0,51%.
Apesar da baixa no dia, o etanol ainda acumula alta de 2,17% em março, acompanhando o movimento positivo observado ao longo do mês.
Petróleo e geopolítica influenciam diretamente o mercado de açúcar
A volatilidade no mercado de energia tem sido um dos principais fatores de influência sobre o açúcar. Os preços do petróleo e da gasolina seguem pressionados por expectativas em torno de negociações entre Estados Unidos e Irã, além do aumento dos estoques norte-americanos.
Ao longo do dia, parte das perdas do açúcar foi reduzida após o Irã rejeitar uma proposta de acordo, mantendo as incertezas geopolíticas no radar dos investidores.
No Brasil, a política de preços dos combustíveis da Petrobras também segue como fator relevante, podendo aumentar a volatilidade do açúcar no curto prazo.
Relação entre petróleo e açúcar explica movimentos do mercado
A conexão entre os mercados de energia e açúcar tem se intensificado ao longo de março. Segundo análise do Rabobank, no início do mês, o petróleo Brent chegou próximo de US$ 120 por barril em meio à escalada de tensões envolvendo o Irã. No mesmo período, os contratos futuros do açúcar bruto atingiram um dos níveis mais altos do ano.
Dias depois, com o petróleo recuando para a faixa de US$ 100 por barril, o açúcar voltou a apresentar valorização, evidenciando a interdependência entre os mercados.
Decisão das usinas brasileiras é fator-chave
O principal elo entre petróleo e açúcar está no setor de combustíveis no Brasil. Quando o petróleo sobe, o etanol se torna mais competitivo em relação à gasolina, elevando sua demanda.
Esse cenário leva as usinas a direcionarem maior volume de cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional e sustentando os preços da commodity.
Mesmo com o petróleo abaixo dos picos recentes, o atual patamar ainda é suficiente para manter essa dinâmica, limitando a oferta global de açúcar e contribuindo para um viés de sustentação dos preços no médio prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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