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Açúcar sobe nas bolsas internacionais e mercado brasileiro acompanha valorização

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Os contratos futuros de açúcar registraram alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (10), impulsionados por fatores técnicos e alterações no quadro global de oferta. Analistas destacam que produtores da Tailândia, segundo maior exportador mundial da commodity, estariam substituindo parte das plantações de cana por mandioca, motivados por preços mais baixos e problemas sanitários em algumas regiões. Essa mudança tende a reduzir a oferta global de açúcar no médio prazo, apontam especialistas.

Segundo a Reuters, essa movimentação contribuiu para a valorização nos principais mercados de referência.

Bolsas internacionais registram ganhos

Na ICE Futures de Nova York, o açúcar bruto para entrega em março de 2026 fechou cotado a 14,91 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,24 centavo (+1,6%) em relação ao fechamento anterior. A posição maio/26 encerrou o dia a 14,49 centavos (+1,3%). Outros contratos subiram entre 11 e 17 pontos, refletindo uma correção técnica após mínimas de quase quatro semanas registradas na sessão anterior.

Em Londres (ICE Futures Europe), o açúcar branco março/26 avançou US$ 7,30, sendo negociado a US$ 426,10 por tonelada. A posição maio/26 subiu US$ 7,00 (+1,69%), cotada a US$ 422,70 por tonelada, enquanto os contratos de agosto e outubro de 2026 registraram altas de 1,60% e 1,43%, respectivamente.

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Mercado doméstico brasileiro acompanha tendência de alta

No mercado interno, o preço do açúcar cristal também se valorizou, segundo o Indicador Cepea/Esalq, da USP. A saca de 50 quilos foi negociada pelas usinas a R$ 112,90, alta de 1,88% em relação a terça-feira (R$ 110,82). No acumulado de dezembro, o indicador registra valorização de 4,06%.

Por outro lado, o etanol hidratado, medido pelo Indicador Diário Paulínia, fechou em leve queda pelo segundo dia consecutivo, sendo negociado a R$ 2.997,50 por m³, contra R$ 3.003,50 do dia anterior, queda de 0,20%.

Produção na Tailândia e impacto no mercado global

O avanço do açúcar nas bolsas internacionais também está relacionado à decisão de produtores tailandeses de priorizar a mandioca em detrimento da cana-de-açúcar, devido à queda nos preços e a surto de doenças em algumas plantações, segundo a consultoria Green Pool. Essa mudança pode gerar restrições na oferta global de açúcar, afetando preços e estratégias comerciais de grandes exportadores, incluindo o Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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