AGRONEGÓCIO
Açúcar registra menor valor nominal em quatro safras; etanol se mantém firme no mercado paulista
AGRONEGÓCIO
Os preços médios do açúcar cristal no mercado spot do estado de São Paulo continuam em queda. Segundo o levantamento do Cepea/Esalq, na última semana, o Indicador CEPEA/ESALQ (cor Icumsa 130 a 180) fechou em R$ 112,02 por saca de 50 kg no dia 22 de outubro, o menor valor nominal registrado desde abril de 2021 — abrangendo as últimas quatro safras.
O centro de pesquisas aponta que a pressão sobre os preços vem da maior flexibilidade das usinas em reduzir suas ofertas, principalmente nas negociações envolvendo o açúcar cristal Icumsa 180. Além disso, projeções de um excedente global de açúcar contribuem para a queda das cotações internacionais do açúcar demerara.
Oferta global pressiona bolsas internacionais
- Nos mercados internacionais, os contratos futuros de açúcar também registraram queda na última segunda-feira (27), impactados pelas expectativas de maior produção mundial e melhora nas condições de oferta.
- Nova York (ICE Futures): o contrato de março/26 recuou 51 pontos, cotado a 14,46 cents por libra-peso, e o de maio/26 caiu 40 pontos, para 14,08 cents.
- Londres (ICE Europe): o açúcar branco de dezembro/25 caiu US$ 9,10, negociado a US$ 422,20 por tonelada, e o de março/26 recuou US$ 9,00, a US$ 416,20.
Segundo a análise da Reuters e do Barchart, o aumento da produção brasileira e a expectativa de expansão nos estoques globais, especialmente na Índia, segundo maior produtor mundial, mantêm pressão sobre os preços. A UNICA registrou crescimento na safra 2025/26 do Centro-Sul, e a DATAGRO projeta nova alta para 2026/27.
Estabilidade recente no açúcar internacional
Nesta terça-feira (28), o mercado internacional do açúcar se estabilizou em 14 cents por libra-peso na bolsa de Nova Iorque, mesmo com o fim da safra brasileira de cana-de-açúcar no Centro-Sul se aproximando.
- Contrato de março/26: 14,47 cents (+0,07%)
- Contrato de maio/26: 14,08 cents
- Contrato de julho/26: 14,01 cents
Em Londres, o contrato de dezembro/25 foi negociado a US$ 422,10 por tonelada, com leve recuo de -0,02%. Com isso, os preços internacionais consolidam os menores valores registrados nos últimos quatro anos.
Etanol hidratado mantém preços estáveis no mercado paulista
Apesar da queda do açúcar, o etanol hidratado registrou leve alta no mercado paulista. Entre os dias 20 e 24 de outubro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado fechou em R$ 2,7527 por litro, aumento de 0,59%. Já o etanol anidro avançou 1,07%, alcançando R$ 3,1411 por litro (ambos líquidos de ICMS e PIS/Cofins).
A sustentação dos preços é atribuída à postura firme dos vendedores e à proximidade do fim da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul. Além disso, muitos compradores mantêm cautela diante da recente redução do preço da gasolina, anunciada pela Petrobras em 20 de outubro. Pesquisadores do Cepea destacam que o etanol segue competitivo no estado de São Paulo, mesmo com a desvalorização do petróleo, devido à redução da oferta com o encerramento da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.
O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.
Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade
A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.
Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas
No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.
O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.
Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.
A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.
Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado
Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.
A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.
Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.
Desafios estruturais e competitividade
Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.
A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.
Cenário político e limites do acordo
Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.
Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.
Perspectivas para o agro brasileiro
A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.
A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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